Blog do Jorge Balbi Jr. – Anaheim 1

13 de janeiro de 2010 - 15:00

Olá amigos !! Nesse fim de semana aconteceu a grande abertura do AMA Supercross. Como falei no post passado, tive um final de 2009 e um início de 2010 um pouco complicado por causa de uma lesão que sofri nos treinos para o SX. Após 15 dias sem treinar, fiz um único treino antes da prova e fui para Anaheim um pouco desanimado já que ainda sentia muitas dores e não pude me preparar da forma que eu queria.

Antes de entrar na pista para os treinos, fui ao centro médico e eles me ajudaram bastante colocando algumas bandagens no ombro e me dando um bom analgésico. Sempre tive dificuldades na minha carreira, mas não podemos nos deixar abater. Temos que ter muita fé e vontade para superar os obstáculos e fui para a abertura.

Entrei na pista muito travado no início, pois não queria me machucar mais. Mas aos poucos esquentei o corpo e confesso a vocês que me sentia melhor a cada volta. Na categoria Lites SX a lista de inscritos é sempre muito grande e dentre os 75 pilotos me classifiquei para a noite com o 23º tempo.

Fiquei bastante satisfeito depois que tudo isso aconteceu, principalmente por saber que tinha 1 ou 2 segundos na manga. Durante os treinos optei por não saltar uma sequencia de triplos que estava com muita canaleta e alguns pilotos acabaram caindo na mesma. o que me deu essa vantagem. Calculei bem e tinha comigo na primeira volta da Heat meu pulo, já que eles arrumam a pista para as classificatórias.

No intervalo entre os treinos estava muito feliz. Para mim foi uma vitória ter conseguido recuperar meu ombro em 16 dias, mas não totalmente, porque, claro, ainda sinto muita dor, mas isso é algo normal na vida de qualquer piloto rs…

HEAT 2

Concentrei bem porque sabia que a largada era importante. Cai o gate ! Larguei no bolo. Na primeira curva bate daqui, bate dali, e perdi muito tempo. Na Lites a molecada arrisca muito na largada, o que acaba fazendo da primeira curva uma tarefa muito mais muito difícil… Depois de me bater muito, pra variar, saí muito mal, acho que em 15º ou 16º.

Com a adrenalina de corrida no corpo, me soltei de vez comecei a andar muito forte e fiz várias ultrapassagens. Na primeira volta mandei a sequencia de triplos que falei sem maiores problemas e comecei a virar muito baixo. Na metade da bateria já estava na em 9º, o que garantia a minha classificação.

Continuei atacando e encostei no Ryan Clark, tive dificuldades e não conseguia fazer a ultrapassagem, porque não queria por tudo a perder com uma manobra mais dura. A pista só tinha um bom ponto de ultrapassagem e nele passei todo mundo, pois estava muito bem nelas. Só que o Ryan estava bem rápido nas costelas o que tornou as coisas mais difíceis pra mim…

Ainda em 9º, saltei para a última volta e olhei para trás e não vi ninguém próximo. Pensei comigo que tinha de administrar. Fui tranquilo atrás do Clark, mas aconteceu o que não contava. O piloto Blake Wharton, da Factory Connection, vinha numa corrida de recuperação e do nada apareceu fazendo a volta mais rápida da bateria. Quando vi que ele chegou, tentei segurar, mas errei numa sequencia de saltos o que fez ele encostar e me passar na última curva, o que foi pior…

Fui para os boxes bastante chateado porque não podia acreditar no que tinha acontecido… É difícil explicar para vocês o que se passa dentro do capacete quando se corre uma corrida de SX assim. É como nos desenhos animados, que tem uma voz na sua cabeça dizendo “vai, acelera, arrisca tudo” a outra, “não, tá bom, você já tá classificado, se lembra daquele tombo que tomou na última volta de tal corrida ?” rs…

Parece brincadeira, mas é assim que acontece. Acho que fui um pouco conservador, pois tinha velocidade de sobra pra ter atacado o Ryan Clark e ter me classificado.

LAST CHANCE

Tentei não deixar a raiva me consumir e fui pra last chance sabendo que tinha velocidade para me classificar. Era obrigado a largar bem porque dos 22 que largam só dois iriam para final.

Pulei bem do gate, mas a frente da moto subiu muito e acabei tendo que tirar um pouco a mão e com isso perdi segundos preciosos. Outra vez bate daqui, bate dali, passa por cima da moto de um e salve se quem puder, mas escapei da confusão. Eu era décimo e tinha quatro voltas para chegar em segundo.

Dei tudo que tinha e fui fazendo muitas ultrapassagens. Na 2ª volta era o quarto, mas estava longe dos três primeiros, que já tinham escapado. Continuei me esforçando ao máximo fazendo de tudo e fui me aproximando. Na última volta encostei nos ponteiros e na última curva, do mesmo jeito que perdi uma posição na heat, passei de quarto para terceiro, porém tive que assistir à final.

Não vou mentir, na hora eu estava muito, mas muito nervoso. Mal podia acreditar que tinha batido na trave mais uma vez ! Meu único consolo foi realmente o chequinho que a AMA oferece ao terceiro colocado da last chance.

Analisando a situação com calma, tenho muitos motivos pra me alegrar. Na sexta-feira antes da corrida, fui correr de teimoso, pois não sabia nem se teria condições de correr. Na last chance, com certeza consegui andar meu 100%. Prova disso foi que pude ver os tempos de volta. Fui o mais rápido da last chance quase um segundo mais rápido que o Jeff Alessi. Os tempos que virei na lcq me dariam uma posição entre os dez na final…

E foi isso. Nesta semana ainda não poderei treinar normalmente porque depois da corrida senti muitas dores. Pretendo treinar somente uma ou duas vezes para me poupar e, claro, tenho que treinar largada, pois só assim posso facilitar minha vida.

Agradeço à torcida de vocês e agradeço muito a Deus por ter me dado uma recuperação tão rápida, já que os médicos me pediram no mínimo 30 dias…

Que venha a próxima !!

Balbi

Acessem e comentem no Blog do Balbi – www.balbi.blogspot.com

Foto by Carlos Aguirre

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é Editor do Mundocross, site que foi lançado por causa de sua paixão por Motocross e Supercross. Em 1990 ele começou a escrever sobre motos no Jornal VS, em São Leopoldo, no RS, numa coluna onde escrevia sobre Trilhas, Enduro e Motocross. Depois também escreveu para o Jornal O Pódium, Revista Moto Action. Nestes 24 anos teve experiências em eventos internacionais, como Mundiais de Motocross, AMA Supercross, AMA Motocross, Motocross das Nações e US Open Supercross.

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