Por um esporte responsável

11 de Fevereiro de 2010 - 16:00

Estamos entrando em uma nova era em nosso esporte, e temos que ter o entendimento, que administrar as entidades que são responsáveis por regulamentar, promover e organizar a prática do motociclismo esportivo, não é, nunca foi, e nunca será uma tarefa fácil de se cumprir.

Também temos que ter o entendimento de que para alcançarmos os resultados que sejam satisfatórios a todos os envolvidos com o motociclismo, os pilotos devem estar diretamente envolvidos nesse trabalho, e também devem prestar a sua parcela de contribuição para que tudo seja feito da melhor forma possível.

Vivemos em uma época de grandes perspectivas para o nosso país, e conseqüentemente para o esporte, onde cada vez mais, ouvimos falar em responsabilidade sócio-ambiental, que nada mais é que respeitar e agir de forma responsável em relação a Natureza e a Sociedade em que vivemos.

Dessa forma, para termos um esporte realmente responsável, que consiga promover o desenvolvimento dos seus pilotos, ajudando a formar além de bons profissionais no esporte , cidadãos com princípios e valores éticos, é imprescindível que tenhamos um esporte que se preocupe com os seus atletas.

Desde as categorias de base até o nível profissional, temos que ter uma administração democrática, onde os atletas filiados participem das decisões relacionadas as suas modalidades, para que possam contribuir, reivindicar e identificar os problemas existentes, para que juntamente com a entidade organizadora e os patrocinadores, busquem as soluções necessárias para resolvê-los.

Acreditamos que dessa forma, com essa união de forças, conseguiremos fortalecer o nosso esporte junto a opinião pública, novos patrocinadores, imprensa, e órgãos públicos do nosso país.Com isso, teremos condições de obter um maior crescimento técnico e esportivo, criando novos nomes de referência nacional no esporte, garantindo o desenvolvimento dos atletas e aumentando a exposição do motociclismo em nosso país.

Alguns promotores consideram que estão fazendo a sua parte promovendo os eventos, dando esmolas aos pilotos e deixando de lado questões relacionadas ao futuro dos atletas, o que é um grande erro, pois além das inúmeras variáveis e dificuldades técnicas envolvidas na realização de provas de motociclismo, têm em suas mãos; vidas, que estão expostas a um alto grau de risco, e que precisam se dedicar de forma considerável para que o evento tenha o brilho necessário, para atrair a atenção dos patrocinadores e do público.

Faço um apelo a todos os promotores e gestores do motociclismo do nosso país, para que sejam vigilantes a todo o momento, pois o poder cega e deforma o caráter do homem. Temos que lembrar que quando estamos a frente de uma entidade ou uma empresa com várias pessoas envolvidas, somos acima de tudo servidores, e temos a obrigação de escutar a opinião de todos, pois o item mais importante nessas instituições sempre serão as pessoas.

Dessa forma, gostaria de citar uma frase que foi tirada do site da Federação Gaúcha de Motociclismo, dita pelo Sr Luiz Rizzoto, Conselheiro fiscal da FGM, e que organiza competições na cidade de Marau (RS), onde ele diz o seguinte: “Não há mais espaço para dirigentes autoritários, que não respeitam os pilotos, clubes e patrocinadores”.

Essa afirmação é a mais pura verdade e reflete 100% da realidade do motociclismo, pois esses são os elos que devem ser protegidos e respeitados sempre, Pilotos, Clubes e Patrocinadores, pois com um deles enfraquecido, todo o resto fica comprometido.

Com a união dos pilotos, organizadores e patrocinadores, poderemos identificar o que realmente é importante para transformar o motociclismo nacional em um esporte justo e responsável, para quem o pratica, para quem o promove e para quem o patrocina. Somente assim estaremos verdadeiramente trabalhando e contribuindo para um mundo melhor e uma vida melhor para todos os envolvidos com o nosso esporte.

Marlon Olsen
Ex-presidente da ABPMX
Foto Arquivo

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é Editor do Mundocross, site que foi lançado por causa de sua paixão por Motocross e Supercross. Em 1990 ele começou a escrever sobre motos no Jornal VS, em São Leopoldo, no RS, numa coluna onde escrevia sobre Trilhas, Enduro e Motocross. Depois também escreveu para o Jornal O Pódium, Revista Moto Action. Nestes 24 anos teve experiências em eventos internacionais, como Mundiais de Motocross, AMA Supercross, AMA Motocross, Motocross das Nações e US Open Supercross.

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