Uma experiência inigualável no Motocross americano

12 de Fevereiro de 2010 - 19:00

Com a intenção de fazer uma excelente pré-temporada para as competições no Brasil em 2010, a família do jovem piloto Enzo Lopes tomou o rumo dos Estados Unidos, mais precisamente a Flórida, onde disputaram o Flórida Winter AM Motocross Series 2010. Este campeonato é um dos melhores campeonatos amadores do mundo e teve seis etapas. Eles embarcaram no dia 28 de dezembro e retornaram ao Brasil nesta última quarta-feira, 10 de fevereiro, e já estão focados na abertura dos campeonatos de Motocross aqui no Brasil. Na temporada 2010, a categoria do Enzo será a 65.

Quem esteve acompanhando o piloto gaúcho foram seus pais, Léo e Delaine, sua irmã Alexia e seu treinador Fernando Flores. O jovem piloto de apenas 10 anos é tri-campeão Brasileiro de Motocross na categoria 50, campeão do Arenacross 2009 na categoria 50 e vice-campeão Brasileiro de Motocross 2009 na categoria 65. Enzo tem o apoio das empresas Freeday, Léo Motos e da Answer Racing, através da MX Direct, que é a distribuidora oficial da marca no Brasil. O texto que segue abaixo foi enviado para o Mundocross pelo pessoal que acompanhou o Enzo lá nos Estados Unidos.

ENZO LOPES NO WINTER AM MOTOCROSS SERIES 2010

Viajamos para a Flórida, nos Estados Unidos, para fazer uma pré-temporada com o piloto Enzo Lopes, e escolhemos o campeonato Winter AM Motocross Series 2010, que é disputado em seis etapas nos meses de janeiro e fevereiro. Escolhemos esta competição pela sua quantidade de etapas e pelo nível técnico dos pilotos, lembrando que este é um dos melhores campeonatos de MX amador do mundo.

Lá estiveram pilotos de várias partes do mundo, que estavam atrás do melhor Motocross do mundo. Tinha pilotos da Guatemala, Canadá, Costa Rica, Colômbia, Irlanda e outros paises. Inclusive, como curiosidade, na Costa Rica, terra do ex-campeão Ernesto Fonseca, o Motocross é um dos esportes mais populares daquele país. Muitos pilotos são atraídos para lá, ao contrário do público local, que quase não vai nas provas, mas somando público, pilotos, familiares, membros de equipes e organização, dá mais de 4.000 pessoas por etapa.

Nos sábados tinha um treino de quatro voltas por categoria, e à tarde já tinha uma largada valendo pontos. E no domingo tinha um warm up de uma volta e já largavam as baterias valendo. São no caso, duas provas por categoria, sendo uma no sábado e uma no domingo. São somente quatro voltas cada corrida, mas em compensação, a volta é de mais ou menos 2 minutos e 20 segundos, o que dá em torno de 10 minutos cada bateria. Só na categoria Pro que a corrida é de 20 minutos. Lá é tudo muito organizado. Enquanto uma corrida esta acontecendo a próxima já esta alinhada no gate. São 33 baterias no sábado e 33 no domingo. Não tinha horário definido, apenas uma sequencia a ser seguida.

Chegavam a alinhar no parque fechado até três categorias, uma saia e a outra já alinhava, e ao receber a bandeira quadriculada, mesmo com motos de retardatários na pista, o gate caia para a próxima bateria. Isso quando não largavam uma bateria após a outra estar perto de completar uma volta !!! Isso só era possível pelo tamanho da pista. Para retirar o papel com a sequencia das corridas, tinha que pagar 1 dólar, pois assim ninguém jogava fora !!! Sem falar que apesar de mais de 30 baterias ocorrerem num dia, começava às 9 da manhã e às 3 da tarde já estava tudo acabado. E lá as pessoas correm e vão embora e às 16 horas não havia mais praticamente ninguém na pista.

As sinalizações na pista são diferentes. Para largar é mostrada uma placa de 2 minutos para acionar o motor, e depois uma placa de 1 minuto, e quando esta placa virava, baixava o gate. Na metade da bateria era mostrada uma bandeira cruzada branca e verde, que indicava metade da prova. Na primeira volta era mostrada a bandeira verde, que era pista livre pra saltar. Quando faltava uma volta, era a vez da bandeira branca.

Lá eles não usaram transponder nas motos. Os resultados das baterias eram fixados em um painel e ai as pessoas iam lá e tiravam fotos com o celular e depois imprimiam em casa. Cada bandeirinha levava uma caixa térmica para dentro da pista com comida e bebida para o dia. As categorias largavam até com três pilotos apenas, mas a maioria delas tinha em torno de 25 pilotos, tendo um total de mais ou menos 1000 inscrições na etapa de abertura, mas o número de pilotos variava por etapa. Eram em média 1000 inscrições, só que alguns pilotos corriam em até três categorias, dando em torno de 400 a 500 pilotos por etapa.

Na largada só podia arrumar o chão até o lugar onde o gate baixava, não podendo arrumar para frente. Alguns gates eram de concreto, mas a maioria largava na terra. Para treinar na sexta-feira em Gatorbak, tinha que se pagar US$30,00 por categoria, e a inscrição de cada categoria custou US$30,00. E para ter energia no motorhome pagou-se mais US$75,00 e para tirar os detritos do motorhome US$35,00 por evento. Lá eles incentivam os pilotos a subirem de categoria cedo, 50cc 4-9 anos, 65cc 7-11 anos, 85cc 9-13 anos e Youth 12-16 anos (motos 125cc, 2 tempos, uma categoria de acesso).

Não existe na verdade uma idade mínima pras as categorias. Em Loretta Lynn’s, por exemplo, meninos de 7 anos correm na 85cc. A proporção de motos 2 e 4 tempos é quase igual, meio a meio. Na categoria 85cc, por opção, e não por regulamento, a maioria dos pilotos correm de 2 tempos. Tiveram baterias onde três pilotos correram com o mesmo número, ai cada um deles faz um sinal sobre o número pra diferenciar (ex. Faixa ou um X). As pistas eram muito técnicas e tinham muitas cavas. Os saltos eram tranquilos, nada de muito diferente, as costelas eram longas, e o que definia a velocidade do piloto era o seu traçado nas cavas.

Depois de tudo que vimos lá, percebemos o quanto é grande o trabalho que o Jorge Balbi Jr. vem fazendo, porque andar com os caras lá é osso. Lá está o melhor Motocross do mundo, inclusive o campeonato americano de Motocross é considerado muito mais forte do que o Mundial. Para termos pilotos para andar com eles, temos que copiá-los, começando com as pistas e pela dedicação total ao esporte.

Lá nos Estados Unidos tem muitas outras diferenças fora do esporte também. Como, por exemplo, o fato da gasolina ser mais barata do que o diesel, existem muito mais trailers do que motorhomes no motociclismo e os trailers são enormes. A maioria destes trailers e também os motorhomes tem slide, aumentando muito o tamanho do carro. Os pesos e medidas são britânicos, portanto, diferentes dos nossos.

O Enzo teve bastante dificuldade de adaptação ao clima (-6 graus) e principalmente as pistas. Sem falar que estávamos correndo com motos originais, e não conhecíamos os circuitos das provas. Mas mesmo assim conseguimos andar entre os 5 primeiros nas categorias que disputamos, que foram a 65 (9-11 anos motos stock), 65 Open (motos modificadas) e 85 (9-11 anos motos stock). Mas o principal que trouxemos de lá é o aprendizado. Temos idéia de voltar mais algumas vezes pra lá este ano, e em 2011 nosso projeto é morar nos Estados Unidos, pois pelo que vimos lá, não tem como andar com os pilotos americanos morando no Brasil.

Redação Mundocross
Texto by Alexia Lopes
Foto by Delaine Lopes

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é Editor do Mundocross, site que foi lançado por causa de sua paixão por Motocross e Supercross. Em 1990 ele começou a escrever sobre motos no Jornal VS, em São Leopoldo, no RS, numa coluna onde escrevia sobre Trilhas, Enduro e Motocross. Depois também escreveu para o Jornal O Pódium, Revista Moto Action. Nestes 24 anos teve experiências em eventos internacionais, como Mundiais de Motocross, AMA Supercross, AMA Motocross, Motocross das Nações e US Open Supercross.

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