Novidades marcaram abertura do Brasileiro de Enduro FIM

09 de março de 2010 - 8:00

Quem esteve em Farroupilha neste final de semana, pôde conferir bons pilotos, uma ótima estrutura e a presença de um piloto Top 10 do Mundial de Enduro. É que neste sábado e domingo, 6 e 7 de março rolou na cidade de Farroupilha, no Rio Grande do Sul, o Enduro da Curva Reta, prova válida como primeira e segunda etapas do Campeonato Brasileiro de Enduro FIM e segunda etapa do campeonato Gaúcho de Enduro FIM 2010 e marcou a volto de Felipe Zanol ao Brasileiro de Enduro.

Localizada na região da serra gaúcha e conhecida como berço da imigração italiana no Rio Grande do Sul, Farroupilha é considerada pela grande maioria dos pilotos como a cidade que possui as trilhas mais técnicas e difíceis do país, com muita lama, mato fechado e pedras lisas e escorregadias. Nos dois dias de prova o clima colaborou, com sol e temperaturas amenas.

DISPUTAS COMEÇARAM NO SÁBADO

No sábado a prova foi válida como etapa de abertura do campeonato Brasileiro e segunda etapa do campeonato Gaúcho. Já no domingo foi disputada a segunda etapa do campeonato nacional da modalidade. Entre os destaques e uma das novidades, estava o mineiro Felipe Zanol (foto), de Belo Horizonte, pentacampeão Brasileiro de Enduro e bicampeão Português de Enduro, que passou as duas últimas temporadas na Europa representando o Brasil no campeonato Mundial de Enduro, e que agora volta a disputar o Brasileiro de Enduro FIM.

Em 2009, Zanol conquistou um resultado histórico para o país, finalizando o mundial na sétima colocação geral de sua categoria, a Enduro 1. Uma outra novidade para a temporada deste ano é que Zanol assinou contrato com a equipe oficial de fábrica GasGas para competir simultaneamente nos campeonatos Brasileiro e Mundial de Enduro. Outros destaques eram o mineiro Nielsen Bueno, da cidade de Bueno Brandão, piloto da equipe Suzuki / Petrobras, atual bicampeão brasileiro na principal categoria do campeonato, a Enduro 1.

E também o gaúcho Gregório Caselani, de Caxias do Sul, atual tricampeão brasileiro na segunda categoria mais importante do campeonato, a Enduro 2. Para esta temporada a novidade é que Gregório foi contratado para ser companheiro de equipe de Felipe Zanol na equipe GasGas. No sábado pela manhã, após o briefing obrigatório para todos os pilotos às 9:15, às 9:30 horas os pilotos retiraram suas motos do parque fechado e partiram para a primeira volta, que era a de reconhecimento.

EVENTO FOI NO PARQUE CINQUENTENÁRIO

Via de regra, o circuito não fugiu a fama citada pelos pilotos. Três Enduro Testes, um Cross Teste e um Extreme Teste, todos com alto grau de dificuldade, exigindo muita perícia dos pilotos. Toda a estrutura do evento, com Cross Teste, sistema de som e área de Box foi montada no motódromo da cidade, localizado no bairro Cinquentenário, ao lado do Kartódromo Municipal. No primeiro dia os pilotos encararam três voltas no circuito, sendo a primeira de reconhecimento e a segunda e a terceira valendo.

Já no domingo foram duas voltas valendo. Os controles de horário (CH) também estavam muito apertados, exigindo pontualidade máxima dos pilotos, para não perder pontos preciosos. No Cross Teste, os pilotos andavam em uma parte da pista de motocross e logo em seguida entravam em um trecho mais travado, onde o público podia conferir de perto o desempenho dos pilotos, passando por pneus, troncos de árvore, e até uma gangorra, para delírio do público, especialmente as crianças.

O primeiro desafio encontrado pelos pilotos ao se deslocarem para as trilhas era o Extreme Teste. Uma descida muito íngreme e travada no meio do mato, com muita lama, poças d’água e pedras lisas e escorregadias, exigindo desempenho máximo dos competidores. Depois disso os pilotos seguiam para o primeiro Enduro Teste, o chamado “tobogã”, onde as pedras lisas também exigiam muita perícia dos pilotos para não escorregar. O terceiro e último enduro teste era uma trilha mais aberta, onde os pilotos conseguiam acelerar um pouco mais, mas nem por isso era menos difícil do que as outras.

Após a desgastante prova de sábado, pilotos e equipes se recolheram para descansar e recarregar as baterias, afinal, a prova de domingo seria a mesma em todos os sentidos, com alto grau de dificuldade, exigindo muito de pilotos e motos. Como a prova de domingo tinha somente duas voltas (e era válida só para o campeonato brasileiro), a largada aconteceu um pouco mais tarde em relação ao sábado, sendo por volta das 10 horas da manhã (e terminou um pouco mais cedo também). Após outro exaustivo dia de competição, pilotos e equipes aguardavam o resultado final da prova, tanto para o campeonato gaúcho como para o brasileiro.

SEGUNDA ETAPA DO GAÚCHO DE ENDURO FIM

Pela segunda etapa do campeonato gaúcho de enduro, na principal categoria, a Enduro 1, o caxiense Gustavo Pellin foi dominante, vencendo com pouco mais de um minuto de vantagem sobre o piloto Michel Cechet de Erechim. Os caxienses Rafael Ferrigno e Fabrício Zanol foram respectivamente terceiro e quarto colocados. Na categoria Enduro 2, o caxiense Gregório Caselani, atual tricampeão brasileiro da categoria, mesmo com problemas de pane elétrica em sua moto, venceu com quase um minuto de vantagem sobre o piloto Cassiano Tebaldi, da cidade de Casca.

Os pilotos Ramiel Sfredo de Bento Gonçalves, Diego Colett de Casca e William Luza de Passo Fundo, nesta ordem, completaram os cinco primeiros colocados da categoria. A disputa mais emocionante ficou por conta da categoria Enduro 3, onde os farroupilhenses Marcio Debastiani (atual campeão gaúcho) e Tiago Farias travaram uma dura batalha pela vitória. No final, Marcio venceu Tiago por exatamente um segundo de vantagem! Marciano Linke de Venâncio Aires foi o terceiro colocado, com o catarinense Marcos De Souza da cidade de Piratuba (único piloto não gaúcho na disputa) em quarto, e Bernardo Pasinatto da cidade de Casca em quinto.

Outra disputa acirrada foi na categoria Enduro 4, com o caxiense Alcindo Bortoncello vencendo por 25 milésimos de segundos sobre o piloto Sandro De Oliveira, de Passo Fundo. Luciano Provin, de Erechim foi o terceiro, Ricardo Dos Santos, de Marau o quarto e Cléssio da Silva, de Erechim o quinto colocado. Na categoria Enduro 5, supremacia do piloto Sérgio Colett, de Casca, que venceu com seis minutos de vantagem sobre José Paulo Bregolin, de Guaporé. Celso dos Santos e Valdecir Calgaro, ambos de Vacaria, foram respectivamente terceiro e quarto colocados. Clério Sfredo, de Bento Gonçalves fechou os cinco primeiros.

Na categoria Enduro 6, Rafael Borges, de Caxias do Sul venceu com dois minutos de vantagem sobre Luciano Tonin, de Erechim. Ricardo Crossi, de Passo Fundo, Giovani Armani, de Garibaldi e Juliano Vanzela, de David Canabarro, respectivamente nesta ordem completaram os cinco primeiros. E na categoria Enduro 7, a vitória ficou com o piloto Marcelo Augusto Weiss, de Santa Cruz do Sul que venceu com três minutos de vantagem sobre o piloto Franciel Caldart, da cidade de Barão de Cotegipe.

O farroupilhense Fernando Onzi, o “alemão”, finalizou em terceiro lugar, apenas um segundo atrás de Franciel. Jonas Vinicius Tonus, de Caxias do Sul e Sedirlei dos Santos, de David Canabarro foram respectivamente o quarto e o quinto colocado. Na classificação geral da etapa, outra vitória para Gustavo Pellin, com Michel Cechet em segundo, e Gregório Caselani em terceiro. Cassiano Tebaldi foi o quarto e Ramiel Sfredo o quinto. O melhor farroupilhense foi Marcio Debastiani, com a sétima posição.

PRIMEIRA E SEGUNDA ETAPAS DO BRASILEIRO DE ENDURO FIM

Pelo campeonato brasileiro, na categoria Enduro 1, vitória do mineiro Felipe Zanol, de Belo Horizonte, nos dois dias de competição. O gaúcho Gustavo Pellin foi o vice-campeão na geral da categoria, ao finalizar em segundo lugar nos dois dias de prova. O catarinense Humberto Cadori Filho, de Itapema foi o terceiro, com o paulista Marcio “Joanita” Nascimento, de Jundiaí em quarto, e o gaúcho Michel Cechet em quinto. O atual campeão brasileiro, Nielsen Bueno, natural de Bueno Brandão, Minas Gerais, enfrentou problemas com a partida elétrica de sua moto nos dois dias de prova, finalizando em sexto no sábado e em sétimo no domingo, ficando também com a sétima posição na geral da categoria.

Na categoria Enduro 2, Diego Colett, venceu a disputa com Gregório Caselani, que mesmo com problemas de pane elétrica em sua moto conseguiu finalizar em segundo no sábado. Vale lembrar que Gregório e sua equipe tentaram de tudo no pré-finish de sábado para fazer a moto funcionar, mas não conseguiram. O piloto teve que colocar a moto no parque fechado às pressas, para não estourar o limite de tempo máximo permitido. No domingo, a moto continuou se recusando a funcionar, e o tricampeão brasileiro não pode alinhar para a disputa.

Mesmo assim, Gregório finalizou em segundo na geral da categoria, já que o catarinense Nilson Tecilla, de Jaraguá do Sul, terceiro no sábado e terceiro na geral da categoria, com problemas de um joelho machucado no sábado, também não largou no domingo. Na categoria Enduro 3, o paulista Francisco José Marino, o “Kiko”, de Jundiaí, da equipe Suzuki / Petrobras venceu as duas etapas e também a geral da categoria. Atrás dele, domínio dos gaúchos, com Sandro De Oliveira em segundo, Alcindo Bortoncello em terceiro, Flávio Demoliner em quarto e Ricardo Dos Santos em quinto.

Na categoria Enduro 3B, o gaúcho Sérgio Colett venceu os dias, faturando também a geral da categoria, com os catarinenses Sérgio Coelho, de Balneário Camboriú em segundo e Francisco De Lima, da cidade de Gaspar em terceiro. Na categoria Enduro 4, o farroupilhense Marcio Debastiani ficou com a vitória na geral ao vencer no sábado e finalizar em segundo no domingo. Os catarinenses Marcos De Souza, de Piratuba, Fabio Do Nascimento, de Garopaba, e Marcelo Luckmann, de Balneário Camboriú, foram respectivamente segundo, terceiro e quarto colocados. A quinta colocação ficou com o farroupilhense Tiago Farias.

Na categoria Enduro 5, domínio dos pilotos gaúchos, com William Luza faturando a geral da etapa ao finalizar em segundo no sábado e primeiro no domingo. Cassiano Tebaldi, foi o segundo, Luciano Provin o terceiro, e Rafael Borges o quarto. O catarinense Alesson Chapiewsky, de Balneário Camboriú finalizou na quinta posição. Na classificação geral da etapa, nova vitória de Felipe Zanol. O caxiense Gustavo Pellin foi o melhor gaúcho na prova, ficando com a segunda posição na geral. O catarinense Humberto Cadori Filho ficou em terceiro, com o paulista Marcio “Joanita” Nascimento, de em quarto, e o gaúcho Michel Cechet, em quinto. Novamente o melhor piloto de Farroupilha na geral foi Marcio Debastiani, com a décima posição.

Como esta foi a primeira e a segunda etapa do campeonato Brasileiro de Enduro FIM 2010, as mesmas posições da soma dos resultados das etapas se repetem na classificação geral das categorias. A prova foi bastante elogiada pelos pilotos, tanto na parte de apuração dos resultados e estrutura do evento, como também na parte técnica, com trilhas de alto grau de dificuldade, sendo este último quesito, o mais elogiado de todos pelos pilotos. Eles também comentaram suas expectativas e objetivos para a temporada deste ano. Confira abaixo os depoimentos :

COMENTÁRIOS DOS PILOTOS SOBRE A ETAPA E O CAMPEONATO

Felipe Zanol – Pentacampeão Brasileiro de Enduro – Equipe GasGas

“Achei a prova muito legal, O Rio Grande do Sul aqui em Farroupilha, e em Caxias também, tem como principal característica as trilhas bastante lisas, que escorregam muito, e na prova de hoje não fugiu a regra, os enduro testes estavam muito técnicos, bastante lisos e escorregadios. Mas foram especiais boas de andar, o Cross Teste também estava muito legal e bem montado. No geral foi uma prova muito boa e bem divertida. Estive as duas últimas temporada na Europa correndo o mundial de Enduro. Morei em Portugal e conquistei duas vezes o campeonato nacional de Enduro lá. Este ano voltei para o Brasil a convite da GasGas, que fez uma parceria com a fábrica na Europa para me dar todo apoio e estrutura nas etapas do Mundial de Enduro deste ano. Também irei representar a equipe no Brasileiro de Enduro ao lado do Gregório Caselani. Após o sétimo lugar no ano passado, meu objetivo no mundial deste ano é pelo menos manter o bom desempenho e fazer boas etapas. No brasileiro de enduro quero brigar por vitórias nas corridas, já que o meu principal objetivo é conquistar o hexacampeonato. Mas são seis etapas, o campeonato é longo, então acho que regularidade vai ser muito importante. Estou há pouco tempo em cima da moto, tentando me adaptar ainda, mas tem tudo pra ser um bom campeonato pra mim. Acho que nosso campeonato nacional tem muito pra evoluir ainda, principalmente na parte técnica das provas. O mundial é um campeonato bem mais puxado que o brasileiro. Se a gente fizer no Brasil uma prova igual a uma do Mundial de Enduro, acho que pouca gente vai conseguir terminar, então temos que evoluir em um nível técnico gradativamente, bem devagar, fazendo especiais mais técnicas, mais difíceis, e acho que tem tudo pra dar certo, temos muitos pilotos nas corridas, temos tudo pra evoluir, e quem sabe futuramente ter mais pilotos brasileiros disputando o Mundial de Enduro e correndo o Six Days. Acho que tudo isso é muito importante pra modalidade”, comentou Zanol.

Nielsen Bueno – Bicampeão Brasileiro de Enduro – Equipe Suzuki / Petrobras

“Na minha opinião Farroupilha sempre teve as trilhas mais difíceis do país e as etapas mais complicadas. Em se tratando de campeonato brasileiro sempre tivemos um parâmetro muito bom aqui, tanto na parte de nível técnico das provas como na de grau de dificuldade das trilhas. Teve duas especiais que eu achei muito perigosas. Eu era a favor de cancelar por uma questão de segurança dos pilotos, não por causa de nível técnico ou grau de dificuldade. Mas a organização achou melhor não cancelar. Acredito que isso é um ponto negativo em que a prova saiu perdendo, mas acho que vale a opinião de todos. Fora isso achei a prova bacana, bem organizada, com um Cross Teste bem montado em frente ao público, em um local muito bacana. As especiais também estavam muito difíceis, bastante técnicas e travadas, bem no estilo enduro. Não tive uma boa prova, infelizmente tive problemas com a partida elétrica da minha moto durante todo o fim de semana, e meu resultado acabou ficando abaixo das minhas expectativas. Agora preciso recuperar o prejuízo nas etapas restantes. Achei positivo para o campeonato a volta do Felipe Zanol, ele sempre é bem-vindo aqui. Corrida se ganha dentro da pista e acredito que a disputa será sempre muito equilibrada. Vamos torcer para que eu tenha uma boa temporada. Este ano eu pretendo disputar também o campeonato brasileiro de motocross na categoria MX3, mas não está nada acertado, ainda estou negociando minha participação com a equipe”, falou Nielsen.

Gregório Caselani – Tricampeão Brasileiro de Enduro – Equipe GasGas

“Este ano assinei com a equipe Gas Gas para disputar os campeonatos Brasileiro e Gaúcho de Enduro, além do campeonato Gaúcho de Cross Country. Esta é a primeira vez que faço parte de uma equipe oficial de fábrica. Estou muito feliz e motivado com os novos desafios, além de ser uma honra ter o Felipe Zanol como companheiro de equipe. Infelizmente não tive um bom final de semana. No sábado minha moto teve problemas de pane elétrica no final da última volta, e isso acabou me custando a vitória no brasileiro, mas venci no gaúcho. Não consegui resolver o problema e tive que colocar ela no Parque Fechado para não estourar o limite de tempo do pré-finish e complicar ainda mais minha situação. Infelizmente também não consegui solucionar o problema no domingo e acabei ficando de fora da segunda etapa do brasileiro. Agora tenho que correr atrás do prejuízo nas etapas que restam. No geral achei a prova muito boa em todos os sentidos, com trilhas de bastante qualidade técnica e alto grau de dificuldade”, disse Gregório.

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é Editor do Mundocross, site que foi lançado por causa de sua paixão por Motocross e Supercross. Em 1990 ele começou a escrever sobre motos no Jornal VS, em São Leopoldo, no RS, numa coluna onde escrevia sobre Trilhas, Enduro e Motocross. Depois também escreveu para o Jornal O Pódium, Revista Moto Action. Nestes 24 anos teve experiências em eventos internacionais, como Mundiais de Motocross, AMA Supercross, AMA Motocross, Motocross das Nações e US Open Supercross.

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