Histórico do Brasil no Motocross das Nações

Foto por Arquivo | 05 de outubro de 2010 - 20:34

Na edição deste ano, o Brasil completou sua nona participação no Motocross das Nações. Em 2010 a competição foi realizada nos dias 25 e 26 de setembro no circuito Thunder Valley Motocross Park, em Lakewood, nos Estados Unidos, e a seleção verde e amarela conquistou o 18º lugar no geral numa disputa entre 30 países.

Na breve história do País na competição que é considerada a ‘Copa do Mundo do Motocross’, a equipe vem melhorando seu desempenho entre as maiores potências do esporte a cada edição.

Da primeira participação do time brasileiro formado por Cristiano Lopes, Gilberto ‘Nuno’ Narezzi e Rogério Nogueira, em 1997, até a convocação de Jorge Balbi Júnior, Cristopher ‘Pipo’ Castro e Anderson Cidade em 2010, muita coisa mudou.

Team Brasil representou o País no MXDN nos Estados Unidos

Team Brasil representou o País no MXDN nos Estados Unidos

O esporte se desenvolveu no país, as pistas melhoraram em qualidade técnica, e os brasileiros passaram a participar de mais provas internacionais. Neste mesmo período, o mercado econômico nacional se abriu e facilitou o acesso dos pilotos e equipes aos equipamentos importados.

No entanto, a principal evolução no esporte em pouco mais de uma década aconteceu em 2010, com a alteração no critério de seleção do time brasileiro. A convocação dos três pilotos, e do reserva, deixou de ser restritiva e passou a ser definida pela classificação no campeonato nacional.

Estreia do Brasil no Motocross das Nações

Cristiano Lopes representou o país nas três primeiras edições que o Brasil esteve no Motocross das Nações em 1997, 1998 e 1999. A estreia da seleção verde-e-amarelo aconteceu em Nismes, na Bélgica.

Lopes conta que a experiência ficou marcada em sua memória porque, por ser o batismo brasileiro na competição, a seleção foi muito bem recebida pelos torcedores dos outros países e logo conquistou o carisma de todos.

“Tudo era novidade. Apesar de já termos disputado etapas do Mundial, correr no Nações era algo diferente, porque dependíamos do sucesso de todo o time. Tivemos o apoio da Honda Europa e recebemos dicas da equipe que já conhecia o traçado. E, apesar de não termos conseguido nos classificar, colocamos o Brasil entre as cinco melhores equipes na repescagem. Para nós, tudo era festa, e uma grande emoção o momento em que o time foi apresentado e surgiu a bandeira do Brasil”, conta.

No ano seguinte, o Nações foi disputado na Inglaterra.  O time brasileiro era formado novamente por Cristiano Lopes e Rogério Nogueira. O novato Paulo Stedile completou o time e sentiu a pressão.

“Correr na Inglaterra foi um choque para mim. Eu estava muito nervoso por participar pela primeira vez do Nações em uma pista muito famosa”, lembra Stedile. A edição foi disputada no tradicional circuito de Foxhills, e Cristiano Lopes conta que a chuva atrapalhou a festa do esporte.

“Na Europa, se falava muito em Foxhills, uma pista muito tradicional. Mas, choveu muito nos treinos de sábado, e partes do traçado foram cortadas da prova. A chuva, com certeza, atrapalhou a festa”, comenta.

Brasil no circuito mundial

O ano de 1999 ficou marcado na memória dos torcedores brasileiros que puderam assistir “em casa” o Motocross das Nações. A seleção brasileira foi formada por Cristiano Lopes, Paulo Stedile e Rafael Ramos.

O local escolhido para receber a competição foi a recém inaugurada pista de Indaiatuba, a 90 km da capital de São Paulo, localizada dentro do Centro de Treinamentos da Honda.

Lopes se recorda que a Honda Europa forneceu a consultoria na preparação das motos dos pilotos brasileiros, e por sediar a competição, a seleção verde-e-amarelo tinha garantida a classificação para a final.

“Nesta prova eu consegui conquistar uma marca interessante entre os pilotos brasileiros que foi a de andar mais de dez voltas entre os seis primeiros colocados”, destaca.

“Lembro que, por ser no Brasil e já estarmos classificados, a equipe toda andou bem”, ressalta Stedile.

Mudanças no Motocross brasileiro

Em 2000, o Motocross das Nações foi disputado na França, em Saint Jean D’Angely. O time brasileiro formado por Massoud Nassar, Roosevelt Assunção e Milton ‘Chumbinho’ Becker, foi eliminado na repescagem.

Mas, a edição francesa ficou marcada na história do motocross nacional porque, pela primeira vez, um piloto brasileiro correu o Nações com uma motocicleta de marca diferente a Honda.

Massoud Nassar, patrocinado pela Yamaha, substituiu Cristiano Lopes, que se machucou duas semanas antes da prova. “Este foi o maior feito  naquela edição do Nações. Até então, a seleção brasileira só tinha andado de Honda”, destaca Manuel Carlos Hermano, o Cacau, que acompanhou Nassar na prova francesa.

Chumbinho Becker lembra que a estrutura que a seleção brasileira utilizou na França era muito precária. “Foi muito difícil. Não tinha o que comer, o que beber e caímos na repescagem”, diz. “Porém, a partir dessa experiência, percebemos que as pistas no Brasil eram muito lentas. Então, marcamos uma conversa com os dirigentes da CBM para pedir que as nossas pistas passassem a ser mais rápidas e com traçados diferentes”, conta.

O ano seguinte, 2001, encerrou um ciclo dentro do motocross nacional. O Nações foi disputado novamente na Bélgica, em Namur, e os três pilotos da seleção brasileira andaram com motos Yamaha.

Cacau, então, assumiu o cargo de chefe da equipe e escalou Paulo Stedile, Douglas Parise e Massoud Nassar. “Fiz tudo sozinho. recebi somente quatro passagens da CBM e selecionei os melhores pilotos classificados no campeonato”, conta.

Sem contar com um reserva, a equipe brasileira acabou sofrendo uma baixa ainda nas baterias do sábado. Douglas Parise quebrou o ombro direito na prova classificatória e desfalcou o time brasileiro na bateria de repescagem. O Brasil só voltaria a competir o Motocross das Nações seis anos depois.

Avanço nos resultados

Em 2007 a Honda voltou a enviar sua equipe para o Nações. Os escolhidos foram Jorge Balbi Júnior, Wellington Garcia e Leandro Silva. O trio conseguiu uma façanha inédita para o esporte brasileiro, até então, e classificou o time para as baterias decisivas ao vencer a Final B. O Brasil terminou a competição realizada em Budds Creek, no Estados Unidos, em 16º lugar geral.

Wellington Garcia comenta: “A experiência foi muito boa, mas também muito difícil. Por mais que você esteja preparado, a primeira vez sempre é muito complicada e você acaba travando. O que posso dizer é que recebemos toda a estrutura da Honda e o time era muito bom”, conta.

Balbi Júnior, com o nariz quebrado, tem uma história de superação para contar de sua primeira convocação: “Não queria perder a oportunidade, mas cheguei a estar fora do time por estar com o nariz quebrado. Fui para a competição no esforço máximo. Lembro que era muito quente, fez uns 40ºC, e baixa umidade. Cheguei a desmaiar durante a classificatória da Open e fiquei desidratado. Mesmo assim, foi um sonho realizado”, lembra.

No ano seguinte, Balbi Júnior, Wellington Garcia e Leandro Silva vestiram novamente o uniforme verde-e-amarelo. Desta vez, o Motocross das Nações foi disputado em Donington Park, na Inglaterra.

“Eu havia acabado de voltar de uma cirurgia no pé, isso dificultou muito meu desempenho e atrapalhou a equipe. Com certeza foi o meu pior ano no Nações”, reconhece Wellington Garcia.

O Brasil precisou buscar sua classificação na Final B, no domingo de manhã, e conquistou o 14º lugar na classificação final. “Naquele ano, tive um excelente desempenho pessoal e, pela primeira vez, terminamos entre as principais equipes do Nações”, acrescenta.

Em 2009, em Franciacorta, na Itália, o Brasil deu mais um passo em sua evolução ao garantir a classificação para as baterias finais nas provas classificatórias de sábado. Na classificação final, o time formado por Jorge Balbi Júnior, Wellington Garcia e Swian Zanoni repetiu a 14ª colocação alcançada no ano anterior.

“Foi muito bom. Conseguimos um excelente resultado e classifiquei o Brasil terminando a bateria na frente de Max Nagl”, disse Balbi Júnior, que assegurou a nona posição na bateria da classe Open.

“Acredito que 2009 foi o ano mais difícil que enfrentamos. Havia 39 seleções disputando o Motocross das Nações, e o resultado do Balbi fez com que nos classificássemos direto”, avalia Wellington Garcia.

Escolha pela classificação

Em 2010, a convocação dos três pilotos – e do reserva – tomou por critério a classificação no campeonato nacional. Jorge Balbi Júnior e Cristopher ‘Pipo’ Castro foram selecionados para disputar as categorias Open e MX2, respectivamente. Marcello ‘Ratinho’ Lima estava cotado para correr na MX1, mas se machucou uma semana antes. Anderson Cidade assumiu a vaga às vésperas da competição.

Mesmo com a seleção verde-e-amarelo desfalcada para a 64ª edição do Motocross das Nações em Lakewood, nos Estados Unidos, o time voltou a fazer história em participações brasileiras na competição e garantiu sua vaga na final com o 18º lugar nas baterias classificatórias.

“Foi um resultado extremamente positivo, afinal, perdemos o Thales e o Ratinho que se machucaram uma semana antes da competição. Mesmo com estas dificuldades, o time rendeu muito bem e estou muito feliz, principalmente com meu desempenho”, avaliou Balbi Júnior, que foi o oitavo colocado individual na categoria Open, em seu melhor resultado no Motocross das Nações.

Mesmo não repetindo o resultado dos dois últimos anos, o Brasil se manteve entre as principais potências do motocross mundial e terminou a competição na 18ª posição geral.

Histórico do Brasil no Motocross das Nações

1997 – Bélgica
Local: Nismes
Posição final: eliminado na repescagem
Equipe: Cristiano Lopes (250); Gilberto “Nuno” Narezzi (125); Rogério Nogueira (Open)

1998 – Inglaterra
Local: Foxhills
Posição final: eliminado na repescagem
Equipe: Cristiano Lopes (250); Paulo Stedile (125); Rogério Nogueira (Open)

1999 – Brasil
Local: Indaiatuba
Posição final: 15º (por ser sede da competição, o Brasil teve sua vaga garantida para a final)
Equipe: Rafael Ramos (250); Paulo Stedile (125) e Cristiano Lopes (Open)

2000 – França
Local: Saint Jean D’Angely
Posição final: eliminado na repescagem
Equipe: Massoud Nassar (250); Roosevelt Assunção (125) e Milton Becker (Open)

2001 – Bélgica
Local: Namur
Posição final: eliminado na repescagem
Equipe: Paulo Stedile (250); Douglas Parise (125) e Massoud Nassar (Open)

2007 – Estados Unidos
Local: Budds Creek
Posição final: 16º
Equipe: Wellington Garcia (MX1); Leandro Silva (MX2) e Jorge Balbi Júnior (Open)

2008 – Inglaterra
Local: Donington Park
Posição final: 14º
Equipe: Leandro Silva (MX1); Wellington Garcia (MX2) e Jorge Balbi Júnior (Open)

2009 – Itália
Local: Franciacorta
Posição final: 14º
Equipe: Wellington Garcia (MX1); Swian Zanoni (MX2) e Jorge Balbi Júnior (Open)

2010 – Estados Unidos
Local: Lakewood
Posição final: 18º
Equipe: Anderson Cidade (MX1); Cristopher ‘Pipo’ Castro (MX2) e Jorge Balbi Júnior (Open)

O Team Brasil no Motocross das Nações 2010 teve o patrocínio de Pro Tork e Rinaldi, além do apoio da 5inco Factory Concepts e da 3 Brothers Racing de Orange County.

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Comentários

Ronaldo disse:

Boa materia!Porem da pra perceber que sem o Balbi nao tem nacoes…Mais uma vez parabens guerreiro!

luiz fernando medeiros filho disse:

Twitter: Medeiros
parabens pela materia!!! adivinhou o meu pensamento!!heeheheh!! parabens mundocross

é Editor do Mundocross, site que foi lançado por causa de sua paixão por Motocross e Supercross. Em 1990 ele começou a escrever sobre motos no Jornal VS, em São Leopoldo, no RS, numa coluna onde escrevia sobre Trilhas, Enduro e Motocross. Depois também escreveu para o Jornal O Pódium, Revista Moto Action. Nestes 24 anos teve experiências em eventos internacionais, como Mundiais de Motocross, AMA Supercross, AMA Motocross, Motocross das Nações e US Open Supercross.

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