10P Mundocross para Anderson Cidade

Por Jorge Soares | Fotos por Divulgação | 28 de outubro de 2010 - 10:07

O entrevistado deste mês no 10P Mundocross é o catarinense Anderson Cidade, que foi um dos componentes do Team Brasil no Motocross das Nações 2010. Piloto desde os 5 anos de idade, na temporada deste ano Anderson está correndo pela equipe Geração/Yamaha, de Florianópolis, Santa Catarina, e tem como companheiros de equipe os também catarinenses Gabriel Gentil, João Paulo Feltz e Richard Berois.

Anderson, que já foi várias vezes campeão Catarinense de Motocross e também de Supercross, é de uma família que tem o Motocross correndo nas veias. Ele é filho de Onílio Cidade Filho, o ‘Kiko’, presidente da Federação Catarinense de Motociclismo – FCM, e irmão por parte de pai de Cristopher Castro, o ‘Pipo’, piloto da equipe 2B Duracell Racing, ex-campeão do Arenacross e atual campeão Mineiro de Motocross.

Anderson na Superliga de MX pela equipe Geração/Yamaha

Anderson na Superliga de MX pela equipe Geração/Yamaha

E para contar como foi seu início no Motocross, como está a sua temporada, e também sobre suas experiências no GP Brasil de Motocross e no Motocross das Nações 2010, está aqui o 10P Mundocross para Anderson Cidade. Boa leitura !!

Placa de 5 segundos no ar : Largou…

1) Mundocross – Vai aqui a pergunta clássica das entrevistas do Mundocross, que é para quem ainda não teve o oportunidade de saber um pouco da tua história no Motocross. Por isto, conta para gente como foi que você entrou e como foi teu início na modalidade.

Anderson Cidade – Quando eu tinha 2 anos de idade, meu pai, que era piloto, me prometeu que me daria uma moto assim que eu aprendesse a andar de bicicleta sem as rodinhas laterais. Logo aprendi, porém só com 4 anos minha mãe deixou ele me dar a moto. Ali comecei a brincar e participar de corridas em Santa Catarina. Em 1998 comecei a participar do Brasileiro de Motocross na 60cc e até hoje estou no esporte.

2) Mundocross – Nas participações anteriores do Brasil no Motocross das Nações não havia um critério definido e divulgado pela imprensa para a escolha dos pilotos. Já em 2010 foi criado um critério, que seriam os líderes do Brasileiro de Motocross nas categorias MX1 e MX2. O que você achou e acha sobre isto ?

Anderson Cidade – Acho que é bom, pois como há um critério pré-estabelecido evita maiores críticas no final, porém ruim pois pode acontecer de os melhores pilotos terem problemas em algumas etapas e não estarem bem na classificação.

3) Mundocross – Você não está participando do campeonato Brasileiro de Motocross, mas competiu na quinta etapa do Brasileiro de Motocross em Canelinha, e teve um grande desempenho, principalmente na categoria MX1, onde conquistou o segundo lugar. Isto não lhe causou um arrependimento de não ter optado por participar de toda a temporada do Brasileiro de Motocross 2010 ?

Anderson Cidade – Arrependimento não seria a melhor definição, pois não foi uma escolha somente pessoal. Sou piloto da equipe Yamaha/Grupo Geração e corro onde eles me pedirem. Claro que o bom resultado em Canelinha me deixou motivado a estar presente no campeonato, mas infelizmente este ano não foi possível.

Por outro lado lembro que na semana daquela corrida foi lançado uma notícia que a etapa de Canelinha seria importante para analisar a escolha da equipe para o Motocross das Nações, inclusive seria convidado um piloto. Fui o melhor piloto brasileiro nas duas categorias e não valeu de nada. Isso me decepcionou um pouco.

4) Mundocross – Não estando escalado para competir pelo Team Brasil no Motocross das Nações 2010, você acabou sendo convocado de última hora por causa da lesão de dois dos quatro integrantes da equipe. O que você sentiu no momento que soube que disputaria o MXDN pelo Brasil ?

Anderson Cidade – Eu estava em uma loja off-road na Califórnia quando me ligaram. A princípio fiquei em dúvida da minha real possibilidade de correr, pois dependeria da situação física dos outros pilotos. Somente na quarta-feira fui confirmado oficialmente. Ali sim passou todo um filme pela minha cabeça, desde quando eu aprendi a andar de moto, pelos títulos nacionais na 65cc e 85cc, as disputas na MXJr até o início na MX2 e MX1.

Fiquei emocionado e ansioso para poder realizar isto, que era um sonho meu desde quando iniciei no esporte. Nem sempre achei que seria possível, mas graças a Deus e a muitos dias de treino, se tornou realidade.

5) Mundocross – Qual é a análise que você faz sobre a tua atual temporada ?

Anderson Cidade – A temporada tem sido muito boa. Iniciei o ano meio desacreditado pela falta de patrocínios, sendo que em 2009 andei muito pouco de moto. Graças a Yamaha/Grupo Geração que acreditou em mim em um momento difícil na minha carreira, consegui realizar muitos sonhos, como participar do GP Brasil Mundial de Motocross e do Motocross das Nações. Estou com boas colocações no Catarinense e Superliga de Motocross também.

Cidade em ação no MX das Nações 2010 em Thunder Valley

Cidade em ação no MX das Nações 2010 em Thunder Valley

6) Mundocross – Anderson, por ordem de importância, quais você considera as tuas principais características como piloto de Motocross ?

Anderson Cidade – Acredito que tenho facilidade de aprender e me adaptar com as pistas devido a ter uma boa técnica e posicionamento na moto. Principalmente nesse ano meu preparo físico tem sido um ponto forte também.

7) Mundocross – O que acha que faltou para individualmente tua participação ter sido mais expressiva nas duas baterias do Motocross das Nações ?

Anderson Cidade – Dentro da nossa realidade acredito que eu tenha feito bons resultados no Nações. No sábado acordei bastante doente, mesmo assim no primeiro treino da MX1 consegui a 15ª colocação, a frente de muitos pilotos famosos no cenário internacional, como o Akira Narita. Na classificatória passei mal, consegui a 22ª colocação e após a prova fui parar no ambulatório da Asterisk. Passei por uma série de exames para eles me liberarem a correr.

Graças a Deus no domingo acordei um pouco melhor. Na primeira bateria (MX1/MX2) fui fazer uma ultrapassagem para assumir a 28ª colocação e acabei caindo. A moto ficou bastante avariada e tive que terminar a prova devagar, o que me deu a 35ª colocação. Na MX1/Open larguei muito mal. Mesmo assim dei meu máximo até o final e consegui recuperar até a 28ª colocação.

O Motocross das Nações este ano estava muito difícil. Alguns países que não vinham participando acabaram correndo, sem contar que Porto Rico enviou uma equipe de americanos (Zach Osborne e Kyle Regal). Mesmo assim acredito que fomos bem. Mesmo com todas as dificuldades, fizemos 123 pontos, um a mais que o time brasileiro no ano passado. Não gosto de pensar que ‘se…’, mas sem aquela minha queda melhoraríamos muito nossa classificação. O que me consola é que foi em um momento que eu estava dando o meu máximo e tentando melhorar nossa colocação.

8) Mundocross – O que você está achando das pistas de Motocross no Brasil em 2010 ?

Anderson Cidade – A maioria das pistas tem um desenho razoável, mas o tratamento do solo de uma maneira geral é muito ruim. Faltam pistas com condições semelhantes ao que o mundo todo corre. No Brasil as pistas costumam ter volta em torno de 1min30seg e sempre com velocidade média muito alta. As pistas geralmente são duras, o que faz com que fique somente uma linha rápida e sem grandes dificuldades (canaletas, buracos). Em Denver não tinha nenhum lugar da pista sem isso, sem contar que as voltas passavam dos 2 minutos.

Até mesmo nas descidas tinha muitas canaletas em plena reta. Parecia que eu estava fazendo um esporte diferente do que estou acostumado no Brasil. Em cada curva havia no mínimo 5 opções de traçados diferentes. As vezes chegava a ficar perdido com tanta opção. Na hora da corrida não tinha um trilho sem buracos e canaletas. Tudo isso pois a preparação do solo começou na terça-feira com muita grade e água na pista.

9) Mundocross – Com sua participação na etapa do Mundial em Campo Grande, e sua participação no maior evento mundial de Motocross que é o Nações e também pelo convívio de perto com a pista de Canelinha, o que você acha que estas experiências contribuíram ou irão contribuir na sua performance para as próximas provas deste ano e nos campeonatos de 2011 ? Você baixou alguns segundos por volta após estas experiências ?

Anderson Cidade -. Essas competições me ensinaram muito, principalmente a andar em condições de buracos e canaletas. Era algo que eu nunca tinha vivenciado, pois não é comum no Brasil. As vezes formam uma ou outra canaleta, mas nada comparado as pistas do circuito internacional. Não tive grandes diferenças nos tempos ainda, mas estou me sentindo mais a vontade na motocicleta.

10) Mundocross – Você já renovou teu contrato com a Geração/Yamaha para 2011 ?

Anderson Cidade – Não.

Mundocross – E agora para finalizar, a palavra e o espaço são seus.

Anderson Cidade – Em primeiro lugar quero agradecer à Deus pela minha vida, pela proteção e por estar sempre me guiando e me protegendo. Obrigado também a você Jorge pelo convite para esta entrevista e a todas as pessoas que torcem por mim e me ajudam.

Não posso deixar de agradecer a minha família, namorada, amigos, patrocinadores que a Yamaha, Grupo Geração, Eletrosul, TBT, Pirelli, Moto Shop e Racer Academia, meu mecânico Rafael, as pessoas envolvidas na equipe brasileira no Motocross das Nações, como o Balbi, Pipo, Ratinho, Thales, Pro Tork, Rinaldi, CBM, Edu Appel, equipe contratada e imprensa, e aos meus seguidores no Twitter.

Anderson Cidade é catarinense da cidade de São José

Anderson Cidade é catarinense da cidade de São José

JOGO RÁPIDO COM ANDERSON CIDADE

Nome completo : Anderson Hauptli Cidade
Data de nascimento : 23 de janeiro de 1990
Cidade onde nasceu : São José – SC.
Cidade onde mora : São José – SC.
Moto atual : Yamaha YZ 250F e YZ 450F
Principais títulos : Campeão Brasileiro de MX 65 2003 e Brasileiro de SX 85 2005
Piloto no Motocross Nacional : Milton ‘Chumbinho’ Becker
Piloto no Motocross Internacional : Jorge Balbi Jr.
Pista favorita em Santa Catarina : São José
Pista favorita no Brasil : Canelinha
Comida favorita : Frutos do mar
Bebida favorita : Suco natural
Comida nos dias de corridas : Massa, atum e salada
Bebida nas corridas : Água
Lazer preferido : Estar com os amigos
Esporte preferido fora o Motocross : Futebol
E-mail : [email protected]
Site : www.geracaoteam.com.br
Twitter : www.twitter.com/andersoncidade

Compartilhe este conteúdo

Comentários

Caio disse:

Muito obrigado pela atenção Jorge, acho muito interessante esse espaço para nosso esporte.

Jorge Soares disse:

Twitter: mundocross
Aê moçada !!

Deixa eu corrigir aqui um lance que me expressei mal no comentário aqui em cima. Sobre a participação do Anderson e da equipe Yamaha/Geração na etapa de Canelinha.

O motivo principal da participação da equipe e dos pilotos na etapa do Brasileiro de Motocross em Canelinha foi a questão estratégica dos patrocinadores já que, como citei ali acima, a equipe é de Santa Catarina e por estar próximo do seu público alvo, fez questão de participar do evento.

Em relação a participação do Anderson com foco no Nações, ele me mandou uma mensagem me corrigindo, dizendo que o objetivo principal era o interesse da equipe, e que o lance de alguns pilotos serem avaliado pela CBM para comporem a equipe do Nações, foi um fato que surgiu depois da equipe ter tomado a decisão de participar da prova, logo não era o objetivo principal como eu citei ali acima.

Desculpe aí a pisada no tomate Anderson.

Falowww

Jorge

Luiz Fujii disse:

Twitter: Fujii
Jorge Zizi valeu por esclarecer algumas coisas,é isso tb que sites de motocross devem fazer ,não só fotos e resultados das provas mas tb qd possivel os bastidores da corridas !

Luiz Fujii disse:

Twitter: Fujii
Ah ia me esquecendo ,essa entrevista com o Cidade foi muito boa,seria interessante termos mais entrevistas como essa,pilotos(inclusive os pilotos Honda rs.)chefes de equipe ,dirigentes(baaaahhh!!..)é isso ai.

Jorge Soares disse:

Twitter: mundocross
Oi Fujii, oi Caio !!

O Zizi tem razão em relação a Anderson e sobre o pai dele ser presidente da FCM, e também tem o lance que a Yamaha fechou acordo com para correr só na Superliga, mas como a corrida era na região do principal patrocinador da equipe, o Grupo Geração, acabaram liberando os pilotos.

O Anderson falou aqui na entrevista que eles correram a etapa de Canelinha com o objetivo de serem avaliados para uma possível convocação para a equipe pro Nações, mas na real quem estaria sendo avaliado naquele dia seria o Swian Zanoni, que estava sendo considerado pela mídia e pelos fãs como o melhor piloto de Motocross brasileiro naquele momento, e que queriam ele no time do MX das Nações, inclusive foi esta opinião dos leitores aqui no Mundocross através de uma Enquete, que quem não viu pode conferir nos arquivos das Enquetes aqui no site.

Mas para correr o Nações pelo Brasil o Swian teria que participar de pelo menos uma etapa do Brasileiro, pois este foi o critério definido no início do ano, sendo que a minha opinião é igual ao do Anderson aqui na entrevista, e por isto que estavam abrindo as portas para o Swian, mas aí a equipe Honda não o liberou para correr em Canelinha.

Para quem não leu ainda, aqui nesta coluna escrita pelo Paulo Sebben dá para entender um pouco melhor o que está acontecendo :

http://www.mundocross.com.br/2010/09/17/vaidades-geram-prejuizos-ao-motocross/

Falowwww, um abraço

Jorge

Caio disse:

Realmente essa e um pergunta que todos os amantes do esporte quiria saber. Por que as restricoes de pilotos brasileiros correrem em determinadas provas brasileiras ???

Zizi disse:

Muito bom vc Fujii, ter abordado esse tema!!! porém acreedito que seja meio obvio que a Yamaha liberou para andar na 5º Etapa, por se tratar de uma corrida em SC, onde o Pai do Cidade é o presidente da federação,,, e acredito que ficaria meio sem graça o próprio filho não andar nessa etapa,, assim como ficaria meio estranho só o Cidade andar, entao liberaram todos os pilotos Yamaha… mas a questão e a pergunta é ??? porque a Yamaha não libera os pilotos para andar o Brasileiro??? o que estão acontecendo??? acho que o Brasil inteiro quer saber o que existe na CBM,,, Assim como o que aconteceu entre Honda e CBM??? Abraço.

Jorge Soares disse:

Twitter: mundocross
Oi Fujii !!

Eu fiquei aqui na dúvida sobre o teu pensamento em relação a pergunta ao Cidade, se ela foi boa rsrsrsr ou se foi mals hehehe.

Explica melhor o que vc achou da pergunta, blz

Falowwww

Jorge

Luiz Fujii disse:

Twitter: Fujii
Oi Jorge ,me desculpe de não ter sido mais claro,é que me parece bem obvio e claro que os pilotos Honda e Yamaha gostariam e muito de participar do brasileiro de motocross,mas quem manda e paga o salario é a fabrica,a Yamaha que estava afastado do motocross e voltou esse ano,assim como a Honda talvez tb tivesse algum descontentamento com a CBM,(até agora ninguem esclareceu isso ) por isso em comum acordo só vinha participando do arena e a super liga ,enfim acho que seria mais correto e esclarecedor perguntar pq a Yamaha só liberou vcs a participarem da quinta etapa ,eu mesmo na época achei muito estranho a participação da Yamaha somente naquela etapa mas estranhamente nada foi comentado, pra variar .rs. bom pra terminarr exelente esse espaço que vc deixou no site , pro leitor responder ,comentar ,criticar,contrariar ,acertar ,errar ,xingar se revoltar etc…….valeu!!!

Luiz Fujii disse:

Twitter: Fujii
Você não está participando do campeonato Brasileiro de Motocross, mas competiu na quinta etapa do Brasileiro de Motocross em Canelinha, e teve um grande desempenho, principalmente na categoria MX1, onde conquistou o segundo lugar. Isto não lhe causou um arrependimento de não ter optado por participar de toda a temporada do Brasileiro de Motocross 2010 ?MAS QUE PERGUNTA HEIM!!!!!

é Editor do Mundocross, site que foi lançado por causa de sua paixão por Motocross e Supercross. Em 1990 ele começou a escrever sobre motos no Jornal VS, em São Leopoldo, no RS, numa coluna onde escrevia sobre Trilhas, Enduro e Motocross. Depois também escreveu para o Jornal O Pódium, Revista Moto Action. Nestes 24 anos teve experiências em eventos internacionais, como Mundiais de Motocross, AMA Supercross, AMA Motocross, Motocross das Nações e US Open Supercross.

Desenvolvido por GetFly