Entrevista com o presidente Roberto Boettcher

Por Jorge Soares | Fotos por Divulgação | 30 de julho de 2011 - 14:56

Na segunda entrevista da série de entrevistas com os presidentes de Federações de Motociclismo aqui no site Mundocross, entrevistamos neste mês de julho um presidente que já foi várias vezes campeão Goiano, campeão Paulista. No campeonato Brasileiro de Motocross Beto foi campeão na categoria 125 nas temporadas de 1975 e 1979 e campeão da categoria 250 na temporada de 1975.

Ele é uma pessoa do bem e muito gente boa com as pessoas com quem ele se relaciona. Para quem conversa com ele hoje e não conhece a sua história, não imagina que nos anos 70 e 80 ele arrepiava nas pistas de Motocross pelo mundo afora literalmente, pois ele correu vários campeonatos Latino Americano de Motocross, onde foi campeão na categoria 125 nas temporadas de 1975 e 1979, e também uma temporada completa do Mundial de Motocross.

Estamos falando de Roberto Boettcher, o Beto, goiano que com sua Yamaha número 15 infernizou a vida de Nivanor Bernardi e Pedro Bernardo ‘Moronguinho’ Raymundo nas pistas de Motocross do Brasil no final dos anos 70 e nos anos 80 travou batalhas também com Álvaro Cândido, o ‘Paraguaio’. Nos anos 80 estes quatro pilotos eram conhecidos como os quatro Mosqueteiros do Motocross Brasileiro.

Beto Boettcher atualmente é presidente da Federação Goiana de Motociclismo, e profissionalmente ocupa o cargo de Diretor da Agência de Trânsito da cidade de Goiânia. Na atual gestão da CBM, Boettcher é Diretor de Motocross, e para as eleições do dia 12 de agosto, que vai eleger o presidente da CBM para os próximos quatro anos, ele é candidato a vice-presidente na chapa de Firmo Alves.

Então agora para vocês conhecerem um pouco mais da história deste piloto, empresário e presidente de Federação de Motociclismo, temos aqui no Mundocross a entrevista com o goiano Roberto ‘Beto’ Boettcher.

Placa de 5 segundos no ar : Largou…

Mundox – Vai aqui a pergunta clássica das entrevistas do Mundocross, que é para quem ainda não teve o oportunidade de saber um pouco da tua história no Motociclismo. Por isto, conta para gente como foi que você chegou a presidência da Federação de Motociclismo de Goiás- FMG.

Roberto Boettcher – Eu fui o fundador da FMG. Ela foi criada na década de 80 dentro da minha casa por alguns amigos, dentre eles Kurt Feichtenberger, que na época corria de Motovelocidade na classe 125cc e foi campeão brasileiro. Como eu era piloto oficial da Yamaha e tinha na época a maior revenda Yamaha do Brasil, mas eu não queria me  envolver politicamente, então eu indiquei o Kurt para a presidência e patrocinei uma prova de Motocross no autódromo de Goiania dando três motos de prêmio para os três primeiros colocados, e o dinheiro da bilheteria eu dei para o Kurt começar a nossa FMG. Após alguns anos eu virei o presidente, mas não queria me envolver a fundo, e só emprestava meu nome.

No final de 2007 um grupo de pilotos me procurou porque a Federação não tinha interece em fazer provas de Motovelocidade, pois só fazia Motocross. Já tinha mais de 7 anos que não tinha uma prova no autódromo. Eu liguei para o Kurt para que ele me dissesse o que estava acontecendo, e ele disse que era muito difícil sem patrocínio. Foi quando eu resolvi assumir de fato o meu cargo de presidente da FMG. Foi em outubro de 2007, e em um mês e meio ligando para um amigo e outro, donos das revendas de moto de Goiania, eu realizei uma prova de Motovelocidade no mês de dezembro de 2007, com mais de 120 pilotos, e um público de 7.000 pessoas no autódromo.

Beto Boettcher é presidente da FMG e diretor de MX da CBM

Beto Boettcher é presidente da FMG e diretor de MX da CBM

Mundox – A entidade maior do motociclismo brasileiro está passando nestes últimos dois meses por um momento turbulento relacionado a saída de Alexandre Caravana da entidade, e com Assis Aquino assumindo a entidade até a eleição no dia 12 de agosto. Qual a sua opinião sobre o que aconteceu em relação as contas da gestão de Caravana e sobre o desligamento dele da presidência da CBM ?

Roberto Boettcher – Eu particulamente me senti traído pelo senhor Alexandre Caravana, pois nos últimos três anos eu fui o diretor de Motocross da CBM, trabalhei muito junto com o Paulo ‘Jabuti’ Della Flora em prol do motociclismo brasileiro, e nunca participamos de nenhum ato administrativo da entidade. Só encontrávamos com o presidente nos dias das provas, e só conversavamos sobre os problemas da prova. Ficavamos em hotéis de terceira categoria, muitas vezes fazíamos todos tipos de serviço na pista por falta de pessoas capacitadas e de dinheiro para contratar. Quando eu vi aquele relatório da auditoria eu me senti traído e usado. Quanto ao Assis, ele não vai ter tempo de fazer nada. O Alexandre acredito eu que ele enterrou a sua carreira política esportiva.

Mundox – Como atual diretor de Motocross da Confederação Brasileira de Motociclismo, e com a saída da etapa do Rio de Janeiro do calendário do Brasileiro de Motocross, você pode informar onde e quando será a etapa que irá substituir a etapa carioca e com fechar as sete etapas programadas para 2011 ?

Roberto Boettcher – O Estado do Mato Grosso quer realizar a etapa que seria no Rio de Janeiro, mas nós não queremos alterar as datas do calendário, e aí vamos colocar uma  data a mais no final, ou seja, a data da etapa de Siqueira Campos seria a de Mato Grosso.

Mundox – Quais as maiores dificuldades que você encontra no dia a dia na presidência da Federação de Motociclismo de Goiás ?

Roberto Boettcher – Realizar as etapas do campeonato de Motovelocidade e Supermoto. Essas provas são realizadas na capital, e o autódromo custa caro, e patrocínio é muito difícil de se conseguir, mas mesmo assim realizamos seis etapas por ano, com uma media de 140 pilotos por etapa, e público em torno de 7.000 pessoas por etapa.

Mundox – O que está acontecendo que faz três anos que a CBM não recebeu nenhuma verba federal para o desenvolvimento do motociclismo ?

Roberto Boettcher – Como eu disse antes, eu não sei nada da vida financeira e administrativa da CBM, mas que tem uma pendência com o governo federal tem.

Mundox – Na chapa que você irá concorrer a eleição da CBM no próximo dia 12 de agotso, você está como candidato a vice-presidente. Quais as funções que você deverá exercer se a sua chapa for a vencedora da eleição ?

Roberto Boettcher – A minha intenção era ser candidato a presidente por uma CBM transparente, e que cuidasse exclusivamente da parte espotiva, deixando a parte promocional para os promotores de eventos A CBM  hoje é uma CBCross, pois só vive Motocross. As outras categorias foram esquecidas nos últimos anos. Temos que levantar a Motovelocidade e fortalecer as outras modalidades. Fui procurado pelo Sr. Firmo Alves em minha cidade para conversarmos sobre a eleição, pois éramos os dois que tínhamos mais votos para a presidência da CBM.

A conversa foi curta: vamos brigar ou vamos juntar forças ? Achei melhor juntar, pois não é hora de brigar, e sim de união para salvar o nosso motociclismo. O Firmo vai cuidar da parte administrativa, e eu da parte esportiva. Estou esperando de todos pilotos e imprensa, apoio para que com muito trabalho, possamos dar a entidade máxima do motociclismo brasileiro a credibilidade e respeito que merece, e que sempre teve.

Mundox – No último final de semana você voltou as competições, disputando a etapa do Brasileiro de Velocross em Anápolis. Conte para os leitores do Mundocross, dentre eles muitos fãs seus, como está sendo este seu retorno as pistas. 

Roberto Boettcher – Voltei para me divertir, e estou curtindo muito. Na primeira prova cheguei em quinto na categoria VX3 Nacional na disputa da terceira etapa do campeonato Brasileiro de Velocross, que foi realizado aqui no meu Estado, na cidade de Anápolis. Para quem ficou mais de 20 anos sem correr, e com 54 anos, foi uma vitória hehehe.

Carlos Scateninha, Beto Boettcher e Marcelo Scarano

Carlos Scateninha, Beto Boettcher e Marcelo Scarano

Mundox – Em 2010 e em 2011 tivemos dois campeonatos nacionais de Motocross: o Brasileiro de Motocross e a Superliga de Motocross. Você acredita que para 2012 possa ser revista esta situação, e numa junção de forças ter um grandioso campeonato Brasileiro de Motocross, com dez etapas por exemplo ?

Roberto Boettcher –Eu acho que nós temos que juntar, pois a Honda tem o dinheiro, e a CBM tem a marca que ninguém tem: Campeonato Brasilerio de Motocross. Só falta contratar o promotor para produzir o campeonato, e a CBM cuidar da parte técnica. O que é melhor para o currículo de  um piloto: ser campeão Brasileiro, ou ser campeão de uma Liga ? Porque as provas do Brasileiro tem mais público e piloto que a liga. Só vai na Liga quem é do ramo. O leigo não sabe o que é Superliga, mas Campeonato Brasileiro todos sabem.

Mundox – Qual é um objetivo ou um desejo que você ainda não conseguiu colocar em prática e quer ver realizado na FMG ?

Roberto Boettcher – Uma sede própria e um campeão brasileiro goiano em todas as modalidades.

Mundox – Para a última pergunta, o que você deseja trabalhar junto ao próximo presidente da CBM e de sua diretoria em relação aos campeonatos, apoio as Federações e a gestão da entidade ?

Roberto Boettcher – Em primeiro plano tentar junto com o presidente montar uma equipe vitoriosa para resolver todos os problemas deixados pelo Sr. Alexandre Caravana. Não quero ser diretor de uma modalidade, mas sim um coordenador de todas as categorias, em especial a Motovelocidade. O Motocross já está consolidado e só falta mais profissionalismo. Dar condições para as Federações realizarem as etapas dos campeonatos Brasileiro em suas cidades.

Mas vamos cobrar um campeonato com 8 ou 10 etapas, quando no final da temporada vamos fazer uma votação junto a imprensa e os pilotos que participarão do campeonato para estarmos eliminando as duas piores provas do campeonato. Vamos fazer como no futebol, sendo que no final de cada temporada as duas piores provas vão ser eliminadas do calendário, e duas novas cidades vão poder entrar para o grupo de elite do campeonato Brasileiro.

Mundox – Agora a palavra e o espaço são seus.

Roberto Boettcher – Agora o mais importante: não existe Motocross, Motovelocidade, Cross Country, Rally, Velocross, Enduro FIM e Supermoto se não valorizarmos nossos pilotos. Sem eles não vamos a lugar algum. Precisamos escutar a ABPMX, os chefes de equipes, a imprensa especializada. Este ano vai ser muito difícil fazer algo, como colocar a parte financeira da CBM em dia, uma sede digna, re-estruturar todos os regulamentos, calendários e buscar pessoas qualificadas.

Perfil de Roberto Boettcher
Nome completo : Roberto Boettcher
Data de nascimento : 1º de agosto de 1957
Cidade onde nasceu : Goiânia – GO
Cidade onde mora : Goiânia – GO
Moto atual : CRF 230
Profissão : Diretor da agência municipal de trânsito de Goiânia
Apelido : Beto
Exemplo de vida : Erwino Boettcher (meu pai)
Exemplo empresarial : Erwino Boettcher (meu pai)
Evento favorito em Goiás : GP Cidade de Goiania se Motovelocidade
Evento favorito no Brasil : GP Brasil de Motocross
Comida favorita : Japonesa
Bebida favorita : Chopp
Livro preferido : O Monge Executivo
Lazer preferido : Pescar
Esporte favorito fora do motociclismo : Kart indoor
E-mail : [email protected]
Msn : [email protected]
Site : www.boettcher.esp.br

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Comentários

Carlos E. "Duda" Giovanucci disse:

ENTÃO, GOSTARIA QUE ALGUÉM SE PRONUNCIASSE, SOU MUITO CURIOSO, POIS FUI PILOTINHO AOS 10 ANOS, CORRIA DE 60CC NO ANO DE 90/91 NO CAMPEONATO GOIANO, QUE POR SUA VEZ ERA MUITO RESPEITADO A NÍVEL NACIONAL! NAQUELA ÉPOCA VATUTIN MAIA, ISMAEL MAIA, CARLIN MAIA E OUTROS CORRIAM DE 80CC, WELLINGTON GARCIA CATEGORIA MIRIM, CATEGORIA PRINCIPAL 125CC 2T, TONIN BALA, WELLINGTON VALADARES, FABRICIO MARQUESI, LEONARDO BRITO, LEONARDO MULLER ENTRE OUTROS, SENDO QUE NESSA MESMA ÉPOCA JORGE NEGRETI E ROGÉRIO NOGUEIRA DOMINAVAM O CIRCUITO NACIONAL! ALGUÉM LEMBRA?

POIS BEM, AO PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO, FICA MINHA PERGUNTA, O QUE ACONTECEU COM O CROSS GOIANO, PRINCIPALMENTE NA CIDADE DE GOIÂNIA QUE NESSA ÉPOCA LEVAVA AO EVENTO CERCA DE 10.000 PESSOAS? PQ GOIÂNIA NÃO SEDIA NENHUMA ETAPA DO CIRCUITO GOIANO DE MOTOCROSS MAIS? PQ GOIÂNIA NÃO CONSEGUE TRAZER NENHUMA ETAPA DO BRASILEIRO?.

E OLHA PESSOAL, VOCÊS PRECISAM VER GOIÂNIA! AQUI É UMA CAPITAL QUE O CROSS ESTÁ NA VEIA, AQUI JÁ TIVERAM MUITOS PILOTOS RESPEITADOS NACIONALMENTE, SENDO O CASO DO NOSSO PRESIDENTE DA FEDERAL BETO!

SÃO PERGUNTAS QUE ME PERGUNTO TODOS OS ANOS! A SUPERLIGA POR EXEMPLO, ACHO QUE POR FALTA DE SEDIADORES, TODO ANO COLOCA GOIÂNIA COMO ETAPA EM CERTA DATA! TODO ANO FICO NA EXPECTATIVA, MAS LOGO É RETIRADA DO CALENDÁRIO.
POXA, QUANDO EU TINHA 10 ANOS, COMO ERA BOM, VER O AUTÓDROMO DE GOIÂNIA, LOTADO PELO EVENTO CROSS, É UMA PENA!

duda H disse:

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Murilo 'Gyn' Pereira Vieira disse:

Nele eu acredito. Acho que CBM precisa de pessoas apaixonadas pelo motociclismo, que nao faça tudo pensando no dinheiro mas sim porque quer ver o esporte crescer cada vez mais.
Ps: Ele ainda anda bem, ja levei coro dele aqui nas pistas.xD

Jonas disse:

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Sobre o teu questionamento, mande um email para [email protected] que poderemos trocar informações a respeito.

Muito boa a proposta do Beto, tive a oportunidade de conhece-lo pessoalmente ao participar de seu curso de pilotagem de MX feito há algum tempo aqui em BSB. Tento participar de provas do Goiano de MX, e em todas q fui a organização foi excelente.

Teria meu voto com certeza.

Como piloto à época de Super moto participei dessa prova no autodromo de Goiânia, realmente foi algo sensacional.

Aqui no DF vi a modalidade minguar por falta de atuação da Federação local, assim como ocorre com o motocross. No DF só há espaço para a Motovelocidade.

Espero que caso seja eleito faça coisas boas pelo esporte, tem minha torcida.

é Editor do Mundocross, site que foi lançado por causa de sua paixão por Motocross e Supercross. Em 1990 ele começou a escrever sobre motos no Jornal VS, em São Leopoldo, no RS, numa coluna onde escrevia sobre Trilhas, Enduro e Motocross. Depois também escreveu para o Jornal O Pódium, Revista Moto Action. Nestes 24 anos teve experiências em eventos internacionais, como Mundiais de Motocross, AMA Supercross, AMA Motocross, Motocross das Nações e US Open Supercross.

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