A história do Brasil no Motocross das Nações

Por Divulgação | Foto por Arquivo | 18 de agosto de 2011 - 7:41

Falta um mês para o Motocross das Nações 2011, e na edição deste ano o Brasil completará sua  décima participação no MXDN. Em 2010 a competição foi realizada no circuito Thunder Valley Motocross Park, em Lakewood, nos Estados Unidos, e a seleção verde e amarela conquistou o 18º lugar no geral numa disputa entre 30 países. Já a edição de 2011 será disputada em Saint Jean d’Angely, na França.

Na breve história do País na competição que é considerada a ‘Copa do Mundo do Motocross’, a equipe vem melhorando seu desempenho entre as maiores potências do esporte a cada edição.

Da primeira participação do time brasileiro formado por Cristiano Lopes, Gilberto ‘Nuno’ Narezzi e Rogério Nogueira, em 1997, até a convocação de Jorge Balbi Jr., Cristopher ‘Pipo’ Castro e Anderson Cidade em 2010, muita coisa mudou.

Team Brasil representou o País no MXDN nos Estados Unidos

Team Brasil representou o País no MXDN nos Estados Unidos

O esporte se desenvolveu no país, as pistas melhoraram em qualidade técnica, e os brasileiros passaram a participar de mais provas internacionais. Neste mesmo período, o mercado econômico nacional se abriu e facilitou o acesso dos pilotos e equipes aos equipamentos importados.

No entanto, a principal evolução no esporte em pouco mais de uma década aconteceu em 2010, com a alteração no critério de seleção do time brasileiro. A convocação dos três pilotos, e do reserva, deixou de ser restritiva e passou a ser definida pela classificação no campeonato nacional.

Estreia do Brasil no Motocross das Nações

Cristiano Lopes representou o país nas três primeiras edições que o Brasil esteve no Motocross das Nações em 1997, 1998 e 1999. A estreia da seleção verde-e-amarelo aconteceu em Nismes, na Bélgica.

Lopes conta que a experiência ficou marcada em sua memória porque, por ser o batismo brasileiro na competição, a seleção foi muito bem recebida pelos torcedores dos outros países e logo conquistou o carisma de todos.

“Tudo era novidade. Apesar de já termos disputado etapas do Mundial, correr no Nações era algo diferente, porque dependíamos do sucesso de todo o time. Tivemos o apoio da Honda Europa e recebemos dicas da equipe que já conhecia o traçado. E, apesar de não termos conseguido nos classificar, colocamos o Brasil entre as cinco melhores equipes na repescagem. Para nós, tudo era festa, e uma grande emoção o momento em que o time foi apresentado e surgiu a bandeira do Brasil”, conta.

No ano seguinte, o Nações foi disputado na Inglaterra.  O time brasileiro era formado novamente por Cristiano Lopes e Rogério Nogueira. O novato Paulo Stedile completou o time e sentiu a pressão.

“Correr na Inglaterra foi um choque para mim. Eu estava muito nervoso por participar pela primeira vez do Nações em uma pista muito famosa”, lembra Stedile. A edição foi disputada no tradicional circuito de Foxhills, e Cristiano Lopes conta que a chuva atrapalhou a festa do esporte.

“Na Europa, se falava muito em Foxhills, uma pista muito tradicional. Mas, choveu muito nos treinos de sábado, e partes do traçado foram cortadas da prova. A chuva, com certeza, atrapalhou a festa”, comenta.

Brasil no circuito mundial

O ano de 1999 ficou marcado na memória dos torcedores brasileiros que puderam assistir “em casa” o Motocross das Nações. A seleção brasileira foi formada por Cristiano Lopes, Paulo Stedile e Rafael Ramos.

O local escolhido para receber a competição foi a recém inaugurada pista de Indaiatuba, a 90 km da capital de São Paulo, localizada dentro do Centro de Treinamentos da Honda.

Lopes se recorda que a Honda Europa forneceu a consultoria na preparação das motos dos pilotos brasileiros, e por sediar a competição, a seleção verde-e-amarelo tinha garantida a classificação para a final.

Kevin Windham e Rafael Ramos no gate em Indaiatuba em 1999

Kevin Windham e Rafael Ramos no gate em Indaiatuba em 1999

“Nesta prova eu consegui conquistar uma marca interessante entre os pilotos brasileiros que foi a de andar mais de dez voltas entre os seis primeiros colocados”, destaca.

“Lembro que, por ser no Brasil e já estarmos classificados, a equipe toda andou bem”, ressalta Stedile.

Mudanças no Motocross brasileiro

Em 2000, o Motocross das Nações foi disputado na França, em Saint Jean D’Angely. O time brasileiro formado por Massoud Nassar, Roosevelt Assunção e Milton ‘Chumbinho’ Becker, foi eliminado na repescagem.

Mas, a edição francesa ficou marcada na história do motocross nacional porque, pela primeira vez, um piloto brasileiro correu o Nações com uma motocicleta de marca diferente a Honda.

Massoud Nassar, patrocinado pela Yamaha, substituiu Cristiano Lopes, que se machucou duas semanas antes da prova. “Este foi o maior feito  naquela edição do Nações. Até então, a seleção brasileira só tinha andado de Honda”, destaca Manuel Carlos Hermano, o Cacau, que acompanhou Nassar na prova francesa.

Chumbinho Becker lembra que a estrutura que a seleção brasileira utilizou na França era muito precária. “Foi muito difícil. Não tinha o que comer, o que beber e caímos na repescagem”, diz. “Porém, a partir dessa experiência, percebemos que as pistas no Brasil eram muito lentas. Então, marcamos uma conversa com os dirigentes da CBM para pedir que as nossas pistas passassem a ser mais rápidas e com traçados diferentes”, conta.

O ano seguinte, 2001, encerrou um ciclo dentro do motocross nacional. O Nações foi disputado novamente na Bélgica, em Namur, e os três pilotos da seleção brasileira andaram com motos Yamaha.

Cacau, então, assumiu o cargo de chefe da equipe e escalou Paulo Stedile, Douglas Parise e Massoud Nassar. “Fiz tudo sozinho. recebi somente quatro passagens da CBM e selecionei os melhores pilotos classificados no campeonato”, conta.

Sem contar com um reserva, a equipe brasileira acabou sofrendo uma baixa ainda nas baterias do sábado. Douglas Parise quebrou o ombro direito na prova classificatória e desfalcou o time brasileiro na bateria de repescagem. O Brasil só voltaria a competir o Motocross das Nações seis anos depois.

Avanço nos resultados

Em 2007 a Honda voltou a enviar sua equipe para o Nações. Os escolhidos foram Jorge Balbi Júnior, Wellington Garcia e Leandro Silva. O trio conseguiu uma façanha inédita para o esporte brasileiro, até então, e classificou o time para as baterias decisivas ao vencer a Final B. O Brasil terminou a competição realizada em Budds Creek, no Estados Unidos, em 16º lugar geral.

Wellington Garcia comenta: “A experiência foi muito boa, mas também muito difícil. Por mais que você esteja preparado, a primeira vez sempre é muito complicada e você acaba travando. O que posso dizer é que recebemos toda a estrutura da Honda e o time era muito bom”, conta.

Balbi Júnior, com o nariz quebrado, tem uma história de superação para contar de sua primeira convocação: “Não queria perder a oportunidade, mas cheguei a estar fora do time por estar com o nariz quebrado. Fui para a competição no esforço máximo. Lembro que era muito quente, fez uns 40ºC, e baixa umidade. Cheguei a desmaiar durante a classificatória da Open e fiquei desidratado. Mesmo assim, foi um sonho realizado”, lembra.

No ano seguinte, Balbi Júnior, Wellington Garcia e Leandro Silva vestiram novamente o uniforme verde-e-amarelo. Desta vez, o Motocross das Nações foi disputado em Donington Park, na Inglaterra.

Balbi, Leandro e Wellington foram os pilotos do Brasil no MXDN 2008

Balbi, Leandro e Wellington foram os pilotos do Brasil no MXDN 2008

“Eu havia acabado de voltar de uma cirurgia no pé, isso dificultou muito meu desempenho e atrapalhou a equipe. Com certeza foi o meu pior ano no Nações”, reconhece Wellington Garcia.

O Brasil precisou buscar sua classificação na Final B, no domingo de manhã, e conquistou o 14º lugar na classificação final. “Naquele ano, tive um excelente desempenho pessoal e, pela primeira vez, terminamos entre as principais equipes do Nações”, acrescenta.

Em 2009, em Franciacorta, na Itália, o Brasil deu mais um passo em sua evolução ao garantir a classificação para as baterias finais nas provas classificatórias de sábado. Na classificação final, o time formado por Jorge Balbi Júnior, Wellington Garcia e Swian Zanoni repetiu a 14ª colocação alcançada no ano anterior.

“Foi muito bom. Conseguimos um excelente resultado e classifiquei o Brasil terminando a bateria na frente de Max Nagl”, disse Balbi Júnior, que assegurou a nona posição na bateria da classe Open.

Balbi, Wellington e Swian formaram o time brasileiro em 2009

Balbi, Wellington e Swian formaram o time brasileiro em 2009

“Acredito que 2009 foi o ano mais difícil que enfrentamos. Havia 39 seleções disputando o Motocross das Nações, e o resultado do Balbi fez com que nos classificássemos direto”, avalia Wellington Garcia.

Escolha pela classificação

Em 2010, a convocação dos três pilotos – e do reserva – tomou por critério a classificação no campeonato nacional. Jorge Balbi Júnior e Cristopher ‘Pipo’ Castro foram selecionados para disputar as categorias Open e MX2, respectivamente. Marcello ‘Ratinho’ Lima estava cotado para correr na MX1, mas se machucou uma semana antes. Anderson Cidade assumiu a vaga às vésperas da competição.

Mesmo com a seleção verde-e-amarelo desfalcada para a 64ª edição do Motocross das Nações em Lakewood, nos Estados Unidos, o time voltou a fazer história em participações brasileiras na competição e garantiu sua vaga na final com o 18º lugar nas baterias classificatórias.

Balbi Jr., Cidade e Pipo formaram o time brasileiro em 2010

Balbi Jr., Cidade e Pipo formaram o time brasileiro em 2010

“Foi um resultado extremamente positivo, afinal, perdemos o Thales e o Ratinho que se machucaram uma semana antes da competição. Mesmo com estas dificuldades, o time rendeu muito bem e estou muito feliz, principalmente com meu desempenho”, avaliou Balbi Júnior, que foi o oitavo colocado individual na categoria Open, em seu melhor resultado no Motocross das Nações.

Mesmo não repetindo o resultado dos dois últimos anos, o Brasil se manteve entre as principais potências do Motocross mundial e terminou a competição na 18ª posição geral.

Histórico do Brasil no Motocross das Nações

1997 – Bélgica
Local: Nismes
Posição final: eliminado na repescagem
Equipe: Cristiano Lopes (250); Gilberto “Nuno” Narezzi (125); Rogério Nogueira (Open)

1998 – Inglaterra
Local: Foxhills
Posição final: eliminado na repescagem
Equipe: Cristiano Lopes (250); Paulo Stedile (125); Rogério Nogueira (Open)

1999 – Brasil
Local: Indaiatuba
Posição final: 15º (por ser sede da competição, o Brasil teve sua vaga garantida para a final)
Equipe: Rafael Ramos (250); Paulo Stedile (125) e Cristiano Lopes (Open)

2000 – França
Local: Saint Jean D’Angely
Posição final: eliminado na repescagem
Equipe: Massoud Nassar (250); Roosevelt Assunção (125) e Milton Becker (Open)

2001 – Bélgica
Local: Namur
Posição final: eliminado na repescagem
Equipe: Paulo Stedile (250); Douglas Parise (125) e Massoud Nassar (Open)

2007 – Estados Unidos
Local: Budds Creek
Posição final: 16º
Equipe: Wellington Garcia (MX1); Leandro Silva (MX2) e Jorge Balbi Júnior (Open)

2008 – Inglaterra
Local: Donington Park
Posição final: 14º
Equipe: Leandro Silva (MX1); Wellington Garcia (MX2) e Jorge Balbi Júnior (Open)

2009 – Itália
Local: Franciacorta
Posição final: 14º
Equipe: Wellington Garcia (MX1); Swian Zanoni (MX2) e Jorge Balbi Júnior (Open)

2010 – Estados Unidos
Local: Lakewood
Posição final: 18º
Equipe: Anderson Cidade (MX1); Cristopher ‘Pipo’ Castro (MX2) e Jorge Balbi Júnior (Open)

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Comentários

Tiago Souza disse:

Aqui não é o local para tal comentário que vou fazer , mas como o assunto está totalmente ligado lá vai:

Olhando o Resultado Incrivel do Enzo no Mundial Junior , comecei a procurar videos da participação dele , achei pouca coisa da categoria dele 65cc , mas 2 coisas me chamaram atenção , a pista Enorme com saltos a subir e descer e um terreno que lembrou nossas pistas secas…e poeira….e outra coisa que me deixou bem triste foi as Delegações com Bandeiras camisas etc…..Tem Delegação com uns 15 membros da Eslovenia…GENTE VAMOS ACORDAR !!! O BRASIL COMO PASSA NA TV UMA PROPAGANDA DO NOSSO GOVERNO , HOJE o BRASIL É A 7 ( Sétima ) Economia Mundial……Porra…Onde anda esse dinheiro ? Porque não tinha uma delegação lá com o Enzo ? Porque não temos umas seletiva para levar os nossos pilotos junior´s pra fora pra pegar experiencia pra moldar eles a nivel mundial pra chegar no nações em uns anos e arrebentar e andar entre as nações dos Estados Unidos , França , Italia , Australia , Belgica ??? Dinheiro tem a da com pau….Vamos Lá CBM……..e outra coisa , se categoria 65cc no BRASIL andasse em campeonato separado a uns 10 anos pra cá , o Enzo nunca estaria no Nivel que está , pq a pista la era punk…Então parabens a CBM por isso…Pelo Menos isso…. Deixa a Mulecada andar nas pistas grandes !

Ronaldo 'Matimbu' disse:

Fala serio tem que ser ressaltada a era BALBI nos nacoes….por 4 vezes ele fes o trabalho de 3 sozinho!

Lucas dos Santos #103 disse:

Twitter: lucassantos103
esse ano dava pra ser top 6 mas a honda meio q estrago nosso esporte nao liberando os pilotos mais enfim eu acredito nos pilotos selecionados e torco muito por eles e vamoo pra cima deles Brasillllllllll #braaappppp

Leandro van Riel Weber disse:

esse ano tinha que ser TOP10 !

é Editor do Mundocross, site que foi lançado por causa de sua paixão por Motocross e Supercross. Em 1990 ele começou a escrever sobre motos no Jornal VS, em São Leopoldo, no RS, numa coluna onde escrevia sobre Trilhas, Enduro e Motocross. Depois também escreveu para o Jornal O Pódium, Revista Moto Action. Nestes 24 anos teve experiências em eventos internacionais, como Mundiais de Motocross, AMA Supercross, AMA Motocross, Motocross das Nações e US Open Supercross.

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