Entrevista com o presidente Reinaldo Selhorst

Por Jorge Soares | Fotos por Divulgação | 29 de agosto de 2011 - 8:52

Organizar competições de moto em um Estado do norte do Brasil parece não ser uma tarefa fácil, seja pelas dimensões territoriais, calor o ano todo e também a distância do centro do Brasil. As distâncias acabam sendo mais um obstáculo na participação dos principais pilotos estaduais nos seus campeonatos. Mas o Estado de Rondônia tem mostrado que apesar dos percalços, isto não tem prejudicado em nada na excelência da organização dos campeonatos, tanto de Motocross, como Velocross.

Rondônia tem se notabilizado pela organização de mega eventos de Motocross. Até 2003 o Brasileiro de Motocross era disputado lá com grandes corridas e público maior que jogos de grandes clássicos do futebol. E nos últimos anos Rondônia tem como marca registrada a realização de uma etapa do Latino Americano de Motocross MX2, em provas que reúnem os maiores nomes do Motocross das Américas do Sul e Central.

E quem está a frente da competente equipe da Federação de Motociclismo de Rondônia, é o empresário Reinaldo Selhorst, dono da Decar Auto Peças, com lojas em Rondônia. Mas antes dele ser Presidente da Federação Rondoniense, ele é empresário no ramo de autopeças e também pai de piloto de Motocross Rodrigo Selhorst, campeão Brasileiro de Motocross em 2008 na categoria MX2 e que este ano voltou a competir no Rondoniense de Motocross na categoria MX2 com o apoio da Mastter Moto / Honda.

Nestes anos de Presidente da Federação Rondoniense, Reinaldo já teve que tirar dinheiro do bolso para pagar despesas da entidade, e para poder cobrar a conta depois, tinha que fazer bingos e sorteios de carros para arrecadas fundos !! Mas apesar de tudo, o amor pelo esporte fala mais alto !!! Então, agora para vocês, a entrevista 10P Mundocross com o Presidente da Federação de Motociclismo de Rondônia – FMR, Reinaldo Selhorst.

Placa de 5 segundos no ar : Largou…

Vai aqui a pergunta clássica das entrevistas do Mundocross, que é para quem ainda não teve o oportunidade de saber um pouco da tua história no Motociclismo. Por isto, conta para gente como foi que você chegou a presidência da Federação de Motociclismo de Rondônia- FMR.

Reinaldo Selhorst – O que me levou a me envolver com o motociclismo foi a motivação para praticar um esporte, embora na época não tivesse noção do que seria ser um piloto de Motocross. Eu não tinha um planejamento ou um objetivo específico, e as coisas foram acontecendo naturalmente. Nunca deslanchei nesse esporte, de forma que obtive apenas um primeiro lugar em uma única bateria aqui mesmo em Espigão do Oeste, isto nos idos de 1985. A paixão por esse esporte foi que me fez ingressar na organização do Motocross no Estado de Rondônia, e consequentemente chegar a Presidência da FMR.

A entidade maior do motociclismo brasileiro passou nestes últimos três meses por um momento turbulento relacionado a saída de Alexandre Caravana da entidade, e com Assis Aquino assumindo a entidade até a eleição no dia 12 de agosto. Qual a sua opinião sobre o que aconteceu em relação as contas da gestão de Caravana e sobre o desligamento dele da presidência da CBM ?

Reinaldo Selhorst – Minha opinião quanto as contas dele… Foi uma falta de respeito dele com seus afiliados. Não se trata de desligamento, se trata de cassação. Ele foi caçado numa assembleia geral, convocada expecificamente para este fim e as Federações que votaram, fizeram a sua parte, não deixando que mais um presidente desmoralizasse o motociclismo brasileiro.

Reinaldo é presidente da Federação Rondoniense de Motociclismo

Reinaldo é presidente da Federação Rondoniense de Motociclismo

A FIM já divulgou seu pré-calendário para o Mundial de Motocross 2012, e uma das etapas da categoria MX3 está prevista para ser no Brasil no dia 30 de setembro. Existe interesse da FMR e do Estado de Rondônia em receber uma etapa do Mundial de Motocross na categoria MX3 em 2012 ?

Reinaldo Selhorst – Existe, e estamos trabalhando para que isso aconteça. Só que nosso pedido para a data é para mês e maio, em setembro fica inviável para nós realizarmos essa etapa. Creio que para o Brasil fica impossível devido se tratar de ano político, e a data ficar já na semana das eleições. A nossa proposta é para o mês de maio, se houver um acordo de datas, é possível sentarmos para avaliar as condições do contrato para a realização do evento.

Quais as maiores dificuldades que você encontra no dia a dia na gestão da Federação de Motociclismo de Rondônia ?

Reinaldo Selhorst – O item principal é a falta de recurso que todas as Federações tem, por manter uma equipe mobilizada, trabalhando 24 horas em prol do eventos, já que temos uma equipe técnica de profissionais, e uma assessoria de imprensa qualificada. Para se ter uma ideia, neste exato instante estamos reunidos para tratar do projeto de reformulação da próxima etapa, que vai acontecer na cidade de Machadinho, buscando melhorar a cada dia mais o nível dos eventos.

O que está acontecendo que faz três anos que a CBM não recebeu nenhuma verba federal para o desenvolvimento do motociclismo, enquanto que a sua Federação tem recebido apoio dos governos estadual e federal ?

Reinaldo Selhorst – Primeiro, a gestão anterior não teve acesso em Brasília para buscar recursos para realização dos eventos. Em Brasília, você tem de ter um bom trânsito para levar seus projetos e ser encaminhados, e a gestão anterior não tinha essa credibilidade junto aos ministérios. Um fator agravante a mais: a CBM hoje está inadimplente num convênio que foi feito para a participação de pilotos da categoria 85cc no Mundial de Motocross.

Quando foram pegos recursos e não foi feita uma prestação de contas. Por acaso, recebi hoje uma informação de que na gestão Lincoln Duarte, a CBM não prestou contas para a realização de uma etapa do Latino Americano. A CBM hoje está inadimplente junto aos órgãos federais.

Senador Valdir Raupp e Reinaldo trabalham em prol do Motociclismo

Senador Valdir Raupp e Reinaldo trabalham em prol do Motociclismo

Seguidamente o site Mundocross tem recebido questionamentos sobre a liberação da lei de isenção de impostos sobre motos de competição, que você noticiou que seria liberado em maio. Em que pé está e como vai ficar esta lei ?

Reinaldo Selhorst – Eu estou trabalhando em cima deste projeto há mais de 10 anos junto a Receita Federal, ao senador Valdir Raupp (PMDB-RO), que encampou essa bandeira. Em determinando momento deste período, eu pensei em desistir desta luta, mas a causa é justa e vale a pena ter persistência. Realmente foi falado que seria em maio deste ano, mas somente agora a Receita Federal autorizou a inclusão na medida provisória n° 534, através do deputado Mauro Mariani, de Santa Catarina.

Ele foi indicado pela FMR para relatar a matéria e ele aceitou o convite que já está em fase final para que a presidente Dilma possa sancionar essa medida provisória para ai sim, termos a tão sonhada redução dos impostos. Segundo o deputado Mariani, creio que isso acontecerá até o final de agosto. Não vou mais falar em datas, porque não cabe a mim e sim a Receita Federal.

Existe um antes e um depois desta lei. Mas o que posso afirmar é que o motociclismo brasileiro irá dar um salto gigantesco, para que os pilotos possam competir com um custo mais razoável e certamente teremos muito mais pilotos participando das competições estaduais e do Brasileiro. Estamos ansiosos para que isso definitivamente aconteça.

Como você classifica o trabalho da imprensa em relação aos eventos motociclísticos esportivos, e o que acha que deveria ser feito para melhorar a visibilidade da categoria na mídia em geral ?

Reinaldo Selhorst – Como eu classifico esse trabalho. Eu vejo hoje alguns abnegados brasileiros da imprensa, que se dedicam ao motociclismo por pura paixão, não vou citar nomes para não cometer injustiças, pois são muitos. No entanto, enquanto definitivamente o motociclismo brasileiro não se tornar uma empresa, um negócio, a imprensa também vai ficar a reboque. Infelizmente sem dinheiro não existe maneira de criar visibilidade na mídia.

Em 2010 e em 2011 tivemos dois campeonatos nacionais de Motocross: o Brasileiro de Motocross e a Superliga de Motocross. Você acredita que para 2012 possa ser revista esta situação, e numa junção de forças ter um grandioso campeonato Brasileiro de Motocross, com dez etapas por exemplo ?

Reinaldo Selhorst –  Bem, eu vejo que a Liga, ela veio para ficar e isso é bom para o motociclismo brasileiro, porque vamos ter sempre uma disputa para ver quem faz o melhor campeonato e isso é bom para os pilotos que poderão ter a opção de andar num dos campeonatos. É bom para o motociclismo brasileiro, porque haveráconfrontos de ideias e pensamentos, e isso é importante e bom para a qualidade do motociclismo.

Agora o que preciso é que os responsáveis pelos eventos, (Carlinhos Romagnolli, da Romagnolli Promoções), uma pessoa que eu conheço muito bem, um profissional sério e competente promotor dos eventos da Superliga, que sente a mesa junto com a nova gestão da CBM para que as duas entidades possam discutir sobre interesses da categoria, tipo, calendário, para evitar conflitos que venho a prejudicar os estados e eventos internacionais.

Eu por exemplo fui prejudicado na etapa do Latino Americano aqui em Rondônia este ano em razão da gestão anterior não ter informado com clareza a Superliga, que nos dias 6 e 7 de agosto teria uma etapa do Latino MX2 em Rondônia. Fazendo estes pequenos ajustes, tenha certeza que os dois campeonatos irão crescer e muito, porque mercado existe. Agora é preciso fortalecer mais, financeiramente os dois campeonatos, e ter ajuda de custo condizente para o piloto que se classificar no gate. Ai estaremos dando um grande passo para o crescimento do motociclismo.

Selhorst é empresário nos ramos de auto-peças e comunicação

Selhorst é empresário nos ramos de auto-peças e comunicação

Qual é um objetivo ou um desejo que você ainda não conseguiu colocar em prática e quer ver realizado na FMR ?

Reinaldo Selhorst – O que eu quero fazer ainda que não conseguimos e fazer é uma grande premiação para os pilotos, Ainda queremos mais qualidade na nossa organização, queremos uma premiação maior para a prova e o campeonato, e um investimento mais forte na mídia escrita e falada, pois o que temos hoje ainda é pouco.

Para última pergunta, o que você gostaria que o novo presidente da CBM, e sua diretoria, trabalhassem em relação aos apoio as Federações e a ABPMX ?

Reinaldo Selhorst – Com relação as Federações, eu gostaria que a próxima gestão fizesse um trabalho junto aos órgãos governamentais, municipal, estadual e federal. E isso já é do entendimento do novo presidente em fazer este intercâmbio. As vezes as Federações (o que não é nosso caso), tem dificuldade em agendar uma audiência com ministro e governo do Estado, e isso é de fundamental importância para garantia d convênios.

Já conversei com o presidente Firmo, e ele se prontificou a fazer esse trabalho. Com relação a ABPMX, eu acredito que ele (o Firmo Alves), já se prontificou a fazer uma parceria, inclusive abrindo espaços para a ABPMX indicar membros nas  comissões. A ABPMX vai fazer a sua parte, sempre buscando dar condições para que seja feito um trabalho em harmonia com as entidades promotoras dos eventos.

Mundox – Agora a palavra e o espaço são seus.

Reinaldo Selhorst –  Primeiro gostaria de agradecer a oportunidade de ter este espaço neste conceituado site do motociclismo brasileiro e dizer que estaremos buscando sempre a harmonia entre os promotores de eventos do Brasil. Na condição de presidente da ABPMX, queremos trabalhar mais em prol dos pilotos brasileiros para que a classe seja mais respeitada, pois eles são os verdadeiros astros, também são os donos do espetáculos, os artista para que as empresas vendam seus produtos.

Vamos trabalhar em harmonia com a CBM e a Superliga. Queremos que os campeonatos cresçam, quer seja na organização, e na melhoria técnica das pistas, para que os pilotos possam proporcionar um espetáculo de alto nível. Vou contribuir com a nova gestão da CBM, para que realmente o presidente Firmo possa alavancar o tão combalido motociclismo brasileiro.

Perfil de Reinaldo Selhorst
Data de Nascimento : 8 de agosto de 1960
Cidade onde nasceu : Paranavaí – Paraná
Cidade onde mora : Pimenta Bueno – Rondônia
Profissão: Empresário
Exemplo de vida : Meu pai Clemente H. Selhorst e meu amigo Domingo Ângelo de Barba
Exemplo empresarial : Plínio Augusto Bem Carloto – Rondobrás Autopeças
Evento favorito em Rondônia : Latino Americano de Motocross
Evento favorito no Brasil : Os Mundiais de Motocross
Comida favorita : Lagosta
Bebida favorita : Vinho de boa qualidade
Lazer preferido : Curtir a neta Izabela, os filhos Rodrigo e Gabriela e a esposa Cátia
Esporte favorito fora do motociclismo : Atletismo
E-mail e MSN : [email protected]

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Comentários

Fabrício Magalhães disse:

Na minha opiniao esse e o cara que deveria esta na presidencia da cbm,nao entendo esse esporte sempre as pessoas certas nao estao nos locais devidos.

Marcelo Hübner disse:

Demorou mas veio a resposta sobre os impostos.
Valeu Jorge, vc é a igual ao Batman, tarda mas nao falha

é Editor do Mundocross, site que foi lançado por causa de sua paixão por Motocross e Supercross. Em 1990 ele começou a escrever sobre motos no Jornal VS, em São Leopoldo, no RS, numa coluna onde escrevia sobre Trilhas, Enduro e Motocross. Depois também escreveu para o Jornal O Pódium, Revista Moto Action. Nestes 24 anos teve experiências em eventos internacionais, como Mundiais de Motocross, AMA Supercross, AMA Motocross, Motocross das Nações e US Open Supercross.

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