Entrevista com o piloto Evgeny Bobryshev

Por Renato Dalzochio Jr. | Foto por Divulgação | 18 de janeiro de 2013 - 9:18

2012 foi um dos anos mais difíceis na carreira do piloto russo Evgeny Bobryshev, de 25 anos, mas vale lembrar que também foi um ano de adaptação para ele na categoria MX1 do Mundial de Motocross. A estrela russa está de olho na temporada 2013 e na entrevista abaixo, concedida ao site da Youthstream, ele fala sobre suas metas e objetivos para o novo ano. Seu primeiro teste na pré-temporada será o Starcross de Mantova, na Itália, em fevereiro, e ele já está se preparando.

Pergunta – Desde setembro, quando a temporada acabou, você veio para Rússia ou ficou fora até dezembro ?

Bobryshev – Diferente dos anos anteriores, quando fiquei treinando na Holanda até dezembro, este ano mudei meu treinamento físico para a Itália, onde fiquei até o dia 23 de dezembro. Antes disso, em novembro, fui para o Japão conhecer e testar à nova CRF 450R 2013. Na Itália eu estava fazendo treinamento em altitude nas montanhas, correndo a pé e fazendo academia. Estava trabalhando com o Dr. Francesco Pacelli, da Universidade de Pádua, que fica com a gente algumas vezes na pré-temporada. Ele trabalha duro, então há alguma consistência com o que estamos fazendo, o que significa que ele me conhece e sabe do que eu preciso para melhorar.

Pergunta – Como tem sido os treinamentos após o Natal? Com quem e onde você está treinando ?

Bobryshev – Depois do Natal eu continuei com a programação de treinos. Comemoramos o Ano Novo na Holanda, antes de voltar para a Itália para prosseguir nos treinos físicos, só que desta vez com um pouco menos de intensidade. Fomos então para a Sardenha, onde os treinos de moto se uniram aos treinos físicos. Me sinto muito melhor que nos anos anteriores, porque estou física e mentalmente mais forte. Tenho sido duro no treinamento físico, nunca fiz isso antes, por isso me sinto bem sobre como as coisas estão indo.

Pergunta – No teste realizado no Japão em novembro, qual foi sua impressão inicial da nova CRF 450R 2013 ?

Bobryshev – Quando peguei a moto pela primeira vez foi fácil. Fomos para uma pista de areia pesada e o sentimento foi imediatamente bom. O manuseio e o chassi são muito bons e isso é o que realmente importa na pista e nas corridas. Ela é melhor ainda nas curvas e isso é tão bom que me dá confiança para colocar a moto em qualquer lugar que eu queira. É fácil se movimentar sobre ela, por isso a sensação inicial foi boa.

Durante o teste trabalhamos com todas as áreas possíveis da moto e encontramos um bom motor e caixa de câmbio. Isso é tudo o que eu quero no momento, mas agora estamos caminhando para o início da temporada e é necessário fazer o acerto da suspensão. Para ser honesto sinto que não há muito trabalho a ser feito, porque a moto já está boa. Eu estou muito feliz e fiquei realmente impressionado quando pilotei ela pela primeira vez.
 
Pergunta – Quanto ajuda ter o suporte da Dunlop e da Showa ?

Bobryshev – Todos os nossos parceiros trabalham muito de perto para nos ajudar a fazer um bom trabalho. Testamos alguns pneus em diferentes pistas no Japão e continuamos o trabalho desde que chegamos na Sardenha. Temos um bom jogo de pneus para cada tipo de solo, a moto é estável e estamos tentando eliminar qualquer tipo de perda de tração. Todos estão trabalhando duro, e no Japão não foi diferente. É uma honra trabalhar com uma equipe tão grande, eles dão tudo de si e fazem um grande trabalho.

Pergunta – O primeiro teste da sua pré-temporada é o Starcross de Mantova na próxima semana? Quais são suas expectativas ?

Bobryshev – Para mim o clima tem que estar bom, em Mantova nesta época do ano costuma cair neve. Num primeiro momento quero ver como será o meu desempenho nos treinos para depois decidir se disputo ou não a corrida. Apesar de ser um piloto que gosta de competir e ganhar, este ano tem que ser um pouco diferente. Aprendi muito no ano passado, então mudei de ideia e quero ser mais consistente. Quero começar bem em Mantova e fazer minha própria corrida, e é para isso que eu tenho treinado.

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Evgeny Bobryshev

Pergunta – Como está sendo treinar com Max Nagl pela primeira vez ?

Bobryshev – Estou gostando muito de treinar com ele. Max é um bom sujeito, me divirto com ele. Não somos rivais enquanto estamos treinando, mas somos muito focados no objetivo. Nas corridas as coisas podem ser diferentes, mas de um ponto de vista pessoal nos damos bem. Isso é normal porque todos trabalham em torno de um objetivo, ele também está trabalhando duro, então eu respeito isso.

Pergunta – No ano passado você teve uma série de lesões, esta 100% curado agora ?

Bobryshev – Eu não diria que estou completamente curado, a dor no polegar que lesionei em Valkenswaard ainda é grande, mas nada que me atrapalhe na hora de pilotar. Estou muito saudável.

Pergunta – Em relação à confiança, como você se sente sobre si mesmo para este ano ? Vai fazer alguma coisa diferente ?

Bobryshev – No momento eu me sinto muito bem fisicamente e com a moto. Psicologicamente me sinto mais capaz do que antes, mas a MX1 é muito forte. Estou ansioso para conquistar bons resultados e ser coerente. A temporada é longa e você tem que ser forte corrida após corrida. Sei que tenho a tendência de arriscar demais em momentos difíceis, mas este ano vou avaliar o momento de cada corrida para decidir até onde devo arriscar, para evitar muitos acidentes, como aconteceu no ano passado. No ano passado a moto era completamente original e com poucas informações, tivemos que realizar muitos testes durante o campeonato. Este ano estamos mais preparados e sinto que serei forte desde o início.

Pergunta – O que você pensa sobre a primeira corrida ser à noite no Qatar ?

Bobryshev – Estou com minhas dúvidas sobre isso. Lá é muito quente durante o dia e mais frio de noite, então é melhor que a corrida seja noturna porque eu não gosto do calor. A pista vai ser diferente porque eu nunca corri de noite, mas estamos nos preparando para isso. Estou ansioso para ir para lá, nunca estive tão animado como agora.

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é Editor do Mundocross, site que foi lançado por causa de sua paixão por Motocross e Supercross. Em 1990 ele começou a escrever sobre motos no Jornal VS, em São Leopoldo, no RS, numa coluna onde escrevia sobre Trilhas, Enduro e Motocross. Depois também escreveu para o Jornal O Pódium, Revista Moto Action. Nestes 24 anos teve experiências em eventos internacionais, como Mundiais de Motocross, AMA Supercross, AMA Motocross, Motocross das Nações e US Open Supercross.

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