Entrevista com o promotor Giuseppe Luongo

Por Renato Dalzochio Jr. | Foto por Divulgação | 25 de janeiro de 2013 - 8:43

Em uma era onde grandes circuitos estão fechando as portas, os campeonatos nacionais no mundo todo estão perdendo seus pilotos e equipes, e as multidões estão cada vez menores devido às famílias que sofrem dificuldades financeiras, o Sr. Giuseppe Luongo, presidente da Youthstream, empresa promotora do Mundial de Motocross, está observando respostas e mudanças que são 100% necessárias para não deixar o esporte morrer.

Em anos anteriores, o Mundial se aventurou por países como África do Sul, Estados Unidos e Austrália, embora estes mesmos países hoje, assim como a Europa, estão lutando contra a recessão econômica. O próximo passo de Luongo foi encontrar países e cidades que estivessem interessados em elevar seu valor desportivo. Qatar, Tailândia e Índia. Três das economias mais fortes do mundo.

A etapa de abertura anseia-se que será uma das corridas mais interessante e emocionante dos últimos tempos, algo que talvez o esporte nunca tenha visto. Não só o campeonato vai começar na desconhecida Doha, no Qatar, mas também a corrida vai ser de noite, com as categorias MX1 e MX2 largando juntas.

Muitos pilotos estão animados com o evento, mas é claro que há também a velha escola de fãs que olha para isso como uma mudança desconfortável no esporte que amam. Confira abaixo uma entrevista com Luongo, onde ele fala sobre o futuro do esporte a curto prazo e a expectativa para o emocionante GP do Qatar.

Pergunta – Giuseppe, antes de mais nada, quanto você está ansioso pela abertura do Mundial de Motocross deste ano ?

Giuseppe Luongo – Estou muito animado porque eu acho que é algo excepcional, quer dizer, muitas coisas envolvem o Qatar, é a primeira vez que teremos um GP no Oriente Médio, a primeira vez que teremos uma corrida noturna, a primeira vez que as categorias MX1 e MX2 vão correr juntas. Acho que estas três coisas tornam este GP realmente único. Acho que muitas coisas boas vão ser extraídas desta corrida.

Pergunta – Você visitou o Qatar recentemente, qual a sua opinião sobre a região ?

Giuseppe Luongo – O trabalho que eles fazem lá é muito profissional, com o circuito, com a federação, tudo. Com certeza vai ser um evento muito grande. Aquelas pessoas organizam uma etapa da Moto GP há onze anos, eles sabem como organizar um evento impressionante. O alojamento para as pessoas no paddock, o centro de mídia, os restaurantes, os hotéis, tudo é realmente impressionante.

Pergunta – O que você pode dizer sobre o circuito ?

Giuseppe Luongo – A pista que estamos construindo junto com os organizadores é muito boa. Ela vai ser grande. Também trabalhamos de perto com o presidente da federação local para que a corrida seja televisionada em todo mundo, não só o GP do Qatar, mas todos os outros do calendário. Eu acho que tudo vai ser muito bom lá. O complicado é fazer muitos circuitos diferentes um do outro, mas acho que é isso que torna o campeonato especial, porque temos corridas em vários continentes e em diferentes circuitos.

Seja na areia ou na lama, tentamos dar aos pilotos diferentes desafios em variadas condições. Os saltos são naturalmente muito estáveis e todas as pistas estão construídas em áreas boas para o Motocross. A pista no Qatar possui um pouco de tudo. Obviamente os saltos e sessões mais técnicas são mais difíceis. Nós trabalhamos para tornar este evento único e especial no campeonato.

Giuseppe Luongo

Giuseppe Luongo

Pergunta – O futuro do esporte está fora da Europa ou dentro dela ? 50% fora e 50% dentro ?

Giuseppe Luongo – Para mim é muito complicado e ao mesmo tempo muito fácil responder. Na Europa que conhecemos bem, não é novidade que as coisas não estão bem e o futuro não é bom. O esporte vai sofrer porque quando as pessoas não tem dinheiro para comprar as coisas que precisam na vida, como comida por exemplo, obviamente elas também não terão para praticar seus hobbies ou assistir eventos esportivos e de entretenimento. Precisamos encontrar uma solução para que todas as pessoas que trabalham nesse esporte mantenham seus empregos, porque se continuarmos vendo um paddock com 2.500 pessoas e não encontrarmos uma solução para isso, todas essas pessoas vão perder seus empregos. Precisamos encontrar um mercado onde a economia está crescendo, onde a economia está estável.

Lugares como esse são o Qatar, a Tailândia, o Brasil e o México, porque eles estão realmente animados em organizar um GP. Na Europa é diferente, estamos perdendo dinheiro em muitos países e as pessoas que assistem as corridas não estão felizes. Quando vamos a esses países fora da Europa, as pessoas ficam felizes em nos ver. Agora estamos lidando com outros países como Indonésia, Índia e Argentina, e estas pessoas estão animadas com a possibilidade de sediar um GP. Elas querem um esporte novo em seu país. Nós temos que ir a lugares onde as pessoas querem investir em nós, nos pilotos, nas equipes, nos mecânicos, nos meios de comunicação. Precisamos encontrar dinheiro fresco porque se ficarmos apenas na Europa, temos que reduzir os custos em até 50%, e isso significa cortar em 50% as pessoas que trabalham em um GP.

Pergunta – A etapa da Moto GP no Qatar provou que a televisão será fundamental no atendimento ao público que não estiver presente. Na sua opinião, o quanto a TV é importante em todos os GPs do campeonato ?

Giuseppe Luongo – No Qatar o GP televisionado é muito mais importante do que na Europa, o esporte e a organização da etapa vivem mais da cobertura televisa do que os fãs, porque a TV cobre o custo dos organizadores. Estamos negociando um vínculo com a televisão, para poder levar o esporte a muito mais pessoas. Acho que no Qatar o público vai surpreender porque existem muitos pilotos de Motocross lá. O esporte fora de estrada é muito grande no Oriente Médio.

Pergunta – Obviamente a iluminação será muito importante, pode nos dizer algo sobre isso ?

Giuseppe Luongo – A iluminação não será permanente, mas a empresa contratada lida com iluminação de pistas, portanto eles sabem o que precisamos para ter uma boa iluminação. Não podemos ter qualquer tipo de sombra, de modo que as torres estarão no maior número possível de lugares diferentes. Essas pessoas também fazem a iluminação da Moto GP e eles encontram alguma dificuldade com as luzes refletindo na pista. Obviamente essas pessoas são boas no que fazem e a iluminação será perfeita, eles são muito profissionais. No próximo ano teremos iluminação permanente.

Pergunta – O GP do Qatar é um plano de longo prazo ?

Giuseppe Luongo – Sim, este é um plano de longo prazo, o futuro é estabelecer o GP por lá. Pelas relações que estabelecemos a partir deste evento, não há outro país no Oriente Médio que deseja receber um GP neste momento, de modo que isso é muito estimulante para o futuro.

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é Editor do Mundocross, site que foi lançado por causa de sua paixão por Motocross e Supercross. Em 1990 ele começou a escrever sobre motos no Jornal VS, em São Leopoldo, no RS, numa coluna onde escrevia sobre Trilhas, Enduro e Motocross. Depois também escreveu para o Jornal O Pódium, Revista Moto Action. Nestes 24 anos teve experiências em eventos internacionais, como Mundiais de Motocross, AMA Supercross, AMA Motocross, Motocross das Nações e US Open Supercross.

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