Entrevista com a piloto Lívia Lancelot

Por Renato Dalzochio Jr. | Foto por Divulgação | 27 de fevereiro de 2013 - 22:20

Primeira mulher a conquistar um título Mundial de Motocross na categoria Feminina, a francesa Lívia Lancelot disputará os dois primeiros GPs do Mundial de Motocross no Qatar e na Tailândia. Ela irá competir na categoria MX2. Já faz alguns anos que Lívia possui a sua própria programação de corridas, disputando apenas eventos selecionados. Ela já subiu duas vezes no pódio nos X-Games, venceu vários GPs do Mundial de Motocross Feminino e dominou o campeonato Francês, além de ser presença constante em outros eventos famosos de seu país, como o Enduro de Le Touquet.

No Qatar Livia será a terceira mulher da história a disputar um GP do Mundial de Motocross entre os homens, ficando atrás apenas de Stefy Bau e da brasileira Mariana Balbi. Para falar mais sobre o momento que está passando na carreira, Lancelot concedeu esta entrevista, que segue abaixo.

Pergunta – Lívia, como você está se sentindo prestes a começar esta nova temporada ?

Lívia Lancelot – Para mim a temporada já começou há um mês. Disputei os eventos de praia em Hossegor e Le Touquet. Tive que começar meu programa de treinamento mais cedo do que de costume. Para me preparar para as duas primeiras corridas treinei principalmente na areia, com uma Kawasaki 450cc. Fiz minha primeira corrida de Motocross dez dias atrás em Valence e agora estou voando para o Qatar e a Tailândia, onde irei disputar os dois primeiros GPs do Mundial na categoria MX2.

Pergunta – Você recebeu com surpresa o convite para correr no Qatar e na Tailândia ?

Lívia Lancelot – Sim, claro, mas eu ainda não sei porque a Youthstream me convidou para correr nesses eventos !! Mas assim que eles me perguntaram se eu estava interessada em ir pra lá fiquei entusiasmada e aceitei. É bom ver que o promotor do Mundial lá não esqueceu de mim, mesmo eu parando de correr o Mundial Feminino, quando eles colocaram o campeonato junto com o Mundial da MX3.

livia lancelot 2013 face

Lívia Lancelot

Pergunta – Quais suas expectativas para o Qatar e a Tailândia ?

Lívia Lancelot – Recebi o convite antes de Le Touquet, quando eu estava focada nas corridas de praia. Ainda não treinei muito com a Kawasaki 250 em pistas de Motocross, mas mesmo se tivesse tempo para me preparar para este GP acho que não iria mudar alguma coisa para mim. Eu farei o meu melhor e o objetivo será naturalmente me classificar, já que com esta nova regra devo conseguir no treino pré-classificatório um tempo igual ou pelo menos 108% do tempo médio dos dez melhores pilotos. Eu sei que vai ser difícil, mas quero aproveitar esta oportunidade de correr contra os melhores pilotos da MX2.

Pergunta – Em Le Touquet você finalizou no top 50, como foi essa experiência com uma 450 ?

Lívia Lancelot – Quando eu era mais jovem eu fui assistir esta corrida e no ano passado decidi incluir ela na minha programação de eventos. Eu gosto de pilotar na areia, mas esta corrida é específica e para mim foi o momento certo de fazê-la. Eu queria correr de 450, durante o inverno me preparei muito para esta corrida. A moto é mais pesada que a 250, mais poderosa, mas finalmente me diverti muito com ela !!

Você tem que mudar seu estilo de pilotagem mas eu gostei desta experiência. Fiz a corrida de praia em Hossegor para me preparar para Le Touquet e isso me ajudou muito. Nunca corri no meio de tantos pilotos, me diverti e fiquei satisfeita ao terminar no top 50. Eu estarei lá novamente no próximo ano.

Pergunta – Qual será sua programação após o Qatar e a Tailândia ?

Lívia Lancelot – Todo o ano eu estou procurando novos desafios, já que eu não disputo mais o Mundial de Motocross Feminino. Meus patrocinadores estão mais interessados em Le Touquet e nos X-Games, e eu gostaria de fazer tantos eventos diferentes. Em dezembro eu estive correndo o Supercross em Gênova, em janeiro eu estive na praia de Hossegor com uma 450 e na próxima semana vou estar com uma 250 no GP de abertura do Mundial de Motocross MX1 / MX2. Então eu vou disputar, claro, o campeonato Francês e alguns GPs, como Itália e Inglaterra, além do Endurocross nos X-Games. Sempre é bom descobrir novos eventos e novos rivais !!!

Pergunta – É possível para uma mulher ser profissional no esporte ?

Lívia Lancelot – Não é fácil, mas no momento eu posso fazer isso graças a Kawasaki, a Bud Racing, a Fox, a Rockstar e todos nossos parceiros. Eu tenho sorte do Motocross ser minha paixão, e tive sorte de estar no lugar certo, no momento certo.

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é Editor do Mundocross, site que foi lançado por causa de sua paixão por Motocross e Supercross. Em 1990 ele começou a escrever sobre motos no Jornal VS, em São Leopoldo, no RS, numa coluna onde escrevia sobre Trilhas, Enduro e Motocross. Depois também escreveu para o Jornal O Pódium, Revista Moto Action. Nestes 24 anos teve experiências em eventos internacionais, como Mundiais de Motocross, AMA Supercross, AMA Motocross, Motocross das Nações e US Open Supercross.

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