A base é extremamente importante para a evolução

Por Jorge Soares | 08 de Março de 2013 - 22:43

Normalmente quando se fala de Motocross, se fala de corridas nos campeonatos Estaduais, e do Brasileiro, com seus pilotos consagrados e os que ainda estão em busca de seu espaço. Mas antes de se falar dos campeonatos ‘profissionais’ no Brasil, devemos dar, e muita, importância, para as categorias de base, tanto do Motocross, como de outras modalidades como Velocross, Supermoto e também, apesar de não ser o nosso chão, a Motovelocidade.

Aqui no Brasil infelizmente não existe um planejamento estruturado e disseminado de como deve funcionar o passo a passo das categorias de base, desde o momento que um pequeno garoto, ou garota, decidam ser pilotos de Motocross. E para que o processo ocorra da melhor forma, não é preciso inventar a roda, e sim só seguir o exemplo dos Estados Unidos, que é o país onde os organizadores, e por consequência os pilotos, são mestres no esporte.

A Confederação Brasileira de Motociclismo vem a um bom tempo realizando os campeonatos Brasileiro de Motocross com inúmeras categorias, desde a 50 cilindradas até a MX4, o que torna a programação demasiadamente inchada. Na temporada 2012 o número de categorias diminuiu consideravelmente, sendo realizada no final do campeonato a disputa das categorias que ficaram de fora do campeonato, o que foi bem interessante.

Já em 2013 a CBM voltará a cometer o erro, realizando em quatro etapas o campeonato Brasileiro de Motocross Amador, juntamente com quatro etapas do Brasileiro de Motocross Pro. Para fazer a coisa bem feita, repito, não é preciso reinventar a roda, e sim seguir os bons exemplos dos que já foram na frente e estão muito mais evoluídos do que o Brasil no Motocross.

E falar que lá dá certo pois o país é diferente do Brasil, é ficar fadado ao eterno fracasso e admitir que nosso país é incompetente em realizar grandes eventos de Motocross nacionais. O que deve ser feito é o campeonato Brasileiro de Motocross Pro em oito etapas nas categorias MX1 e MX2, assim como é feito no AMA Motocross e Mundial de Motocross. Já no campeonato Brasileiro de Motocross Amador, o que deve ser feito é seguir o exemplo dos Estados Unidos, onde lá eles tem classificatórias Regionais (sete regiões) com a grande final em Loretta Lynn’s.

Aqui no Brasil pode se fazer as classificatórias em cinco regiões (sul, sudeste, centro-oeste, nordeste e norte) com cinco etapas em cada região, com um descarte, e uma grande final reunindo os seis melhores pilotos de cada categoria de cada região, mais um piloto reserva de cada categoria. Para não confundir com o Brasileiro de Motocross Pro, o campeonato pode se chamar Nacional de Motocross Amador, fazendo a corrida final um grande evento em uma cidade de Minas Gerais ou São Paulo para  que a distância fique mais ou menos igual do norte ao sul do país.

Está mais do que na hora, já está muito tarde, para que seja feito um campeonato visando essencialmente as categorias de base, para com isto ir fomentando as categorias do Brasileiro de Motocross Pro. Pois com este campeonato Nacional de Motocross Amador, os pilotos das categorias Júnior e MX2 começariam a ser observados pelos chefes de equipes e patrocinadores para serem contratados para correr no Brasileiro de Motocross Pro, sendo que só quem se classificasse para para correr nas finais do Nacional de Motocross Amador, estaria credenciado para correr no Brasileiro Pro.

Pois desta forma os pilotos chegarão aptos e qualificados para competir no Brasileiro de Motocross Pro, e não como acontece hoje que qualquer um que quiser, e tiver uma moto, se filia, se inscreve e participa de etapas do Brasileiro de Motocross. Se vai se classificar para as corridas pelo fator tempo cronometrado é um outro assunto, mas até aí já fez muitos pilotos correrem riscos, como aconteceu com um piloto uruguaio que correu no GP Brasil de Motocross em Indaiatuba, que não tinha as mínimas condições de estar na pista.

O Brasil está entre 5 e 10 anos atrasado em relação aos Estados Unidos quanto a organização, promoção, venda de patrocínios, merchandising, divulgação e também nível de pilotagem, e se nada for feito, ficaremos cada vez mais atrasados.

Então o negócio é deixar de conversa fiada e enrolação, arregaçar as mangas e trabalhar com mais profissionalismo e eficiência para recuperar o tempo perdido na formação de novos valores no Motocross Brasileiro !!!

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é Editor do Mundocross, site que foi lançado por causa de sua paixão por Motocross e Supercross. Em 1990 ele começou a escrever sobre motos no Jornal VS, em São Leopoldo, no RS, numa coluna onde escrevia sobre Trilhas, Enduro e Motocross. Depois também escreveu para o Jornal O Pódium, Revista Moto Action. Nestes 24 anos teve experiências em eventos internacionais, como Mundiais de Motocross, AMA Supercross, AMA Motocross, Motocross das Nações e US Open Supercross.

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