A locução faz a diferença

Por Jorge Soares | 23 de março de 2013 - 18:23

Em praticamente todos eventos esportivos, o locutor é um fator importantíssimo, pois passa as informações e as emoções aos espectadores que estão no local, ou estão vendo através da televisão, e mais recentemente pela internet. E e é claro, não podemos esquecer do velho e interminável rádio, e novamente a internet através do áudio.

Mas para o locutor poder levar as informações e as emoções da melhor possível, ele tem que ter boas condições de trabalho, com uma cabine com o mínimo de conforto, com temperatura agradável, espaço para poder se movimentar e colocar seus equipamentos de trabalho e um campo de visão previlegiado.

E infelizmente isto muitas vezes não acontece, principalmente nos eventos ao ar livre, onde o locutor ou passa calor, ou passa frio, além de as vezes comer poeira pelo fato da cabine, ou torre de locução não ser apropriada para um bom trabalho. Então o que quero dizer até aqui é que as vezes existem muita reclamação das locuções de eventos, no nosso caso aqui de provas de Motocross, Velocross e raramente Supercross realizadas no Brasil.

Para solucionar esta questão tem que começar por sanar os problemas relatados acima, dando boas condições de trabalho para os locutores, que por vezes as pessoas não se dão conta que eles ficam narrando por até 8 horas em um domingo de corridas, e aí aja voz, aja cordas vocais e resistência da mandíbula para aguentar a jornada. E isto eu posso comentar, pois já tive algumas experiências de falar por duas horas e meia seguidas sem parar, e posso dizer que é cansativo.

Outro fator que por vezes não é visto, é que não se pode comparar a narração de um jogo de futebol, corrida de Fórmula 1 e corridas de Motocross e Supercross pela televisão com corridas de Motocross narradas pelo locutor no local do evento, para o público que está presente. Pois na TV os locutores estão narrando o que está aparecendo para os telespectadores, enquanto que o locutor que narra para o público do evento tem qu estar atento a tudo que se passa na pista e as vezes fora dela também !!!

Um fator que na verdade eu não precisaria nem comentar aqui é em relação a qualidade do equipamento de som, com caixas de som bem espalhadas para que todo público possa escutar a narração, microfones de alto padrão para que o som saia limpo, sem chiados e um fator importantíssimo, o volume do som, que nunca, repito, nunca, deverá ser mais alto que o som das motos, pois o que o público vai olhar no evento são as disputas das motos e não a música.

Então para melhorar narrações dos eventos de Motocross e Velocross no Brasil, o locutor deve ter com ele um comentarista, que estará vendo fatos que o locutor por vezes não conseguirá ver, e também deve ter um ou uma, repórter junto ao público, pilotos e membros de equipes nos boxes, patrocinadores e no pódio buscando informações que o locutor não tem como fazer por estar instalado em sua cabine.

Desejo que na temporada 2013 os problemas de locução ocorridos em temporadas passadas sejam sanados, e para resolver os problemas, a solução não é nada mirabolante. Além de um bom locutor, que entenda do assunto que esteja narrando, de um comentarista que esteja preparado e um repórter dinâmico, devem ser corrigidos alguns pontos, sendo que no texto acima eu dei algumas dicas para que a qualidade da locução seja a melhor possível.

Espero que os organizadores dêem atenção a este ponto importante dos eventos de Motocross e Velocross, pois senão estarão dando murro em ponta de faca, pois as reclamações com certeza virão a tona e com razão, pois já foi comentado tanto sobre este assunto que não existirá desculpas caso a locução não seja de alta qualidade.

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é Editor do Mundocross, site que foi lançado por causa de sua paixão por Motocross e Supercross. Em 1990 ele começou a escrever sobre motos no Jornal VS, em São Leopoldo, no RS, numa coluna onde escrevia sobre Trilhas, Enduro e Motocross. Depois também escreveu para o Jornal O Pódium, Revista Moto Action. Nestes 24 anos teve experiências em eventos internacionais, como Mundiais de Motocross, AMA Supercross, AMA Motocross, Motocross das Nações e US Open Supercross.

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