Top 10 AMA Motocross – Bob Hannah – #2

Por Mariah Morgado | Fotos por Divulgação | 17 de Maio de 2013 - 23:45

O Motocross começou na Europa em 1920 e o continente continuou sendo o poder dominante pelos próximos 50 anos ou mais. Mais tarde no esporte, os pioneiros americanos do motocross não causaram muitos preocupações para os pilotos dominantes da Bélgica, Suécia, Inglaterra e outros. Ao longo dos anos, avanços foram feitos com a mistura que chegou aqui e os americanos começaram a ficar mais rápidos. Os irmãos Ekins, Joe Bulger, John DeSoto, Gary Bailey, Barry Higgins, Mark Blackwell, os irmãos Grossi, os garotos Jones – todos foram parte da evolução, junto com muitos outros. Em 1973, Jim Pomeroy se tornou o primeiro americano a vencer um Grand Prix e mais tarde naquele ano, Jim Weinert seria o primeiro a vencer um Trans-AMA. Brad Lackey eventualmente iria se tornar o primeiro a vencer um Campeonato Mundial FIM, mas isso foi depois. Então Bob Hannah apareceu e o mundo desabou.

Os fãs de motocross daquela época sabem a história de como Hannah apareceu em 1976 “como um furacão,” de acordo com o repórter da Cycle News, Jim Gianatsis, que lhe deu o apelido de Furacão (Hurricane). Uma criança selvagem do deserto da Califórnia com exatamente uma corrida nacional na bagagem (um sexto lugar no Cycle-Rama de 1975 em San Antonio), Hannah foi contratado pela Yamaha para a temporada de 1976.

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Sua primeira parade foi na Flórida, acostumada com furacões, para correr a então gloriosa Winter-AMA Series. Ele dominou a 250 e depois teve duas finalizações decentes no supercross em três corridas que levaram para a abertura do motocross, o Hangtown Classic. Foi lá que Hannah foi dispachado para a categoria 125cc para enfrentar o aparentemente invencível, Marty Smith e sua Honda de fábrica. Foi em 04 de Abril de 1976, um dos dias mais essenciais da história do motocross americano.

O ferozmente competitive Hannah não derrotou apenas Smith e todos os outros. Ele dominou. E ele continuaria a fazer isso ao longo do campeonato. Presumido, Smith estava tendo problemas com sua Honda, mas Hannah estava reformulando o jeito que os homens corriam no motocross. Seu estilo selvagem de pilotagem, sua personalidade extravagante e instintos assassinos era um pacote exclusico que parecia pegar Marty e todo mundo desprevinidos. O padrão para treinamento foi elevado por Hannah, e a velocidade também. Ele conseguia ir mais rápido e mais longe, e ele não se deixava intimidar por ninguém. Na verdade, Hannah basicamente odiava todos com quem ele competia, principalmente os europeus.

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Se era uma atuação ou apenas completa maldade, Hannah abordava toda corrida com um desejo inflamável de vencer e quando o Nacional 125 de 1976 terminou e era hora de correr o Trans-AMA Series contra os verdadeiros mestres do motocross, liderado por Roger DeCoster, Hannah foi para guerra. Ele se apresentou para o The Man (O Cara), e então o pentacampeão do Campeonato Mundial 500cc, correndo por sua perna em Unadilla. Foi um sinal de que o jogo estava mudando e Roger e amigos tomaram atenção. Pelos próximos três anos suas batalhas no Trans-AMA seriam épicas, com os europeus aos poucos dando espaço para os americanos, liderados pela pilotagem selvagem de Hannah, e mais Tony DiStefano, Weinert, Howertone outros. Hannah chocalhava a jaula dos visitantes toda chance que podia, inclusive chamando a todos eles de “bastardos comunistas” pelo microfone no Grand Prix dos EUA 250cc em Unadilla.

Claro que essa lista é sobre o AMA Motocross e Hannah foi excepcional nele. Ele venceu três títulos lá e então gravou 37 nacionals, dividos entre três categorias (sem menciona os três títulos consecutivos do supercross). E enquanto seus números seriam ultrapassados nos anos seguintes, as próprias estatísticas não são o legado de Hannah. O que o tornou essa lenda, e o que ele mudou dentro das pistas, foi sua velocidade, a agressividade, o trabalho e a mentalidade de todos ao seu redor. Ele queria tanto vencer que era contagioso. Você tinha que trabalhar como Hannah e pilotar como Hannah se você quisesse derrotá-lo.

Hannah também preencheu o espaço do supercross para o motocross antes de qualquer outro, levando as habilidades que ele dominou nos estádios e colocando-os em uso do lado de fora. Isso criou largadas rápidas, um ritmo frenético e precisão de saltos requisitados no motocross. E quando a Europa não foi rápida para acompanhar, os americanos logo os superaram.

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Bob Hannah não foi parte da equipe história que venceu o Motocross and Trophee des Nations de 1981 que sinalizou a transferência da força do motocross da Europa para a América – quem fez parte foi Danny LaPorte, Johnny O’Mara, Chuck Sun e Donnie Hansen – mas ele liderou a onda que os precederam. Mesmo que ele tenha sido afastado no auge de sua dominação por mais de um ano com uma perna quebrada em um acidente de ski aquático, sua influência era óbvia no que estava acontecendo nas pistas de corrida em todo lugar. Até mesmo uns dois anos depois que ele voltou, Hannah parecia bem em seu caminho para vencer o AMA 250 Motocross Championship de 1983, e também o título do SX, antes que um punho quebrado novamente o retardava. No ano seguinte foi sua pelve. Depois foi o punho novamente.

Hannah correu bem passado seu auge, as lesões diminuindo sua velocidade, mas não seu desejo. Até o momento em que ele tinha parado nos anos 80, bem além do tempo de seus primeiros companheiros Smith, DiStefano, Weinert e é claro DeCoster, o próprio esporte tinha mudado completamente nos Estados Unidos. Hannah foi a força motriz por trás daquela transformação, mesmo que suas estatísticas puras não refletirem bem a sua profunda influência. Enquanto foi Brad Lackey que vencia aquele primeiro título mundial, foi Hannah que definiu o ritmo por aqui durante aquela era crucial.

Existem diversos pilotos realmente ótimos que poderiam estar em #2 na nossa lista da Monster Energy dos Melhores Pilotos de todos os tempos do AMA Motocross, o que tornou a seleção tão divertida nesses últimos 10 dias. Mas qualquer um que tenha visto Bob Hannah correr em seu melhor absoluto – batendo cotovelos e arrebentando as botas com a velha guarda, liderando o caminho no novo jeito de correr – certamente entende porque Hannah se classifica acima do resto. O Furacão foi o homem que virou o jogo para o motocross americano em sua corrida coletiva contra o resto do mundo.

 

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é Editor do Mundocross, site que foi lançado por causa de sua paixão por Motocross e Supercross. Em 1990 ele começou a escrever sobre motos no Jornal VS, em São Leopoldo, no RS, numa coluna onde escrevia sobre Trilhas, Enduro e Motocross. Depois também escreveu para o Jornal O Pódium, Revista Moto Action. Nestes 24 anos teve experiências em eventos internacionais, como Mundiais de Motocross, AMA Supercross, AMA Motocross, Motocross das Nações e US Open Supercross.

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