Entrevista com o locutor Marcio Frozza

Por Jorge Soares | Fotos por Divulgação | 28 de junho de 2013 - 9:23

Estamos dando prosseguimento aqui no site Mundocross da série de entrevistas com os locutores de Motocross pelo nosso Brasil afora. Como comentamos na primeira entrevista, que foi com Cristian Mascary, a intenção é valorizar quem ajuda a dar brilho aos eventos de Motocross e Velocross nos nossos campeonatos Regionais, Estaduais e Nacionais, informando ao público o que está rolando na pista, e também fazendo entrevistas com os pilotos, que são as grandes estrelas das corridas.

O segundo entrevistado, da série que será mensal aqui no Mundocross, é o gaúcho Marcio Frozza, o ‘Marcinho’, que é locutor oficial do campeonato Gaúcho de  Motocross e Gaúcho de Velocross. Curtam então agora a entrevista com o Marcinho. Boa leitura !!!

Mundocross – Como você entrou nessa vida de locutor de Motocross e Velocross ?

Marcio Frozza – Bom, foi um história interessante. Sai do futebol em 2003, onde narrava o Brasileiro para uma emissora de Erechim, e retornei, juntamente com a família para Marau. Em uma manhã de domingo, o Luizinho e o Dilceu Rizzotto, me convidaram para assistir á uma prova de Motocross em Nova Alvorada, na Pista do Chico Bala. Chegando ao local, o Luizinho disse: Márcio pega o microfone para narrar !!!

Imediatamente recusei, afirmando que pouco entendia do assunto. Após muita insistência sentei no meio da pista com o Dilceu, o qual me dava às primeiras aulas. Depois de quatro ou cinco baterias comecei a gostar da brincadeira… que acabou tomando a proporção que esta hoje.

Mundocross – Qual das locuções você considera que tenha sido a mais emocionante em tua carreira ?

Marcio Frozza – Nossa são tantas. Você observar a evolução dos pequenos na 50, a tocada forte das meninas, o Alberton ganhando uma corrida, dando demonstração de que os obstáculos simplesmente foram feitos para serem superados. Sabe, na verdade todas as corridas são diferentes e emocionantes ao mesmo tempo. Cada uma com um toque particular. Uma que me marcou bastante foi em Marau. Uma prova para arrecadação de brinquedos para o Natal da criança carente.

Na pista, a Maiara (Gringa) e a Janaina (Todeschini), travavam um duelo a parte pela ponta, e na última curva estourou a corrente da moto da Jana, que liderava a corrida, A Maiara ganhou, recebeu a bandeirada e rapidamente se dirigiu onde estava a moto da Jana estragada, as duas passaram em uma moto só na chegada. Este fato foi um dos mais emocionantes porque também demarcava uma nova filosofia no esporte.

198025_140325429488822_1005291284_n

Janaina Todeschini e Marcinho Frozza

Mundocross – Conte um fato pitoresco que te aconteceu durante uma narração de uma corrida de Motocross ou Velocross.

Marcio Frozza – Se me permitir, dois me pegaram de surpresa. O primeiro deles foi em Marau. Largada da categoria MX3, com Sílvio Lodi, Mano Sabbi, Léo Lopes, Açougueiro, enfim, toda a moçada da velha guarda combinados com a direção de prova realizaram a largada, e ao invés de seguirem o traçado original da pista, contornam a primeira curva na direção oposta e todos pararam em cima da mesa de chegada para me entregarem uma homenagem.

 A segunda foi em uma prova do Catarinense de Motocross, em Chapecó. Uma bela estrutura, ato solene, você sempre se prepara para a abertura oficial (discurso forte, com emoção, aquela coisa toda), e o Valter Todeschini aparece com um belo troféu e eu rapidamente afirmo que o troféu será ofertado ao Prefeito Municipal, o prefeito de posse o troféu, interrompe meu discurso empolgado, e afirma que o troféu é na verdade pra mim. Em tantos domingos que fiz muita gente chorar no bom sentido, aquele foi o meu domingo de perder o norte.

Mundocross – Além das locuções das corridas de Motocross e Velocross, você também é locutor de uma Rádio FM. Conte um pouco sobre este teu outro trabalho.

Marcio Frozza – Minha história no rádio começou bem parecida com a do Motocross, meu irmão trabalha em rádio, fui convidado aos 14 anos para ser sonoplasta, ou seja, operador de áudio. Pois bem, num determinado domingo acompanhei a equipe esportiva da rádio para uma transmissão de final de campeonato (futebol de campo). No intervalo da partida o narrador saiu do local da transmissão para pegar água e acabou batendo com a cabeça em um pilar, quebrando quase todos os dentes.

Como a transmissão estava vendida, o repórter e o comentarista não queriam assumir a narração, eu sem nem uma experiência disse: pode deixar que eu narro. Após passar por emissoras, em Arvorezinha, Marau, Erechim, hoje estou em uma nova função de Gerente-Geral, na Rádio Aurora, de Guaporé, com a missão de tornar a emissora referencia na área de jornalismo e prestação de serviço.

Mundocross – Nos últimos seis anos você tem sido o locutor oficial do campeonato Gaúcho de Motocross, e agora na temporada 2013 quais os campeonatos de Motocross e Velocross que você está narrando ?

Marcio Frozza – Gaúcho de Motocross, Gaúcho de Velocross, Copa Norte de Velocross, Copa Cidades de Motocross, e algumas etapas do campeonato Gaúcho de Cross Country.

12446_606393662705839_2057500810_n

Marcinho Frozza e Valério Neto

Mundocross – Qual a maior dificuldade (ou maiores) que você enfrenta como narrador de corridas de Motocross e Velocross ?

Marcio Frozza – Assimilar algumas posturas e atitudes.

Mundocross – Você acha que durante os eventos de Motocross, deve haver junto com o narrador um comentarista, para que aja uma dinâmica maior e uma folga para o locutor, pois narrar por 6 a 8 horas seguidas não é fácil, não é mesmo ?

Marcio Frozza – Não só de um comentarista, mas também de um repórter dentro da pista. Aí seria ideal !!!

Mundocross – O que você considera que esteja faltando para que o trabalho dos locutores de Motocross e Velocross seja feito de uma melhor forma ?

Marcio Frozza – Definição de padrão. Narrador tem que ser o cara que coloca fogo na prova, que emociona, que vibra, que muitas vezes também chora com a bateria em andamento. Tem que ter emoção e comprometimento fiel aos fatos. Comentarista este é o cara que analisa com mais tranquilidade, profundidade, explica o porquê dos fatos ocorridos na pista.

Mundocross – Qual a sua visão sobre o Motocross e o Velocross na mídia em geral hoje em dia ?

Marcio Frozza – Com raras exceções, ainda é bastante tímida.

Mundocross – Agora a palavra e o espaço são todos seus.

Marcio Frozza – Primeiro parabéns, pelo trabalho de vocês do Mundocross, acompanhando o motociclismo de maneira em geral. Eu teria que agradecer a muita, mas muita gente mesmo, mas não quero aqui citar nomes para não deixar ninguém de fora. Agradecer aos amigos que fiz no esporte, mas especialmente a minha família que sempre foi o porto seguro nos bons e principalmente nos maus momentos.

Enfim, acredito que minha contribuição para o esporte conseguiu transmitir, daqui para frente é repensar muita coisa. Mas lembre-se não basta ter moto é preciso coragem para usa lá, valeu.

Perfil do locutor Marcio Frozza
Nome completo : Marcio Pompermayer Frozza
Data de nascimento : 18 de abril de 1975
Cidade onde nasceu : Arvorezinha – RS.

Cidade onde mora : Marau – RS.
Uma lenda do MX Brasileiro : Pedro Bernardo ‘Moronguinho’ Raymundo e Nivanor Bernardi
Pistas de Motocross favoritas no Brasil : Carlos Barbosa e Canelinha
Comida favorita : Churrasco
Bebida favorita :Suco de uva
Tipo de filme preferido : Independente do gênero, mas que consiga transmitir algo de bom para as pessoas
Lazer preferido : Brincar de piloto, sem esquecer um bom futebolzinho
E-mail : [email protected]
Facebook : Marcio Frozza

 

Compartilhe este conteúdo

Comentários

é Editor do Mundocross, site que foi lançado por causa de sua paixão por Motocross e Supercross. Em 1990 ele começou a escrever sobre motos no Jornal VS, em São Leopoldo, no RS, numa coluna onde escrevia sobre Trilhas, Enduro e Motocross. Depois também escreveu para o Jornal O Pódium, Revista Moto Action. Nestes 24 anos teve experiências em eventos internacionais, como Mundiais de Motocross, AMA Supercross, AMA Motocross, Motocross das Nações e US Open Supercross.

Desenvolvido por GetFly