Entrevista com o locutor Amarildo Martins

Por Mariah Morgado | Fotos por Divulgação | 30 de setembro de 2013 - 8:26

Estamos dando prosseguimento aqui no site Mundocross da série de entrevistas com os locutores de Motocross pelo nosso Brasil afora. Como comentamos na primeira entrevista, que foi com Cristian Mascary, a intenção é valorizar quem ajuda a dar brilho aos eventos de Motocross, Velocross e Enduro nos nossos campeonatos Regionais, Estaduais e Nacionais, informando ao público o que está rolando na pista, e também fazendo entrevistas com os pilotos, que são as grandes estrelas das corridas.

O entrevistado desta vez da série mensal aqui no Mundocross, é o mineiro Amarildo Martins, que é locutor de Enduro e Motocross entre outros esportes Off-Road. Curtam então agora a entrevista com o Amarildo. Boa leitura !!!

Mundocross – Como você entrou nessa vida de locutor de eventos Motociclísticos, principalmente o Motocross e o Enduro ?

Amarildo Martins – A minha primeira locução foi em 1998 na cidade de Congonhas, em Minas Gerais  onde vendi para o evento, uma prova de Enduro, jalecos, adesivos, camisas e troféus, que eu fabricava, e como cortesia ofereci a locução, pois eu percebia que os locutores de rádio tinha voz boa, mas não conheciam nada dos pilotos e do esporte. Daí não parei mais…

Mundocross – Como é a vida na estrada para ir narrar corridas de Motociclismo esportivo ?

Amarildo Martins – O grande problema é que não podemos viver somente da locução. Temos que ter outro negócio, sendo assim temos que dar conta do nosso trabalho do dia a dia, com as viagens para os eventos. Com isso ficamos um pouco apertados com o tempo, além da kilometragem do carro ficar lá em cima. Teve um ano que andei noventa mil kms. O resto é muito bom !!!!

Mundocross – Conte um fato pitoresco que te aconteceu durante uma narração de uma corrida de Motocross ou Enduro.

Amarildo Martins – Tiveram vários, mas posso destacar um de Enduro, e outro de Motocross bem interessantes. Em um enduro na cidade mineira de Nova Serrana, fui abordado no meio da largada por um policial, que ordenou que eu não falasse mais e com isso os pilotos não saíssem. Como eu tinha que falar e dar o tempo de largada de 30 em 30 segundos liberando um piloto, não obedeci o o policial, recebendo então voz de prisão. Claro que rapidinho veio o secretário, prefeito e demais autoridades e acabou resolvendo, e ai eu ficava perguntando para o policial : posso continuar ??? Eu to preso mesmo ?? E ele nada de me responder !!!

O outro foi Motocross em Lafayete, em Minas Gerais. Tínhamos na programação no meio da corrida um show de Freestyle Motocross com um grande piloto, o Ederson Lopes, o ‘Panda’, e um outro piloto que se apresentava com uma DT 180 toda amarela, inclusive o pneu, que o nome do piloto era Rogério Mamadeira. E ele tentava fazer saltos e tal, mas no final nunca dava certo !!! Ele chutava a moto, quebrava o capacete, e a galera gostava. Beleza. Só que aí foi liberado o ‘Panda’ para fazer as manobras na mesa principal, e depois dele seria a vez do ‘Mamadeira’. Pois bem, ele, o ‘Panda’ entrou pra pista e já foi para o primeiro salto na mesa. Muito empolgado, o ‘Mamadeira’ não esperou a sua vez, e entrou na contra mão para ir até a mesa. Fiquei sem voz vendo os dois acelerando um de encontro ao outro, e exatamente em cima da mesa o ‘Panda’ passou por cima e o ‘Mamadeira’ por baixo. Sem saber de nada, o público foi a loucura!!! kkkkkkkkkkk  Eu e os organizadores quase tivemos um ataque de coração !!!

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Amarildo Martins

Mundocross – Qual corrida que mais te marcou ? E por quê ?

Amarildo Martins – Uma das mais marcantes foi na cidade de Luisburgo, em Minas Gerais, na semana da morte do piloto Swian Zanoni, (que faleceu no dia 18 de setembro de 2011 em uma corrida de Motocross), aproximadamente 40 kms do local do acidente, e da cidade dele, Divino. Naquele dia não sei de onde tirei palavras para fazer a abertura do evento com uma ‘bela homenagem’ a este que foi um fantástico piloto e amigo e que nos deixou. Espero ter confortado um pouquinho os familiares, amigos e admiradores.

Imagem de Amostra do You Tube

Mundocross – Quais os campeonatos de Motocross ou eventos esportivos motociclísticos que você está narrando na temporada 2013 ?

Amarildo Martins – Então. Este ano decidi dar uma reduzida nos eventos, mas mesmo assim tenho feito bastante coisa como: Copa EFX ASW Honda, em São Paulo e Minas Gerais uma vez por mês. Etapas do Brasileiro de Enduro, Copa Minas Gerais de Motocross, juntamente com o Valério Neto e Zézitto. O Enduro da Independência, e algumas provas extras.

Mundocross – Qual a maior dificuldade (ou maiores) que você enfrenta como narrador de corridas de Motocross ?

Amarildo Martins – Sem dúvidas é a péssima sonorização contratada, e a falta de profissionalismo. Os caras nunca montam o som no horário combinado, falta de sonoplastia e um arquivo variado de músicas.

Mundocross – Você acha que durante os eventos de Motocross, deve haver junto com o narrador um comentarista, para que aja uma dinâmica maior e uma folga para o locutor, pois narrar por 6 a 8 horas seguidas não é fácil, não é mesmo ?

Amarildo Martins – Claro, além do que todos enjoam de ouvir a mesma voz durante um dia todo de evento. No caso da Copa Minas Gerais de Motocross somos três locutores, e ainda sempre levamos alguém para comentar.

Mundocross – Você narrou o lendário Enduro da Independência, qual a sua opinião sobre o evento deste ano ?

Amarildo Martins – Então, o Enduro da Independência 2013 na sua 31ª edição foi simplesmente ‘sensacional’, pois o primeiro, divulgou a Estrada Real, e desta vez divulgou a ‘Rota Imperial’. Fiz uma abertura que dizia assim: É praticamente impossível falar de Enduro da Independência sem antes lembrar de setembro de 1983. Local: Quinta da Boa Vista no Rio de Janeiro a exatamente 30 anos. Um grupo de pilotos se preparavam para a largada para uma aventura incrível, sendo o objetivo percorrer o caminho utilizado por Dom Pedro I durante sua última viagem do Rio de Janeiro a Ouro Preto, naquela época capital da província das Minas Gerais. O caminho a ser utilizado era conhecido desde 1822 como Estrada Real, no ano seguinte, em 1984 a prova largou de Paraty, no Rio de Janeiro, e outra parte da estrada era divulgada. Os anos foram se passando, o evento foi contando sua história no livro do motociclismo nacional, novos adeptos, novos rumos, novos caminhos, porém, uma parte importante dessa famosa estrada não havia sido  inserida no contesto de divulgação deste evento.

Pois bem, setembro de 2013 o Trail Clube de Minas Gerais – TCMG orgulhosamente  apresentou o Enduro da Independência ‘Nos Caminhos da Rota  Imperial’, marco zero, Palácio Anchieta, em Vitóri, no Espírito Santo, que passa por 14 municípios do Estado capixaba e mais 17 municípios de Minas Gerais. Um importante caminho usado num passado distante por Dom Pedro ll em busca de ouro e outras riquezas naturais, onde mais de 400 pilotos se transformam em Bandeirantes, andando por terras de imigrantes Europeus descendentes de alemães, italianos, pomeranos e outros povos, que tem uma forte cultura na língua, arquitetura, religião e culinária, e o modo de vida simples. Chegando na divisa de Estado, passando pelas terras ricas do café, para alcançar o tão esperado ouro, o Ouro Preto das Minas Gerais.

Com certeza o Independência 2013 não só vai ajudar a criar uma nova rota de  aventura, mas também deixando apaixonados como eu por esse caminho lindo chamado ‘Rota Imperial’. Eu sou um apaixonado pelo Estado e pelo povo Capixaba.

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Amarildo Martins e Ramón Sacilotti

Mundocross – Qual a sua visão sobre a atual situação do Motocross Carioca ?

Amarildo Martins – Na minha opinião nosso esporte ainda é pequeno para ser tão dividido. É preciso somar forças. Quando se divide, se divide também a força !! Mas por outro lado não pode ficar na mão de quem não quer o crescimento do esporte. Não falo de um Estado especifico. É fato que em todos os Estados do Brasil, apesar de parecer haver crescimento, o Motocross vem passando por dificuldades, que os pilotos de Motocross não estão se profissionalizando, não ganham com o esporte, muito pelo contrário só gastam e muito…

Mundocross – Agora a palavra e o espaço são todos seus.

Amarildo Martins – Eu sou um cara daqueles que nasceu para viver Off-Road. Com 7 anos de idade eu nem sonhava em conhecer esse esporte. Morava num canto de roça, andava seis km para ir a escola. Detalhe: Rodando um pneu de carro, depois passou para um arquinho de fundo de balde de leite. Quem conheceu isso sabe do que eu estou falando. Quando andei pela primeira vez em uma bicicleta, uma Monareta, fiquei louco. Sonhava com ela todas as noites, porém só tive condições financeiras para comprar uma com 13 anos de idade, com meu próprio trabalho !!!

As lágrimas que derramo no teclado nesse momento não é de tristeza, mas sim de agradecimento a Deus por hoje, mesmo com tanta luta posso ver minha CRF 250R 2012 zeradinha encostada me esperando para andar. E poder conviver com os maiores nomes do esporte do Brasil. Obrigado Pilotos, Amigos, Empresários, Promotores, Colegas da Imprensa, Minha Família, mãe Irani, esposa Débora e filha Gabriela, e Amantes em geral. Obrigado a cada um de vocês !!!

Perfil do locutor Amarildo Martins
Nome completo : Amarildo Martins Azevedo
Data de nascimento : 1º de junho de 1967
Cidade onde nasceu : Pocrane – MG.
Cidade onde mora : Ouro Branco – MG.
Apelido : Vários Hehehehe
Quem é para você uma lenda do MX Brasileiro : Jorge Balbi Jr.
Pista de MX favorita no Brasil : Sobre as Nuvens em Campos do Jordão
Comida favorita : Camarão a milanesa
Bebida favorita : Monster
Tipo de filme preferido : Comédia
Lazer preferido : Andar de moto
E-mail : [email protected]
Facebook : Amarildo Martins Ouro Branco (lotado). Acesse Soul Off-Road (que aceito amigos

 

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é Editor do Mundocross, site que foi lançado por causa de sua paixão por Motocross e Supercross. Em 1990 ele começou a escrever sobre motos no Jornal VS, em São Leopoldo, no RS, numa coluna onde escrevia sobre Trilhas, Enduro e Motocross. Depois também escreveu para o Jornal O Pódium, Revista Moto Action. Nestes 24 anos teve experiências em eventos internacionais, como Mundiais de Motocross, AMA Supercross, AMA Motocross, Motocross das Nações e US Open Supercross.

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