Entrevista com o piloto Rui Gonçalves

Por Mariah Morgado | Fotos por Divulgação | 23 de dezembro de 2013 - 11:47

Rui Gonçalves sempre foi um cara legal, e ninguém nunca duvidou disso. Como piloto, ele chegou perto de ser coroado campeão Mundial da MX2 em 2009, e apenas a contratação de Marvin Musquin para a equipe oficial Red Bull / KTM provavelmente atrapalhou o plano.

Depois de pilotar por seis equipes no campeonato Mundial de Motocross nos últimos anos, Rui parecia estar meio perdido para 2014. Lesões e falta de sorte o colocaram fora do grupo dos melhores pilotos, e ele saiu de sua equipe de 2013 e procurava por algo para a próxima temporada.

A maioria dos melhores pilotos nas equipes de topo já estavam contratados, e o sempre simpático piloto estava cogitando em correr no campeonato Português de Motocross. Então apareceu o cara legal do Motocross, Steve Dixon, e fez sua mágica acontecer. Agora parceiros, Gonçalves e Dixon têm um acordo de fazer algo especial na categoria MXGP.

Pergunta – Você foi um dos caras que todos pensavam: O que Rui vai fazer em 2014 ?

Rui Gonçalves – Eu mantive a calma e estava sempre procurando o que era possível, e eu tinha outras coisas, mas meu objetivo era correr na categoria MXGP com uma equipe muito boa, com boas condições. E a Yamaha Portugal e a Yamaha Europe também se envolveram e fizeram acontecer com a equipe de Steve Dixon.

Eu sentia que ainda tenho muito para provar no Mundial, e 2013 não foi meu melhor ano. Quero virar o jogo em 2014 e entrei em contato com Steve. Ele tem motos muito boas e uma boa equipe. Eu não queria apressar nada e meu objetivo era sempre encontrar algo, e encontrar algo bom para os GPs.

Pergunta – A categoria MXGP (ex MX1) está lotada e parece ter mais pilotos bons do que boas equipes. Você escuta pessoas talvez indo para o Mundial de Enduro ou fazendo apenas seus campeonatos nacionais ?

Rui Gonçalves – Teve a conversa de ir para outros países, outros campeonatos, mas meu objetivo era sempre estar no Mundial e isso foi sempre o que eu quis. Quando a chance de correr pela Bike it Cosworth / Yamaha veio, isso colocou um grande sorriso no meu rosto. Eu só tenho 28 anos e eu sei que ainda tenho algo para dar no campeonato Mundial. Eu posso deixar as portas abertas para outras direções, mas nunca foi minha prioridade.

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Rui Gonçalves

Pergunta – A categoria MXGP é bem difícil, com muitos pilotos muito bons e muita intensidade e tem os caras como você, que por causa da regra da idade, não podem mais correr na MX2. Isso dificulta as coisas, mas sabemos que você não é alguém que olha para trás, você só olha para a frente.

Rui Gonçalves – Eu quase sempre olho para a frente. O ano em que fiquei em segundo no Mundial na MX2 em 2009, eu provavelmente teria ficado na categoria se não fosse pela regra de idade. Em 2013, eu pude pilotar uma 250 4 Tempos e isso me fez lembrar o quanto eu gostava de pilotar aquela moto e dos bons tempos com ela. Também foi em uma KTM, é um estilo de pilotagem diferente do que com a 450 e foi divertido, mas é assim que é, e eu só posso olhar para a frente e me concentrar na categoria 450.

Pergunta – Steve Dixon sempre teve boas motos, como vimos no Motocross das Nações desse ano com Dean Ferris. Embora tenha sido dito no passado que a moto 450 não é fácil de pilotar como a Yamaha 250. Você já andou na Yamaha ?

Rui Gonçalves – Eu andei de Yamaha quando eu corri no Mundial pela primeira vez, mas isso foi há muito tempo. Eu confio na equipe e no Steve, e sei que eles farão uma moto boa. O novo modelo 2014 da YZ450F parece bom e eu mal posso esperar para começar a pilotá-la.

Pergunta – Depois da saída Dean Ferris, que foi para o AMA Supercross e AMA Motocross pela equipe oficial KTM nos Estados Unidos, Steve mencionou que ele não se importava se ele tivesse um piloto na categoria 450 ou não, mas como você e todo mundo sabe, Steve é apaixonado pelo esporte. Como o contato entre vocês aconteceu ?

Rui Gonçalves – Começou devagar. Eu já estava conversando, mas eu estava sempre procurando por uma equipe no Mundial e a primeira vez que falei com Steve foi muito positivo, e com a ajuda da Yamaha Portugal as coisas começaram a se encaixar. Obviamente a situação com Dean não foi legal para nenhum dos dois, mas aconteceu e obviamente Steve precisava pensar sobre o que ele queria fazer. Eu não posso agradecer o suficiente ao Steve por me deixar pilotar por ele em 2014.

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Rui Gonçalves

Pergunta – Você tem dois meses para preparar a moto para o Qatar, o que não é muito tempo. Qual é o plano até chegar no Qatar ?

Rui Gonçalves – O objetivo é começar construindo desde aqui. Nós não temos muito tempo, mas é uma longa temporada e o plano é ir crescendo dentro do campeonato, sendo que as primeiras etapas são em outros continentes, e nós vamos trabalhar em uma boa direção. Estou realmente animado para isso. Parece como se tivesse nascendo de novo. Eu quero fazer as coisas do jeito certo e não vai acontecer da noite para o dia, mas eu confio na equipe e eles confiam em mim, e vamos mostrar o potencial mais para frente na temporada.

Pergunta – É engraçado, mas você nos lembra muito Shaun Simpson. Os dois correram pela Red Bull / KTM e tiveram uma chance de vencer o campeonato Mundial MX2. Os dois mudaram para uma seleção de equipes, os dois foram pilotos muito bons da MX2, e Shaun provou que a Yamaha era boa o suficiente para vencer.

Rui Gonçalves – Nós fomos colegas de equipes na KTM e nossos objetivos eram os mesmo em 2009, e eu fiquei em segundo e Shaun se lesionou. Para ser honesto, com todo o respeito, eu não me comparo com nenhum dos outros pilotos e eu sempre tento trabalhar mais duro e tentar melhorar. Algumas vezes é muito difícil, mas eu quero ficar melhor do que era antes.

Pergunta – E em relação a 2013, comente não sobre sua pilotagem, mas o campeonato no geral ?

Rui Gonçalves – Eu achei que foi um bom calendário. Nós fomos a pistas diferentes, pistas novas no exterior e obviamente com a situação na Europa, é difícil de encontrar as corridas e apoio financeiro para organizar corridas e ir para o exterior é um bônus. Quero dizer, é mais trabalho e não é fácil, mas é um campeonato Mundial e não pode acontecer apenas na Europa. Maggiora voltou e foi bom, mas Portugal não estar no calendário em 2014 me desapontou obviamente.

Pergunta – E Portugal ? Você teve sucesso lá, o país esteve no calendário por algum tempo, mas não está no de 2014.

Rui Gonçalves – É difícil porque eu sou o único piloto de Portugal no cenário do Mundial de Motocross. Eu tive minhas maiores lembranças lá, vencer o Grand Prix diante dos meus fãs e isso foi o destaque do meu ano. Eu fico sempre feliz em ir lá e ver os fãs, mas não há nada que eu possa fazer. Eu espero que fique fora do calendário apenas no ano que vem, e que volte em 2015.

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é Editor do Mundocross, site que foi lançado por causa de sua paixão por Motocross e Supercross. Em 1990 ele começou a escrever sobre motos no Jornal VS, em São Leopoldo, no RS, numa coluna onde escrevia sobre Trilhas, Enduro e Motocross. Depois também escreveu para o Jornal O Pódium, Revista Moto Action. Nestes 24 anos teve experiências em eventos internacionais, como Mundiais de Motocross, AMA Supercross, AMA Motocross, Motocross das Nações e US Open Supercross.

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