Revista especializada americana destaca Enzo Lopes

Por David Bulmer | 09 de dezembro de 2014 - 12:26

A revista americana META (da Vurb), uma das mais prestigiadas nos EUA, que aborda sobre pilotos que são considerados parte da elite do motocross americano amador e profissional fez uma crônica sobre a carreira de Enzo Lopes.

O piloto brasileiro que tem participado e se destacado em competições naquele país é apontado pela revista como uma aposta nacional.

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Confira na íntegra em português:

 A APOSTA DE UMA NAÇÃO

Texto de David Bulmer

Brasil: Praias tropicais, coquetéis, uma mistura vibrante de ritmos e movimentos,  cor, e futebol, muito futebol… O motocross não está no topo da lista das coisas típicas do Brasil. No entanto, é no jovem fenômeno Enzo Lopes que os brasileiros depositam sua confiança de que ele se torne o próximo Neymar do motocross.

Ele tem apenas 15 anos de idade, talvez seja cedo demais para colocá-lo num pedestal ao lado dos maiores nomes do esporte atualmente. Mas ambos são atletas da Red Bull Brasil, ambos tiveram que deixar seu país para ganhar reconhecimento pelos seus esforços, competindo contra os melhores atletas das suas respectivas modalidades esportivas.  No caso do Neymar, foi sua ida para o Barcelona, um dos principais times de futebol do mundo, enquanto que para Enzo foram os campeonatos nacionais nos Estados Unidos, onde ele compete desde 2009.

Claro, Lopes não é o primeiro brasileiro a encantar o cenário americano do motocross; a dupla de irmãos Antonio Jorge Balbi Junior e Mariana Balbi tiveram seus nomes marcados no AMA Motocross na década de 2000. O melhor resultado de Antonio foi um 12o lugar no campeonato de 2008, enquanto que Mariana terminou em quarto lugar logo atrás do trio Ashley Fiolek/Tarah Gieger/Jessica Patterson no campeonato feminino de 2012.  Definitivamente os irmãos Balbi têm “pedigree”, mesmo que nunca tenham estado no topo dos campeonatos que disputaram.

Já no Brasil, os Balbis são muito bem sucedidos, mas mesmo com tão pouca idade, Enzo já supera Balbi e Milton Chumbinho Becker (outra lenda do motocross brasileiro) nos rankings da Federação Brasileira de Motocross; com muito tempo ainda pela frente, o legado de Enzo no motocross brasileiro já está garantido.  No entanto, ao invés de estar satisfeito apenas em competir, Enzo também vem promovendo o esporte em seu país, permitindo que suas pistas sejam usadas como um centro de treinamento para outros pilotos. Depois do GP Brasil em Goiás neste ano, ele conseguiu levar o Grande Stefan Everts para a sua pista para lhe dar uma mão e treinar jovens pilotos por dois dias, e nem mesmo o fabuloso Everts pôde ofuscar a presença do jovem Lopes.

Enzo atrai uma atenção impressionante em cada corrida que participa, desde os fãs até as equipes e fabricantes. Ele é um verdadeiro galã para as meninas da sua idade – seu sotaque marcante e sua boa aparência complementam sua incrível habilidade com a moto. Mas a indústria como um todo também aprecia a conduta de Lopes dentro e fora da pista.  É por isso que Red Bull, Pirelli, Mobil e KTM têm dado apoio ao piloto. Enzo Lopes faz coisas que a maioria das grandes marcas esperam que sejam feitas, tanto no Brasil como no exterior, correndo pelos boxes com um sorriso tímido no rosto, dando autógrafos para os fãs e mantendo o mundo atualizado sobre suas viagens através de toda e qualquer rede social que esteja na moda.

Mas como foi que um guri do sul do Brasil se tornou essa estrela de tamanha grandeza, e o que o futuro reserva para um piloto que já acumulou mais milhas aéreas que a maioria dos executivos de carreira? O nome ENZO LOPES apareceu pela primeira vez no cenário americano em 2011, quando ele teve um ano surpreendente na categoria 65cc, ganhando baterias e campeonatos (inclusive o vice-campeonato do Loretta Lynn´s), nivelando-se aos melhores pilotos americanos. No mesmo ano, ele foi para a Itália competir no Campeonato Mundial Junior de Motocross e faturou o vice-campeonato, logo atrás do piloto espanhol Jorge Prado Garcia (atualmente piloto de fábrica da KTM na Europa).  Esta combinação de resultados catapultou Enzo diretamente para a elite de pilotos e permitiu que ele ganhasse mais apoio e patrocínio para continuar viajando entre o Brasil e os Estados Unidos três ou quatro vezes por ano.

Claro que os pais do Enzo têm um papel importante no apoio à sua carreira, e como o seu pai, Leo, tem uma loja de peças e equipamentos de motocross na sua cidade perto de Porto Alegre, na verdade as viagens do Enzo acabam ajudando a movimentar o negócio da família e também suas corridas, já que consegue importar peças e equipamentos mais baratos dos Estados Unidos para estocar em sua loja. Mas além de apoiar o Enzo em sua carreira, Leo e sua esposa, Delaine, são também grandes fãs do esporte como um todo.  A casa deles está lotada de fotos emolduradas do casal posando com grandes nomes do motocross como Ricky Carmichael e Chad Reed, dentre outros grandes pilotos.  Infelizmente, devido à rotina extremamente agitada de quem compete de motocross, eles quase nunca têm tempo de ficar em casa; sempre há alguma corrida em algum lugar da qual eles precisam participar.

Obviamente, a rotina de viagens acaba impactando a vida escolar do Enzo, mas não pense nem por um segundo que sua educação sofre com isso. Seus professores dão um jeito para que ele absorva todo conteúdo perdido quando retorna de viagem, às vezes promovendo aulas e provas extras depois do período normal da escola, até para que não digam que ele recebe um tratamento especial com relação aos demais colegas. Sua escola anuncia seus resultados em reuniões, mas procura divulgar somente os maiores feitos, para tentar balancear a atenção para com os  resultados dos outros times e esportes em que a escola investe.

Apesar de tudo isso, o sistema parece estar funcionando: Enzo gosta de ir à escola tanto quanto outro adolescente de 15 anos, e mantém um bom grupo de amigos também fora das corridas, mesmo tendo que correr para não ficar defasado nas tarefas da escola.

Suas viagens constantes para os Estados Unidos têm colaborado e muito para suas aulas de inglês, mas é o seu desempenho nas pistas que decidirá o destino do jovem Enzo Lopes.  Como já mencionamos, seus resultados já o tornaram o único piloto de motocross patrocinado pela Red Bull Brasil, e foi através dessa parceria que o evento Stefan & Enzo Ride Camp pôde ser realizado.  O que também colaborou para levar  Everts para a casa do Enzo foi a amizade que despontou entre as famílias dos dois pilotos. É um relacionamento que vem crescendo desde que Enzo conheceu a lenda belga em 2012; desde então Enzo vem treinando com Everts, frequenta sua casa, fez amizade com seu filho, Liam, e vem se hospedando na oficina da KTM na Bélgica para se preparar para as etapas do Campeonato Mundial Junior de Motocross.

Tudo isso soa extremamente positivo para o Enzo, mas talvez a decisão mais difícil agora seja alcançar o próximo estágio da sua carreira. Lopes cresceu correndo nos Estados unidos, mas seu relacionamento com o chefe de equipe da MX2 da KTM poderá ajudá-lo caso ele queira competir no Campeonato Mundial ao invés dos campeonatos americanos do AMA. Ter opções nunca é uma coisa ruim, apesar da pressão que os pilotos amadores sofrem para ganharem corridas que os levem para os rankings profissionais o mais rápido possível.  Derrotar outros jogadores online no videogame Mad Skills Motocross (ele é um dos melhores no Brasil também…), pedalar com sua mountain bike, jogar futebol ou fazer provas na escola, tudo isso ele precisa curtir – bom, talvez o último item, nem tanto – antes de decidir o futuro da sua carreira, e esta será uma dúvida que Enzo e sua família tentarão solucionar umas cem vezes…

Seja o que for que o Enzo decida fazer, ele terá deixado um monte de gente extremamente orgulhosa no Brasil, e este é um país que nunca deixou de mostrar ao mundo o seu orgulho.

 David Bulmer

Fotógrafo e Editor da Revista META, uma edição da VURB Moto especializada em Motocross nos Estados Unidos

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