Foto do dia Mundocross

Por Mariah Morgado | Foto por Nelson Santos Jr. | 02 de maio de 2015 - 12:36

Raul Guilherme teve uma experiência nova e prazerosa no Rally Ilha Comprida nos dias 09 e 10 de Abril, em São Paulo. O carioca aceitou o desafio de experimentar as competições de rally e obteve um ótimo resultado para um estreante nesta categoria, o que não é uma surpresa visto o vasto currículo e troféus adquiridos durante sua carreira de mais de 15 anos dentro do Motocross e Supercross. Deixamos o próprio Raulzinho, como é conhecido entre os amigos, contar cada detalhe de sua experiência.

“Um clima de competição prazeroso, lugar incrível e uma modalidade nova.
Confesso que estava temendo ir disputar uma prova, sem nenhum preparo e conhecimento sobre a modalidade. Além de tudo numa moto que nunca havia pilotado e com características bem diferentes.
Por não ter frescuras e me adaptar rápido as condições. Andei um pouco com a moto na sexta, fiz uns ajustes e já sabia como ela se comportava. Claro que com mais treinos e regulagens iria ter tirado maior proveito dela, mas isto não iria servir de desculpas, até porque não sabia como era a prova e nem como estavam as motos dos outros pilotos que já competiram por lá em anos anteriores para ter uma referencia.
Sábado teve um briefing e é tal de zona de radar, velocidade pico, controle horário…enfim, sai dali mais preocupado ainda em não conseguir entender como na pratica isto tudo acontecia e acabar tomando penalidades.
Fui a 22° moto a largar, por um lado isto era bom, pois não iria me perder fácil. Por outro sabia que poderia ter que realizar ultrapassagens e pegar poeira.
Larguei e daí amigo, não tem este negocio de estou conhecendo a modalidade, vou na boa etc…quando me dava conta estava a mais de cem, sem imaginar o que vinha pela frente. O percurso estava bem sinalizado, mas olhar o vel. a mais de 140km:h em estradinhas de chão, pedra, água, buraco…foi de assustar um pouco. Muitos lugares vi que podia estar com uma coroa menor, a moto estava no limite dela e dava pra andar mais. Devia estar a uns cento e pouco, apareceu uma placa (radar a 100 metros), freie tudo porque sabia que ali não podia andar a mais de 60 Km;h e tinha que disparar o cronômetro no guidon e marcar seis minutos. Cheguei neste primeiro radar no susto, e agora!? Mas fiz tudo certinho.
Inicio de mão no fundo novamente, vi uma moto. Pensei, como vou passar este cara, nesta estrada apertada andando a mais de cem por hora…este era o primeiro de alguns pilotos que tive que passar, sabendo que não podia perder tempo para passar, mas ao mesmo tempo precisava passar num local menos perigoso possível. Segunda zona de radar e aquilo já não era mais novidade, foi mais tranqüilo fazer os procedimentos. Mão no fundo novamente, só Deus sabia o que vinha pela frente e eu ali andando a mais de 130 \ 140 quando começa umas poças que não tinha como não passar a não ser pelo meio delas. Não fazia idéia se eram fundas ou rasas e neste primeiro momento passei bem tranqüilo imaginando que todos passaram na boa também. Acabaram as megas poças e mão na lata. A moto no limite e tendo estrada para andar mais, sentava lá no tanque traseiro, cabeça baixa para diminuir o atrito com o vento… Duas vezes passei reto em duas curvas e algumas outras tirava a mão bem antes de onde podia ter tirado, mas fui tentando memorizar, pois sabia que iríamos passar por lá novamente. Para finalizar o ultimo trecho cronometrado desta especial, estava na zona de radar com mais um piloto e faltando uns 10 seg para dar meu tempo de largar o cara saiu na minha frente…quase chorei. Ele arrancou e sabia que iria andar na poeira dele. Era uma das maiores retas numa estrada de uns 10 metros de largura, fui na beirinha esquerda da estrada as vezes via alguma coisa, as vezes fechava tudo, mas a mão estava no fundo e consegui passar ele numa freada forte pra direita. Fechei a primeira especial e tinha que me deslocar uns 40 KM, passar na vistoria do gps, reabastecer a moto, comer etc tudo no tempo de 1:20 para estar alinhando na segunda especial do dia.
Foi me passado que tinha feito o sexto melhor tempo até aquele momento. Foi uma boa referencia, mas não fazia idéia do gap para andar o mais próximo possível dos ponteiros.
2° volta, mas 85 km de especial.
Fiz tudo certinho, cheguei com 10 minutos de sobra e mais confiante, pois bem ou mal já sabia como era. Conversei um pouco com os pilotos mais rápidos que estavam lá, todos parceiros sem clima de rivalidade, um clima de competição mais bacana que estou acostumado. Ali senti que em partes como as poças eles passaram bem mais forte que eu passei e imaginava que eles iriam passar. Constatei também que o que eu senti de falta de final da minha moto era fato, vi no máximo 142km|h eles falando que botaram mais de 150 (é rápido hein). Enfim, tudo se tornando experiência.
Rolou uma falta de comunicação minha com o controlador e uma novidade que parece que fizeram nesta prova que me pegou, pois não sabia que iriam controlar o horário novamente num papel que fica conosco para definir a ordem de largada para 2° volta. Quando eu cheguei lá no parque fechado, não me pediram o papel e quando fiz o controle foram 8 minutos depois. Com isto, pilotos que eu havia passado e até um quadri largou na minha frente.
Larguei, imaginando que seria mais fácil. Pois já conhecia o percurso. Logo na primeira parte da especial vi que não só as motos, mais os quadri e os utv fizeram verdadeiras valas e buracos. Como o terreno era em sua grande maioria arenoso ficou bem mais técnico de pilotar.
Resumindo a segunda volta, novamente mais ultrapassagens que acabam prejudicando um pouco, passei o quadri numa estrada apertada de largura a mais de 120km\h com medo do piloto mudar o traçado e sem querer me encostar. Mas no geral fiz uma segunda volta melhor que a primeira e mais confortável em estar andando em tal velocidade.
Fechei a segunda volta em sexto parece, terminando o primeiro dia do rally na sexta colocação geral e em terceiro na minha categoria.
No final do dia, rolou um prime que é mais um espetáculo para o publico do que especial mesmo. Este percurso era numa pista de motocross, com umas mesinhas curtas e saia na beira da praia para duas curvas e uma reta pequena. A largada do prime era de 30 em 30 segundo, larguei em 22° e ali já tinha certeza que isto seria ruim. Acabei pegando um piloto mais lento na saída do motocross para a praia, tendo que ultrapassar, mas foi divertido andar no motocross com a moto que estava e acabei fazendo o 3° melhor tempo na geral. Todos bem próximos.
Domingo;
O segundo dia de prova foram duas especiais de 110 Km, já estava me sentindo bem mais confortável com tudo e ainda pra melhorar, iria largar em 6°. Não peguei em momento algum ninguém na frente nas partes das especiais e consegui andar bem melhor nas duas voltas. Na primeira volta fiz 5° na geral e 2° na minha categoria e na segunda e ultima especial, fiz 4° na geral e 1° na minha categoria. Como no primeiro dia eu tomei muito tempo dos ponteiros os resultados foram iguais ao primeiro dia. Fechei em 6° lugar na geral e 3° na minha categoria.
Achei muito bacana a modalidade, o clima o aprendizado. Foi um final de semana que ficará guardado na memória. Sem falar que a beleza da Ilha Comprida deixou tudo muito mais prazeroso em acelerar por lá.
Graças a Deus em casa sem nenhum arranhão!!!
Obrigado a equipe Cariocas pelo apoio e por me levar pra prova.
RACE-TECH – MOTOREX – MORMAII – DECALART – EDGERS

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