Entrevista com Carlos Campano, tricampeão brasileiro MX1

Por Mariah Morgado | Fotos por Sílvio Bilhar | 16 de dezembro de 2015 - 21:21

Hoje vamos bater um papo com o espanhol, Carlos Campano, que se tornou tricampeão de Motocross há algumas semanas em Três Rios.

Mundocross – Olá, Campano. Primeiro gostaríamos de parabeniza-lo pelas conquistas recentes e agradecer por dispor deste tempo para conversar conosco e com os leitores do Mundocross.

Campano – Obrigado! Para mim é um prazer estar aqui com vocês.

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Mundocross – Vamos começar fazendo uma avaliação de sua temporada 2015. Conte-nos sobre a sua campanha deste ano.

Campano – Foi uma temporada difícil, com um alto nível nos principais rivais e uma briga muito legal pelas vitorias. Mas gostei muito da competitividade, ganhei a Copa Brasil, o Brasileiro pela terceira vez, segundo na Superliga apesar de ter machucado as costas… Só faltou estar na briga pelo Arena, que acabei em terceiro, e isso é algo que tenho já na cabeça para melhorar no próximo ano.

Mundocross – Você está no Brasil a quase 4 anos e passou por muitos lugares, pistas, corridas, desafios e conheceu muitas pessoas e pilotos brasileiros. Como você descreve a evolução do Motocross brasileiro desde sua chegada até o final desta temporada?

Campano – Enquanto as pistas, em 2012 foram boas e gostei muito de algumas como Carlos Barbosa, Beto Carrero, Canelinha. Depois o nível decaiu bastante, mas em 2015 o tratamento e os traçados melhoraram de novo. As equipes evoluíram muito mesmo, e a maior diferença é o ritmo dos pilotos. Agora o campeonato é um dos mais fortes que eu já vi.

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Mundocross – Com um número considerável de pilotos estrangeiros nas competições brasileiras nas últimas temporadas, como você avalia esse intercâmbio com os pilotos brasileiros?

Campano – Acho que esse intercâmbio foi ótimo para os brasileiros. Agora são bem mais profissionais, mais rápidos e mais fortes do que em 2012. A evolução deles foi muito rápida, e isso é importante para o esporte crescer.

Mundocross – Com sua experiência em competições europeias, como você descreve as competições brasileiras em comparação com as estrangeiras por quais já passou?

Campano – Agora mesmo, a única coisa que não está ao melhor nível no Brasil é o calendário. Tinha que ser bem mais organizado, para ajudar as equipes e pilotos a darem seu melhor, estarem mais preparados, poderem se organizar e irem para algumas etapas internacionais. Agora é tudo muito instável, você não sabe com certeza se uma etapa vai a acontecer o não…O Arenacross acabou no dia 5 de dezembro, é horrível para o descanso e preparo da temporada 2016. No resto, o Brasil tem um dos melhores campeonatos nacionais.

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Mundocross – Você pretende retornar para a Espanha e voltar a competir pela Europa?

Campano – Não. Em 2016 vou estar no Brasil, com a Yamaha Geração. Depois, eu sempre avalio todas as opções.

Mundocross – Este ano tivemos alguns circuitos novos. Qual foi seu circuito preferido de 2015?

Campano – Gostei muito de Limeira, com areia e muitos buracos. São Jose, ainda depois de muita chuva, foi perfeito, muito técnico, com canaletas e muitas opções para ultrapassar. A infraestrutura do Tapejara foi top, só tinha um chão muito duro. Paty de Alferes era bem desafiante. Todas foram muito boas este ano, Três Rios era curta demais, mas a que menos gostei foi Indaiatuba. Não foi tão ruim, mas depois de competir a um certo tempo no Mundial e Superliga, a pista não estava tão bem tratada nesta ocasião.

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Mundocross – Qual foi a maior dificuldade da temporada pra você? Qual foi a etapa mais difícil?

Campano – A Superliga… Cheguei com quatro costelas quebradas de uma queda na Copa Minas e foi muito ruim para mim. Briguei muito para tentar ganhar e acabei perdendo na ultima volta.

Mundocross – Com quase 4 anos em terras brasileiras, o que você aprendeu ao longo desses anos de experiência? O que do Brasil que você diria que irá carregar para a vida de Carlos Campano?

Campano – No Brasil ninguém se desespera. De uma forma ou outra as coisas vão acontecendo. Isso às vezes é legal, ficar calmo e tranquilo, embora muitas outras é mais um problema que uma virtude .

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Mundocross – Quais seus planos futuros? O que Carlos Campano pretende para 2016 e para as próximas temporadas?

Campano – Meu objetivo é ganhar o Brasileiro com Yamaha de novo. E voltar a ganhar o Arenacross. Também estou preparando outro projeto de uma escola, em breve divulgaremos tudo.

Mundocross –  Campano, agora o espaço é seu para suas considerações finais e agradecimentos.

Campano – Só queria agradecer aos brasileiros por todo o apoio. Já são muitos anos morando aqui, e as pessoas me fazem sentir em casa. Só posso agradecer por isso, e dar meu 100% sempre para poder retornar esse afeto que me mostraram durante estes anos. E com certeza agradecer a equipe Geração, meu mecânico Rafa Rocha, Yamaha e todos os apoiadores por me darem as melhores condições para eu brigar por vitórias.

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Perfil do piloto Carlos Campano

Nome completo: Carlos Campano Jimenez

Data de nascimento: 15/09/1985

Cidade onde nasceu: Sevilha, Espanha

Cidade onde mora: São Jose

Motos atuais: Yamaha YZF 450cc

Principais títulos:

Campeão Espanhol MX2 e Mx1,

Campeão mundial MX3 2010

Tricampeão Brasileiro MX1 ’12, ’14, ’15

Campeão Arenacross 2014

Campeão Superliga 2012

Ídolo no Motocross: Jean Michael Bayle

Pista de Motocross na Europa: Agueda, portugal

Pista de Motocross favorita no Brasil: Carlos Barbosa

Comida favorita: Pizza

Bebida favorita: Água

Estilo de filme preferido: Thriller

Comida nos dias de corridas: Masa e fruta

Bebida nas corridas: isotônicas e energéticas

Lazer preferido: karting

Esporte preferido fora o Motocross: Motovelocidade

Facebook : carloscampanomx

Site: www.carloscampano.com

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