Entrevista com Hector Assunção, tricampeão brasileiro da MX2

Por Mariah Morgado | Fotos por Sílvio Bilhar | 29 de dezembro de 2015 - 10:05

O Mundocross bateu um papo hoje com Hector Assunção, tricampeão brasileiro de Motocross MX2.

Mundocross – Olá, Hector. Primeiro gostaríamos de parabeniza-lo pelas conquistas recentes e agradecer por dispor deste tempo para conversar conosco e com os leitores do Mundocross.

Hector – Gostaria de agradecer muito pela oportunidade de poder fazer mais uma entrevista aqui para o Mundocross. Já fiz uma entrevista há alguns anos e foi muito legal e queria agradecer mais uma vez pela oportunidade e pelo espaço de poder deixar minhas palavras aqui novamente.

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Mundocross – Vamos começar fazendo uma avaliação de sua temporada 2015. Conte-nos sobre a sua campanha deste ano. Você agora é tricampeão brasileiro.

Hector – Foi um ano sensacional.  Pra mim foi muito especial. Consegui três títulos esse ano: campeão do Arenacross, campeão da Copa Brasil e meu tricampeonato Brasileiro. Os últimos anos foram muito disputados. Foi bem difícil mesmo. Batalhei muito por esse ano, treinei muito. Entrei com o # 1 então o peso estava todo em cima de mim, acho que todos os pilotos queriam me bater e começar com o # 1 é muito difícil. Foi muito bom! Você ser tricampeão brasileiro da categoria MX2 não é nada fácil. É uma categoria muito disputada então foram 3 anos de muito treino mesmo, muita batalha, muita garra. E graças a Deus deu tudo certo. Acho que o que me ajudou a conquistar esses três títulos foi a minha constância durante os campeonatos.

Mundocross – Onde você fez sua pré temporada 2015? Como é sua rotina de treinos? Como é sua preparação para os campeonatos?

Hector – Para 2015 fiz uma pré temporada muito boa. Comecei o ano treinando só de 450cc, fiquei dois meses treinando com moto de 450 e acho que isso me ajudou bastante a pegar velocidade, físico e isso acho que foi um passo a mais para minha temporada 2015. Não só isso também, mas a pré temporada foi feita com meus colegas de equipe. Sempre junto com Paulo Alberto, Adam Chatfield, Rafael Faria, Caio Lopes, Stefany Serrão. Acho que todos estavam treinando todo dia com a gente. E todo dia vários outros pilotos iam treinar junto com a gente não só na parte do Motocross, mas na parte física também pedalando, correndo, indo para a academia. Acho que a harmonia do time ajudou bastante nessa pré temporada.

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Mundocross – Você disputou o MXoN 2013 e já participou de etapas do Mundial aqui no Brasil. O que você aprendeu com essa sua experiência nessas competições gringas?

Hector – Participar do Nações 2013 foi muito bom, era um sonho né? Acho que todo brasileiro sonha em um dia representar o país no Nações. Eu aprendi muito. Qualquer coisa que você faz lá fora, você aprende alguma coisa. Mas q que mais a gente aprende com eles não é só o ritmo de corrida que lá é muito forte, mas é como eles mudam de traçado durante a corrida inteira. A pista lá começa de um jeito e depois de umas duas voltas as canaletas ficam diferentes. A cada volta eles estão sempre trocando de traçado e isso é muito impressionante. Aqui no Brasil, a gente tem muito pouco isso, tem um pouco, mas lá fora isso é muito, muito, muito mais difícil. É muito difícil você sempre estar andando na mesma pista e a cada vez, essa pista está de um jeito.  Por isso a gente acaba sofrendo um pouco lá fora, mas a gente sempre leva isso como um aprendizado para nossa carreira.

Mundocross – O que o Motocross te ensinou e trouxe para a vida de Hector Assunção dentro e fora das pistas?

Hector – Com certeza o Motocross é um esporte que ensina bastante a gente. Até porque é um esporte que você precisa ser muito dedicado. Hoje em dia o Motocross está muito profissional. Para ser um piloto profissional você depende de uma boa alimentação, um bom preparo físico, precisa ter uma rotina de treinos regular e treinar certinho para ser um piloto de ponta. E isso a gente acaba levando para toda a vida. Não só no Motocross, então foi isso que o motocross me trouxe… me fez uma pessoa que tem foco em tudo que eu for fazer, independente se for de motocross ou outra coisa, uma pessoa determinada. E foi o Motocross que trouxe isso para mim. Faço assim em tudo na minha vida, não só como piloto. Acho que tudo que vou fazer hoje em dia, faço com foco e determinação.

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Mundocross – Com um número considerável de pilotos estrangeiros nas competições brasileiras nas últimas temporadas, como você avalia esse intercâmbio com os pilotos brasileiros?

Hector – Acho que isso é muito bom. A gente acaba elevando bastante o ritmo do Brasil. Temos ai Carlos Campano, Paulo Alberto, Adam Chatfield que são pilotos muito rápidos que trouxeram uma velocidade a mais para o Brasil. Acho que a gente só tem a aprender com isso, o esporte está crescendo no Brasil e eu acho isso muito bom. Acho que só tem nos ajudado e mas vamos batalhar bastante para ‘dar pau’ nesses gringos ai. (risos)

Mundocross – Como você descreve as competições brasileiras em comparação com as gringas por quais já passou?

Hector – É bem diferente.  Eu participei do Mundial e do Nações que são os melhores  campeonatos do mundo e é bem difícil comparar assim. Mas a diferença são as pistas. Aqui no Brasil, as pistas não são ruins, mas as pistas do Mundial são muito técnicas e o jeito que eles tratam e ajeitam a pista acabam deixando elas muito técnicas e também divertidas de andar. Acho que as pistas brasileiras estão evoluindo bastante. Acho que não precisamos reclamar muito. As pistas de 2015 foram muito boas e gostei bastante.  A cada ano que passa, em termos de pistas, o Brasil está chegando perto das estrangeiras.

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Mundocross – Este ano tivemos alguns circuitos novos. Qual foi seu circuito preferido de 2015?

Hector – Sim, tivemos alguns circuitos novos. Tivemos boas pistas durante o campeonato inteiro neste ano. Mas acho que uma pista que se destacou bastante, é uma pista que todo mundo gosta de andar, foi a velha pista de Indaiatuba. Acho que o sonho de todo mundo era andar nessa pista. Quem nunca andou teve a oportunidade de andar esse ano na Copa Brasil de Motocross. Acho que foi a pista preferida.  A pista estava muito divertida. É a pista que posso treinar de vez em quando aqui em São Paulo. Então acho que estava bem legal, bem divertida e gostosa de andar, os pilotos se divertiram.  Eu me diverti bastante nela, consegui vencer as duas baterias e acho que não tem porque dela não ser minha pista preferida de 2015.

Mundocross – Qual foi a maior dificuldade da temporada pra você? Qual foi a etapa mais difícil?

Hector – Minha maior dificuldade nessa temporada, eu acho que foi a etapa de Tapejara, no Rio Grande do Sul, onde tive um pneu furado na segunda bateria. Acho que deu uma baleada no campeonato, mas tive sorte que estava com bastante ponto de vantagem. Eu vinha de três vitórias consecutivas e infelizmente nessa etapa acabei tendo um pneu furado e tive um mal resultado. Foi a prova que passei mais dificuldade. Foi uma prova negativa pra mim, mas graças a Deus deu tudo certo e consegui ser campeão.

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Mundocross – Quais seus planos futuros? O que Hector Assunção pretende para 2016 e para as próximas temporadas? Planos para competir no exterior?

Hector – Meus planos futuros é continuar aqui mesmo no Brasil. Não tenho planos de correr lá fora. Ainda tenho mais um ano de MX2. Mas eu e minha equipe ainda estamos decidindo o que faremos para 2016. Se eu continuo na MX2 ou se vou para a MX1. A minha vontade é subir para a MX1. Gosto muito já de andar de 450cc, já fui três vezes campeão na MX2 e acho que já chegou a hora de ir para a MX1, bater guidões com os estrangeiros e tentar levar a bandeira do Brasil para o topo do pódio. Eu e minha equipe estamos vendo o que será melhor pra mim e para a equipe. Em breve, soltaremos a notícia para vocês.

Mundocross – Hector, agora o espaço é seu para suas considerações finais e agradecimentos.

Hector – Primeiramente, quero agradecer a Deus. Quero agradecer a toda a minha equipe Honda Mobil/IMS que são demais e estão sempre me dando o maior apoio e condições de treino, uma moto competitiva. Ao meu mecânico do dia a dia Heverton, ao mecânico do Paulo Alberto, Marcão, que está sempre presente nos treinos ajudando de alguma forma. Meu pai e minha família toda. Todos fizeram parte desse título e eles sempre estiveram ao meu lado a minha carreira inteira. Quero agradecer a cada um deles.

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Perfil do piloto Hector Assunção

Nome completo: Hector de Freitas Assunção

Data de nascimento: 08/04/1992

Cidade onde nasceu: Osasco, SP

Cidade onde mora: Indaiatuba, SP

Motos atuais: Honda CRF250cc e CRF450cc

Principais títulos: 6x campeão brasileiro de Motocross (juntando com as categorias de base) e 3x campeão do Arenacross

Ídolo no Motocross Internacional: Ryan Villopoto

Ídolo no Motocross Nacional: Roosevelt Assunção (meu irmão) e Jean Ramos

Pista de Motocross favorita no Brasil: Indaiatuba

Comida favorita: Como de tudo (arroz com feijão e bife/filé de frango)

Bebida favorita: Suco de laranja

Estilo de filme preferido: Todos, ação e aventura

Comida nos dias de corridas: Frango grelhado com arroz

Bebida nas corridas: Água

Lazer preferido: BMX e sair com os amigos

Esporte preferido fora o Motocross: BMX

Facebook : Hector Assunção

Instagram: @hector_assuncao

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