Por onde anda? – Jessica Patterson

Por Mariah Morgado | 25 de setembro de 2017 - 21:31

O site Mundocross tem uma série de entrevistas chamada: POR ONDE ANDA MUNDOCROSS? No qual conversamos com pilotos aposentados. Mas a revista Racer X fez uma entrevista desta mesma série com uma lenda do esporte feminino americano e ficou tão legal que resolvemos trazê-la na íntegra pra vocês!

Jessica Patterson é uma das (os) atletas mais premiadas e bem sucedidas a terem subido em uma moto de motocross. Depois de vencer mais de 42 campeonatos amadores, Patterson se tornou profissional em 2000 e conquistou 7 Campeonatos Americanos de Motocross Feminino (WMX – Women’s Motocross National Championship). Depois ela passou para o X Games da ESPN e passou por diversas temporadas do GNCC e EnduroCross. Outra curiosidade, apenas uma piloto está na frente de Patterson na quantidade de títulos da WMX, Mercedes Gonzales.

Em 2015, Patterson se aposentou completamente das competições e mudou para a Carolina do Sul com seu marido, Eddie Ray (que também tem um campeonato do Loretta no currículo e foi um piloto privado por muito tempo).

E agora com vocês, Jessica Patterson! 

RacerX –  Jessica, você se aposentou em 2015, o que anda fazendo?
Jessica Patterson –
 Bem, tecnicamente foi em 2013, na minha última corrida de motocross. A partir dai, nós moramos na Califórnia e decidimos mudar para o leste depois que acabei. Então, quando voltamos eu me inscrevi e fiz um pouco de GNCC e corridas off road por dois anos e depois decidi mudar de rumo e fazer algo completamente diferente.

RacerX – Deduzo que é isso que você está fazendo hoje em dia. Por favor, conte mais.
Jessica Patterson – 
Bem, começou com minhas corridas e em estar em volta de todas as pessoas envolvidas com isso durante todo o tempo e minha experiência. Muitas pessoas começaram a me perguntar sobre trabalhar com seus filhos ou filhos de amigos. Honestamente, eu nunca pensei que gostaria de ser uma treinadora, mas um dia a oportunidade surgiu. Um amigo construiu uma pista que ficava a apenas 4 milhas de minha casa e era um lugar legal. Era em uma instalação de corrida de carro off road e eles construíram a pista de motocross como adição no local. Então eu comecei a treinar algumas crianças la e me envolvi mais. Eu descobri que eu gostava muito disso, e muito mais do que eu pensava. E agora é isso que eu faço praticamente o tempo todo e tento passar a diante tudo que aprendi ao longo dos anos.

RacerX – Bem, parece que você fez uma boa transição de piloto para o próximo passo?
Jessica Patterson –
Bem, eu acho que sim. Mas a grande novidade agora é que no último mês, minha pequena pista de motocross no final da rua da minha casa foi a venda. E nós compramos ela! Foi apenas há algumas semanas. O lugar se chamava Travelers Rest Speedway e, desde que a compramos, e ainda é tudo novidade pra nós, acabamos de trocar o nome para Travelers Rest Motorsports Park. E para melhor representar que não somos apenas pista de terra. A pista é na Carolina do Sul e estamos a cerca de 1 hora de Charlotte, Carolina do Norte.

RacerX – Isso é muito legal. Você está se juntando a um grupo de ex pilotos muito rápidos como Robbie Reynard, Tony Lorusso e Keith Johnson, todos que agora administram pistas.
Jessica Patterson – 
Sim, é tudo novidade. Estamos começando a descobrir as coisas. Vamos fazer dar certo e estamos ansiosos para aumentar as pegadas da instalação e como as coisas são divertidas.

RacerX – Você é da Costa Leste, certo?
Jessica Patterson – 
Sim, sou de Tallahassee, Flórida. Toda a minha família ainda está lá, por isso que vamos pra lá o tempo todo. Mas quando voltei da Califórnia e estava fazendo as corridas off road, eu pilotava para a equipe de Randy Hawkins e ele é baseado na mesma cidade. E foi assim que chegamos aqui. É um ótimo lugar e nós compramos uma casa logo após chegarmos aqui e agora temos uma pista e uma instalação.

RacerX – Parece que a maioria dos pilotos de GNCC parecem estar localizados nas Carolinas, do mesmo modo que a maioria dos pilotos de motocross moram no Império dos Sonhos (Califórnia). Qual o porquê disso?
Jessica Patterson – 
Sim, com certeza. Existem muitos pilotos por aqui. Com Randy Hawkins a apenas oito milhas de distância, ele vem com os rapazes dele, como Ricky Russell e treinam muito. Mas muitas pessoas vêm aqui para treinar. Entre essa área e Charlotte, você tem uma base muito boa de pilotos off road. Os irmãos Baylor moram a 45 minutos daqui. Isso é bom porque estamos muito próximos de onde a maioria desses pilotos estão. A casa de Randy tem cerca de 150 acres e tem um grande circuito de enduro. Quando eu quero agitar as coisas com meus garotos e fazer mudanças, as vezes nós vamos lá e nos divertimos com a nova pista.

 

RacerX – Então a maior parte de seu treinamento funciona centralizado pelas florestas ou pelo motocross?
Jessica Patterson – 
É basicamente tudo motocross. Eu trabalho basicamente individualmente com os pilotos, principalmente antes do Loretta’s. Talvez teremos oito crianças aqui e é tudo muito concentrado. Eu tenho outros rapazes com quem trabalho nos finais de semana e apenas depois do horário escolar. Mas na maior parte, eu dou o mesmo nível de apoio e tempo aos pilotos de todos os diferentes níveis.

RacerX – Você mencionou “nós” diversas vezes, eu deduzo que você está falando de seu marido, Eddie Ray. Ele também é um piloto bem sucedido, certo?
Jessica Patterson – 
Ah sim, claro. Ele disputou o Loretta’s várias vezes e conquistou o campeonato em 2003. Ele chegou a ter boa estrutura privada nos níveis profissionais antes de se aposentar para me ajudar nas corridas. Desde que mudamos para a Carolina do Sul, ele se envolveu bastante com corridas de carro. Na verdade, quando ele era criança, o pai dele queria mesmo que ele pilotasse carros. E depois quando mudamos de volta pra cá e começamos a sair com Randy (Hawkins), bem, ele o convenceu a entrar em um carro. E por um tempo, ele começou a correr em corridas de asfalto locais. Mas as corridas off road são uma grande coisa por aqui, então ele foi para o carro off road. E ele fez isso por um tempo. Mas agora que temos a pista, isso ficou de segundo plano. Nós agora temos nossas próprias corridas toda sexta feira a noite, por isso que agora é a hora de resolver tudo. Com ele envolvido completamente nisso, ele não tem tido tempo para correr.

RacerX – Eu sei que vocês começaram a poucas semanas, mas como é ter sua própria pista?
Jessica Patterson – 
Bem, nós temos carros e motocross em nossa instalação. Até agora, não demos muita atenção aos carros. Essa parte foi impulsionada a nós e agora somos promoters e é tudo novidade pra nós. Mas é muito bom e divertido. É diferente, você está tão envolvido e concentrado nas coisas que você não para pensar como tudo funciona. Um de nossos parceiros passou sua vida toda envolvido com carros e isso ajuda muito. Nós também tempos um gerente de pista e isso também ajuda. Mas a sexta feira a noite é nossa corrida de carro semanal e estou precisando fazer malabarismo nas quintas e sextas feiras e me preparando para isso. É algo bastante popular. Nós também estamos fazendo algumas corridas locais de motocross. Na verdade, nós tivemos a nossa primeira na semana passada. Eu não tinha certeza de como seria, mas tudo correu bem para a primeira corrida.

RacerX – Você já foi lá e testou a pista?
Jessica Patterson – 
Não! Honestamente só andei umas duas ou três vezes este ano. Eu fiz um pouco de arenacross em Janeiro e Fevereiro este ano, mas ai machuquei meu joelho e operei depois da etapa de Atlanta. Eu tenho estado tão envolvida com o outro lado das coisas que correr não tem sido uma prioridade. Eu fiz a primeira caída de gate que tivemos, foi uma grande coisa pra nós, e também dei a bandeirada final e corri pela pista levantando as crianças pequenas, tentando ajudar a manter as coisas em movimento. Eu posso dizer que a vida de promoter não é glamurosa. Você aprende rapidamente que as coisas acontecem e que depois causam outras coisas. Por exemplo, nós tivemos três pessoas que não foram trabalhar, aí tivemos três bandeirinhas que chegaram atrasados. Isso é difícil, mas nós superamos.

RacerX – Vamos mudar de marcha e falar sobre sua carreira. Você teve sete campeonatos da WMX, isso é bem impressionante.
Jessica Patterson – 
Com certeza. Mas a coisa que eu mais gosto era conhecer as pessoas que conheci e poder viajar por todo o país. Para mim, também meu melhor ano foi 2010. Foi quando mudei pra Califórnia e basicamente pegou tudo que fiz e virou de cabeça pra baixo. Eu mudei pra lá e trabalhei com Ryan Hughes. Eu mudei todo o meu esquema. Mas foi importante que eu fizesse isso e funcionou. Nós (mulheres) estavamos ganhando motos de fábrica e eu queria ser o mais competitiva possível. Então eu trabalhei com Ryno e Bobby Reagan me deu uma moto e uma oportunidade e a equipe dele construiu pra mim uma moto que eu precisava para vencer. Aquela temporada mudou toda a minha carreira. Antes daquilo, eu não tinha certeza de onde queria ir. Você sabe, as vezes você escuta pilotos que reclamam sobre a moto ou sei lá, mas depois que fiz aquelas mudanças e a Yamaha e a Star Racing apareceram, eu tive todas as ferramentas que precisava pra vencer. Naquela temporada eu acho que venci 14 das 16 baterias ou algo assim, eu só perdi duas corridas.

RacerX – Eu lembro daquela temporada e sua performance com certeza foi dominante. Mas 2013 foi sua última temporada, certo?
Jessica Patterson – 
Sim, foi. Depois da temporada 2010, eu mantive a evolução do ritmo e venci mais algumas. Quando eu penso no passado, é difícil dizer, mas talvez 2013 foi meu segundo melhor ano e talvez porque foi o último e sabia que era minha última temporada, mesmo que não parecia. Eles encurtaram o campeonato naquele ano. Eu sempre apreciei o que Davey e Tim fizeram por nós e eles tentaram fazer tudo que podiam pela WMX. Mas eu honestamente me preocupava que era meu último ano e queria sair no auge. Em Hangtown, minha moto quebrou e eu não terminei a corrida. Eu não acho que haviam muitas chances depois daquilo, mas eu fiz o meu trabalho e continuei correndo. As cartas certas foram aparecendo e eu venci aquela última. Eu lembro de estar em Southwick, era a última corrida, e o clima estava perfeito. E de repente, antes de nossa corrida, caiu uma chuva forte. Eu fiz uma largada ruim e estava passando todo mundo o mais rápido que podia. Mas ai a chuva e a areia entraram no radiador e começou a sair fumaça da minha moto. Eu vi e fiquei muito preocupada se a moto aguentaria até o final da bateria. E sei que toda a minha equipe também estava com medo da moto quebrar, mas deu tudo certo.

RacerX – Como foi trabalhar com Ryan Hughes?
Jessica Patterson – 
Foi muito bom. Sabe, muitas pessoas falam coisas diferentes sobre ele. Com certeza, ele é muito diferente, ele exige muito, mas eu fiz tudo que ele me falava. Ele e eu temos uma atitude de nunca desistir, então nós estamos na mesma página. Quando eu mudei pra Califórnia, eu não queria que nada me parasse e continuava me esforçando e meu programa. Ele e eu nos demos muito bem. E sabe de uma coisa, muitas coisas que ele me ensinou, eu também ensino para meus alunos. Mas eu tenho visto algumas pessoas que treinaram com ele e não conseguiram. Ele é honesto e direto. Eu assisti algumas pessoas que saíram do programa ou não gostaram de ouvir, mas para mim parecia a verdade. E funcionou. Ryno e eu ainda mantemos contato, o negócio dele funcionou de verdade pra mim e eu ainda uso seus suplementos e muitos aspectos de seu programa.

RacerX – Eu faço essa pergunta em muitas de minhas entrevistas, mas como era a parte financeira durante sua carreira?
Jessica Patterson – 
Era boa. Era 10 vezes melhor do que é hoje, com certeza. Eu tinha minhas coisas da equipe, dinheiro da fábrica da Yamaha, eu tinha dinheiro de equipamentos, algumas coisas da Rockstar Energy e qualquer coisa mais que tínhamos. Nós também tínhamos lucros da pista, não era muito, mas mesmo assim era alguma coisa. Quando eu também corria nos eventos do X Games, o dinheiro também era muito bom lá. Está difícil agora porque as mulheres não estão no mesmo lugar de terem destaque que estávamos e portanto nem os patrocínios que vêm com aquele destaque. Mas para mim foi muito bom. Eu consegui economizar e comprar a casa em que moramos agora e também investi meu dinheiro nesse lugar que agora sou dona.

RacerX – Parece que você só está reinvestindo em si mesma, da mesma forma quando corria.
Jessica Patterson – 
Eu acho que sim! Eu só investi em mim e me tornei a melhor que podia. Agora estou começando tudo de novo e embora não seja a promoter que tem por ai, eu estou trabalhando nisso! Eu quero que nossa instalação se torne muito legal e um lugar respeitado e com sorte se torne maior no futuro.

RacerX – Um fato interessante: as duas melhores pilotos mulheres dos Estados Unidos estão casadas com maridos que também têm títulos do Loretta’s.
Jessica Patterson – 
Isso é engraçado! Eu acho que a Mercedes e eu somos únicas. Ambos os nossos maridos venceram no Loretta’s, o que é muito legal. Eu venci lá apenas três vezes, mas deveria ter vencido 15 vezes! Acho que tenho um prêmio informal pela maior quantidade de vice campeonatos da história. O Loretta’s é estranho pra mim. Talvez nós possamos voltar e disputar a categoria Senior Master e ter algumas crianças na categoria mini. Eu sei que tem a corrida de pais e filhos, mas seria legal ter nós dois correndo com nossos filhos.

RacerX – Obrigado pela conversa. Boa sorte com a nova pista!
Jessica Patterson – 
Obrigada! Eu gostaria de agradecer as pessoas que continuam me apoiando e me ajudando, especialmente com essa nova aventura: N-Fab, Gear Alloy Wheels, Yamaha e todos os meus outros patrocinadores de longa data. Eu agradeço muito, muito. E espero que todos que leiam essa entrevista venham e conheçam a nossa pista, já que nós queremos muito torná-la em algo especial.

Fonte: RacerX

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