Versão da morte de Marronzinho divide opiniões

Por Jean Balbinotti | Foto por Divulgação | 27 de junho de 2012 - 7:48

O Motocross brasileiro perdeu ontem um dos seus pilotos mais talentosos e carismáticos. O catarinense João Paulino da Silva Jr, o Marronzinho que sofreu um acidente quando treinava para a quinta etapa do Brasileiro de Motocross, na cidade de Sorriso (MT), neste fim de semana. A fatalidade ocorreu no final da manhã, na pista de Potecas, em São José, onde o piloto costumava treinar antes das competições. A versão da queda dividiu opiniões e comoveu familiares e amigos do piloto de 29 anos.

Para quem acompanhava a sua trajetória, a morte foi inexplicável. Todos sabiam que Marronzinho era um profissional muito arrojado, que tentava tirar o máximo do equipamento. Mas não ao ponto de colocar a própria vida em risco. Rogério Schmidt, proprietário da loja Moto Shop, em São José, mantinha contato direto com Marronzinho e fornecia peças e equipamentos para a equipe dele, a Yamaha Geração.

Segundo Schmidt, que esteve no local do acidente, parafusos da coroa que sustenta a correia da moto foram encontrados no chão. Com isso, de acordo com Schmidt, a roda traseira travou durante o salto na área da pista conhecida como “costela” e jogou o corpo do piloto para frente. Ainda conforme o proprietário da Moto Shop, sem o controle do equipamento, Marronzinho não pode fazer nada e viu a moto de 450 cilindradas e cerca de 108 quilos atingi-lo em cheio quando já estava no chão. O laudo médico divulgado informou que a causa da morte foi traumatismo craniano e que Marronzinho morreu antes da chegada dos socorristas ao local do acidente.

Cubo da roda traseira onde a coroa é afixada com parafusos

Cubo da roda traseira onde a coroa é afixada com parafusos

Equipe comenta outra versão do acidente
A Yamaha contesta a versão. Conforme a assessoria de imprensa da equipe, o que houve foi um acidente e a moto não caiu sobre o corpo de Marronzinho. Mas somente o laudo pericial poderá confirmar as causas reais do acidente. A Yamaha divulgou nota informando que  o atleta faleceu por volta das 11h, vítima de traumatismo craniano. Marronzinho foi levado para a sua cidade natal no início da noite e o corpo será velado nesta quarta-feira no Centro Cultural de Laguna, ao lado da Igreja Matriz. Às 16, ele será sepultado.

“A sensação de perda é como se um filho tivesse ido. Perdemos um amigo, um irmão, muito mais que um atleta. O Marronzinho era exemplo dentro da equipe. Era o mais experiente. Foi uma fatalidade. Estamos todos muito tristes”, afirmou Sandro Garcia, diretor do Grupo Geração.

Marronzinho tinha contrato com a equipe Yamaha até o final deste ano e disputava o Campeonato Brasileiro de Motocross, a Superliga Brasil de MX e o Arena Cross. Ele ocupava a nona colocação no Brasileiro MX e a sétima na Superliga.

A morte de Marronzinho será investigada pelo delegado Manoel Galeno, da 2ª DP de São José. Galeno informou que, a partir de quarta-feira, irá tomar o depoimento das pessoas que presenciaram o acidente. De acordo com ele, o laudo pericial é que vai dar o sentido das investigações.

“O laudo é que vai ser conclusivo e direcionar toda a investigação. Por enquanto, não posso levantar hipóteses nem dar um parecer. Amanhã (quarta) é que vou checar o BO (Boletim de Ocorrência) e analisar o relatório”, disse. Marronzinho tinha contrato com a equipe Yamaha até o final deste ano.

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Comentários

Patrick disse:

Não vejo problema nas pistas e nas motos 450cc, até porque os próprios pilotos adoram essas motos e querem essas motos para competirem, mas o que realmente importa é a falta de patrocínio e incentivos para que o esporte cresça mais, o que aconteceu com Marronzinho infelizmente foi uma fatalidade, poxa estamos falando de uma equipe YAMAHA acreditam mesmo que isso foi um descuido da equipe ? A peça quebrou, soltou, infelizmente aconteceu, isso acontece com vários pilotos, lamentável.

Wellington w. Mitterhofer disse:

É realmente lamentável a perda de mais um piloto tão carismático, que Deus dê todo conforto a família, e que Marronzinho descanse em paz, o mundo cross pedreu um campeão e o céu ganhou uma nova alma ao lado de Deus!

GArgamel disse:

Pessoal, o Marron fazia parte de uma equipe profissional.
Estava treinando com os demais pilotos, inclusive com o Campano.
Tratou-se com certeza de um conjunto de fatores… no Globo.com há uma matéria em video sobre o acidente e lá tem imagens da coroa sem parafusos… isso só acontece com falta de aperto ou mesmo qdo não se usa fixador nos mesmos… aliado ao azar de ter sido atingido pela moto…

Força pra familia….

renato alexandre disse:

pode ser que ele estivesse usando uma roda traseira de treino, que só é usada para isso, e que consequentemente sofre pouca manutenção, não dá prá botar a culpa na equipe, pois acredito que eles treinam sem acompnhamanto desta e assim a responsabilidade pela manutenção fica para o próprio piloto. Fatalidades acontecem, infelizmente.

Luis Feula disse:

Pobre do Marrom Pai e de sua familia .. Tomara que ele encontre forças pra superar essa grande lacuna que ficou em suas vidas a cumplicidade entre os dois era algo fora do comum….
meus pêsames à familia de marronzinho…

Luis disse:

Pobre do Marrom Pai e de sua familia .. Tomara que ele encontre forças pra superar essa grande lacuna que ficou em suas vidas a cumplicidade entre os dois era algo fora do comum….

Pedro Rovane disse:

Concordo com o fabiano. Verdade seja dita, as potentes e poderosas 450cc devem deixar de existir. Nas 250cc 4t tem diversão, controle e as vezes tempos mais rápidos. Porém as 450 empurram mais e conseguem saltos mais extensos com pouca área de aceleração e por consequências muitos retardados fazem pistas com obstáculos para as 450 e pilotos experientes e correm crianças, aprendizes e motos nacionais nas mesmas pistas. O belo das corridas é as disputas. Saltos malucos deixa para o free-style.

Gente, no caso específico, trata-se de uma fatalidade. Não sei dos detalhes do acidente, mas sei que profissionais como Marronzinho, são muito cuidadosos com a manutenção de sua motos. Não é o caso de falta de manutenção, pois as motos são revisadas sempre após corridas e treinos. Outra coisa, ele era acostumado a treinos semanais, e sempre que podia treinava nesse local. E sempre que um piloto vai treinar, vai com alguem, nunca sozinho até para que ser for o caso de levar a algum hospital, ou chamar o socorro em caso de acidente. As pistas (locais para treinos) exceto nos finais de semana de provas, não dispõe de equipe médica, ao menos que sejam contratados por quem vai treinar em particular. Mas existem em alguns casos, centro de treinamentos pelo pais a fora que dispõe desses profissionais, mas são mais raros esses locais.

Delcio Bier disse:

Mais uma perda trágica para o nosso esporte! Nada a fazer, exceto lamentar a perda desta figura super carismática e incrivelmente talentosa, que não mais poderá nos brindar com seus shows de pilotagem. Estou triste e chocado com esta morte, mas são coisas das quais não se pode fugir. A vida tem destes percalços e as vezes não conseguimos entender o porque de algumas coisas. Que a família do Marrom tenha força para superar esse momento triste.

Delcio Bier

fabiano ribeiro disse:

olha eu ja tive um amigo (mateus basso tatu ) que quebrou o femur andando de 85 cc quando os parafusos da corroa se afroucharan e trancaran na balança e o derubaran.
esse pode ser sim o motivo desa fatalidade.

Judy disse:

Eu adoro moto cross e pratico, mas infelismente o Brasil so quer investir em futebol!!!!
E triste , mas é verdade…

Twitter: CHEROBIN
NAO MINHA OPINIAO,FALTA DE MANUTENÇAO,MECANICO BARATO,O BRASIL NAO DA VALOR NOS ATLETAS E COM ISSO TEMOS Q PAGAR MENOS PARA OS MECANICOS Q GANHANDO MENOS NAO SE CLALIFICA E ASSIM POR DIANTE,UMA PENA…………………..

VOLNEY disse:

Como amante do esporte, gostaria de saber de uma informação, nestes treinos na pista de potecas, há uma equipe médica e ambulância dando suporte, caso algum acidente venha ocorrer?

é Editor do Mundocross, site que foi lançado por causa de sua paixão por Motocross e Supercross. Em 1990 ele começou a escrever sobre motos no Jornal VS, em São Leopoldo, no RS, numa coluna onde escrevia sobre Trilhas, Enduro e Motocross. Depois também escreveu para o Jornal O Pódium, Revista Moto Action. Nestes 24 anos teve experiências em eventos internacionais, como Mundiais de Motocross, AMA Supercross, AMA Motocross, Motocross das Nações e US Open Supercross.

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